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Leia a poesia de Nego Bispo.
Nós extraímos os frutos nas árvores…
Eles expropriam as árvores dos frutos!
Nós extraímos os animais na mata…
Eles expropriam a mata dos animais!
Nós extraímos os peixes nos rios…
Eles expropriam os rios dos peixes!
Nós extraímos a brisa no vento…
Eles expropriam o vento da brisa!
Nós extraímos o calor no fogo…
Eles expropriam o fogo do calor!
Nós extraímos a vida na terra…
Eles expropriam a terra da vida!
Fonte: SANTOS, Antônio Bispo dos. Colonização, Quilombos, Modos e Significações. Brasília: INCTI/UnB, 2015.
Infere-se que o intelectual quilombola Nego Bispo, por meio de sua reflexão contracolonial, trata de criticar
“O dia 28 de maio se tornou uma data lembrada com dor por milhares de pessoas em Pernambuco. Em 2022, esse Estado enfrentou o seu maior desastre ambiental por causa das fortes chuvas. Dois anos após a tragédia, que deixou 133 mortos, 2.099 pessoas ainda não conseguiram voltar para casa e recebem auxílio-moradia, segundo levantamento da TV Globo, feito com as prefeituras das cidades atingidas. As mortes aconteceram entre os dias 25 de maio e 7 de junho de 2022. A maior parte das pessoas que morreram moravam no Grande Recife, próximo a áreas de barreiras. Em todo o estado, a cidade mais afetada foi Jaboatão dos Guararapes, com 64 mortos. A comunidade de Jardim Monte Verde foi a que mais registrou mortes: mais de 20 pessoas morreram, 17 na mesma rua. Ao todo, o desastre afetou mais de 120 mil pessoas no estado. Entre deslizamentos de barreiras, enchentes, casas levadas pela lama e bens arrastados pela água, famílias guardam o trauma e ainda tentam reconstruir tudo o que foi perdido.”
Disponível: https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2024/05/28/dois-anos-apos-tragedia-das-chuvas-com-133-mortosmais-de-2-mil-pessoas-ainda-nao-voltaram-para-casa.ghtml. Acesso em: 21/09/2025
Diante do cenário exposto no texto, a Sociologia possibilita refletir sobre
“Movimento indígena, segundo uma definição mais comum entre as lideranças indígenas, é o conjunto de estratégias e ações que as comunidades, organizações e povos indígenas desenvolvem de forma minimamente articulada em defesa de seus direitos e interesses coletivos. O líder indígena Daniel Munduruku costuma dizer que no lugar de movimento indígena dever-se-ia dizer ÍNDIOS EM MOVIMENTO. Ele tem certa razão, pois não existe no Brasil um movimento indígena. Existem muitos movimentos indígenas, uma vez que cada aldeia, cada povo ou cada território indígena estabelece e desenvolve seu movimento de luta em defesa de seus direitos. Mas as lideranças indígenas brasileiras, de forma sábia, gostam de afirmar que existe sim um movimento indígena, aquele que busca articular todas as diferentes ações e estratégias dos povos indígenas, na perspectiva de uma luta articulada em níveis locais, regionais, nacional e internacional em torno dos direitos e interesses comuns, frente a outros segmentos e interesses nacionais e regionais. É importante dissociar a existência de movimento indígena nacional da existência de uma organização indígena nacional.”
Fonte: BANIWA, Gersem Luciano. Movimentos e políticas indígenas no Brasil. Tellus, ano 7, n. 12, abr. 2014. p. 128
Diante dessa perspectiva sobre o Movimento Indígena, a noção de identidades coletivas se refere a um grupo social
“Classe, raça, gênero, diversidade sexual, religiosidades, idades, entre outros são constituintes da realidade social e pedagógica na qual toda e qualquer prática educativa é realizada. Educar, como sabemos, é mais do que ensinar e aprender e do que dominar metodologias. Consiste em um campo denso e, para que aconteça de forma emancipatória, precisa realizar-se articuladamente à justiça social. Isso vale tanto para as práticas quanto para as políticas educacionais da educação básica e do ensino superior.”
