Questões de Concurso
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Nos anos 1980, foi criada e difundida no Brasil a Metodologia Triangular para o ensino de Arte, estruturada em três eixos fundamentais: o fazer artístico, a leitura da obra de arte e a contextualização. Após décadas de desenvolvimento, essa proposta permanece relevante, sendo constantemente aprimorada por pesquisas e práticas pedagógicas.
Considere que, em uma aula de artes para alunos dos anos iniciais do ensino fundamental, o(a) docente apresentou aos estudantes uma obra do artista Juan Miró e propôs uma atividade de releitura.
Levando-se em conta o conceito de releitura em uma perspectiva contemporânea do ensino de artes, conclui- -se que a proposta de releitura
Há uma hegemonia do visual no ensino de Arte que limita a leitura e a fruição estética de obras bidimensionais por pessoas com deficiência visual (DV). Diante desse cenário, coloca-se a necessidade de o professor, ao organizar práticas pedagógicas em arte para o aluno com DV, promover o desenvolvimento de sua cultura, sensibilidade, criatividade e conhecimentos.
Como uma estratégia de acessibilidade que possibilita a leitura e a fruição estética de obras de arte planas para estudantes deficientes visuais, de forma a respeitar sua autonomia, destaca-se a
I - Fundamentando II - Interpretando III - Revelando IV - Descrevendo
P - Incentiva a busca por conhecimentos adicionais em campos teóricos, como história da arte, ou conteúdos relativos à crítica da arte, contextos, autor, época e obras em questão. Q - Possibilita a materialização pelo estudante dos aprendizados construídos, por meio da construção de uma produção de sua autoria. R - Possibilita a interpretação da obra e a correlação de sentimentos, ideias ou sensações pelos estudantes, a partir da imagem em questão. S - Favorece a observação da obra analisada e sua investigação, por meio de anotações sobre os detalhes visualmente percebidos. T - Promove a identificação e a comparação dos elementos de estrutura e organização de composição da obra analisada.
As associações corretas são:
De acordo com a Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial da Unesco, de 17 de outubro de 2003, patrimônio imaterial são
[...] as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas – junto com os objetos e lugares culturais que estão ligados a essas tradições – que as comunidades e grupos reconhecem como parte de sua cultura. Esse patrimônio é passado de geração em geração e é recriado constantemente pelas comunidades, o que ajuda a criar um sentimento de identidade e continuidade, além de promover o respeito à diversidade cultural e à criatividade humana.
Disponível em: https://bcr.iphan.gov.br/bem-cultural-imaterial/. Acesso em: 01 fev. 2026.
Quando um bem cultural de natureza imaterial é reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural do Brasil, ele é oficialmente registrado, assumindo-se o compromisso institucional de sua preservação e valorização. Os bens imateriais brasileiros podem ser inscritos em quatro categorias de registros, denominadas livros das
Lygia Clark negou, na expressão da sua arte, o quadro como um apoio para a representação, afirmando-o como objeto-símbolo. Ao criar os Bichos, a artista transita em espaços da arte não desbravados. Para o crítico Ferreira Gullar, o trabalho de Lygia Clark cria uma categoria de obra definida por ele como um não-objeto.
Na arte Neoconcreta, o não-objeto de Lygia Clark
A artista Anitta Malfatti, expoente do Modernismo Brasileiro, contribuiu para as bases de novas estéticas visuais com sua poética particular. Suas cinquenta e três obras expostas em sua segunda exposição individual, na cidade de São Paulo no ano de 1917, impactaram a vida artística do país e abriram caminho para a Semana da Arte Moderna, ocorrida em 1922.
Na produção artística de Anita Malfatti,
Até poucas décadas atrás, a oportunidade de se consumir arte estava restrita aos museus, espaços culturais. A arte e a produção de imagens estavam atreladas aos ateliers e escolas de arte. Hoje, a arte está nas ruas, as imagens povoam as telas dos celulares e os vídeos na internet. Produzir imagens é algo cotidiano, e ser artista envolve outros contextos de produção e consumo. Diante desse novo paradigma, é importante a reflexão sobre as metodologias de ensino de arte. Sobre o tema, Sardelich afirma:
Não cabe mais ao/à educador/a se perguntar o que as/os educandas/os não sabem e propor-se a ensinar- -lhes, e sim o que já sabem e como é possível ampliar as conexões, para que, juntos, possam organizar outros discursos com os saberes-mosaico que todos possuem. Mais do que pensar em representações e artefatos, interessa ao/à educador/a saber o que o grupo de trabalho, que inclui educandas/os e educadoras/ es, quer aprender e o que pode aprender.