Fonte: GOMES, Nilma Lino. Estudos e pesquisas sobre educação, raça, gênero e diversidade sexual. Educação & Sociedade, 2023, p. 44.
Nesse sentido, a Sociologia, no contexto escolar, pode contribuir para uma educação pautada
“Para compreendermos as características singulares do Ensino de Sociologia no Brasil duas questões devemos considerar: o reconhecimento da intermitência desta ciência no currículo escolar, aspecto que já foi apontado por autores como Santos (2004), Silva (2010) e Moraes (2011). e o fato de ser uma tradição cujas raízes encontram-se na realidade escolar, antecedendo a existência de cursos voltados para a formação específica de cientistas sociais.”
Fonte: Oliveira, A. Revisitando a história do ensino de Sociologia na Educação Básica. Acta Scientiarum. Education, 35(2), 2013, p. 180.
O fragmento evidencia que o ensino de Sociologia, na educação básica, é caracterizado por sua intermitência no currículo escolar. Nessa perspectiva, é correto afirmar que, em 2008, a Sociologia torna-se
Essa passagem aponta que a ação pedagógica está vinculada a um arbitrário cultural que se refere à reprodução social
“Ser negra e mulher no Brasil, repetimos, é ser objeto de tripla discriminação, uma vez que os estereótipos gerados pelo racismo e pelo sexismo a colocam no nível mais alto de opressão. [...] ela se volta para a prestação de serviços domésticos junto às famílias das classes média e alta da formação social brasileira. Enquanto empregada doméstica, ela sofre um processo de reforço quanto à internalização da diferença, da subordinação e da “inferioridade” que lhe seriam peculiares.”
Fonte: Gonzalez, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano. Rio de Janeiro: Ed Zahar, 2020. p. 143
O conceito de tripla discriminação, desenvolvido por Lélia Gonzalez, pode ser a associado a outro importante conceito desenvolvido por feministas negras estadunidenses, como Patricia Hill Collins e Kimberle Creenshaw, denominado
Essa conquista visa a garantia de
“Ainda estou aqui” retrata a trajetória de vida da advogada e ativista Eunice Paiva (1929-2018), que teve o marido, o ex-deputado Rubens Paiva (1929-1971), sequestrado e assassinado pela ditadura militar brasileira (1964-1985). Após saber que o marido foi morto pela repressão, Eunice iniciou uma incansável luta por justiça. Ela queria saber onde estava o seu marido e como ele havia sido morto. Essa luta, e algumas outras, fizeram dela uma liderança no campo dos direitos humanos.”
Disponível: https://www.cafehistoria.com.br/ainda-estou-aqui-historia-real/. Acesso em: 21/09/2025
O período retratado pelo filme “Ainda estou aqui” representou a supressão de direitos e a suspensão da democracia. Tal situação histórica foi somente revertida com a Constituição de 1988 e o processo das Diretas Já, os quais se estabeleceram enquanto marcos da redemocratização no Brasil e também de um certo tipo de cidadania denominada
“O Movimento Negro ressignifica e politiza a raça, compreendedo-a como construção social. Ele reeduca e emancipa a sociedade, a si próprio e ao Estado, produzindo novos conhecimentos e entendimentos sobre as relações étnico-raciais e o racismo no Brasil, em conexão com a diáspora Africana.”
Fonte: GOMES, Nilma Lino. O movimento negro educador. Saberes construídos na luta por emancipação. Petrópolis, RJ: vozes, 2017, p. 38.
A reflexão acima aponta para o reconhecimento de outro tipo de agente que promove educação dentro da sociedade. Nesse caso, o Movimento Negro contribuiu para implementação de novas políticas públicas de educação em forma de lei, como a Lei nº