SARDELICH, M. E. Leitura de imagens, cultura visual e prática educativa. Cadernos de Pesquisa, v. 36, n. 128, p. 451-472, maio/ago. 2006.
Esse trecho refere-se ao conceito de
Segundo Derdyk,
[...] é fundamental que o arte-educador reconheça em si a capacidade de exercer o ato criativo de forma tão natural quanto comer, dormir e sonhar. O arte-educador, que vivencia o desenho como potência expressiva e poética, dificilmente incorrerá em erros grosseiros de interpretação e avaliação de um desenho.
DERDYK, Edith. Formas de pensar o desenho: desenvolvimento do grafismo infantil. São Paulo: Panda Educação, 2010. Adaptado.
Nesse contexto, o desenho, como linguagem que habita o espaço escolar,
O Manto Tupinambá, símbolo sagrado e elemento central da cultura do povo Tupinambá, foi repatriado ao Brasil em julho de 2024, após mais de 300 anos exposto no Museu da Dinamarca. Esse artefato, confeccionado com penas de guarás, papagaios, araras-azuis e amarelas, possui cerca de 1,20 metro de altura por 80 centímetros de largura. A presença de bens indígenas brasileiros em museus europeus expõe séculos de colonização e expropriação impostas às culturas indígenas.
É um desafio para todos os povos do Brasil, que tiveram seus bens levados sem qualquer consulta, consentimento prévio ou liberdade de opinar. Estamos hoje recebendo o Manto Tupinambá. Isso é motivo de alegria não somente para os povos que estão aqui, mas para todos os povos indígenas do Brasil. A repatriação é importante para o nosso país, a repatriação é uma reparação de dívidas com os povos indígenas, porque traz de volta a fortaleza, a intensidade, a cultura, pontuou a presidenta da Funai, Joenia Wapichana.
Disponível em: https://www.gov.br/funai/pt-br/assuntos/ noticias/2024/manto-tupinamba-governo-federal-celebra- -retorno-do-artefato-sagrado-ao-brasil-e-reafirma-direitos- -indigenas-como-uma-prioridade. Acesso em: 25 jan. 2026.
Nesse contexto e considerando-se o conceito de agência indígena, a arte dos povos indígenas
Os processos avaliativos para o ensino de artes visuais possuem estratégias específicas e conhecê-las é de grande relevância para o trabalho docente.
Dentre as estratégias avaliativas em artes, a avaliação autêntica é aquela que
Depois dos “ready-made” de Duchamp, a arte nunca mais voltou a ser a mesma. Com ele, o ato criativo foi reduzido a um nível espantosamente rudimentar: à decisão singular, intelectual e largamente aleatória de chamar “arte” a este ou aquele objeto ou atividade. Duchamp deu a entender que a arte podia existir fora dos veículos convencionais e “manuais” da pintura e da escultura, e para além das considerações de gosto; seu ponto de vista era que a arte se relacionava mais com as intenções do artista do que com qualquer coisa que ele fizesse com as próprias mãos ou sentisse a respeito de beleza.
SMITH, Roberta. Arte Conceitual. In: Conceitos da Arte Moderna: com 123 ilustrações. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1991. p. 2 - 3. Adaptado.
O trecho acima se refere ao seguinte movimento da segunda metade do século XX:
Durante mil anos da Era Cristã, formaram-se na bacia amazônica sociedades complexas — chefias ou cacicados. Essas culturas da floresta tropical eram cultivadoras de raízes, em especial de mandioca, além de dominarem técnicas decorativas diversas, a partir da produção em cerâmica.
Dentre as culturas ceramistas pré-cabralinas da região Amazônica está a
A chegada da corte portuguesa ao Brasil, em 1808, trouxe profundas transformações para o cenário artístico nacional. Em 1816, foi criada a Academia Real de Artes e Ofícios, precursora da Academia de Belas Artes, com o objetivo de modernizar culturalmente a nova sede do império português.
Considerando-se as relações étnico-raciais no contexto brasileiro, a criação da Academia Real de Artes e Ofícios
Os elementos visuais são manipulados com ênfase cambiável pelas técnicas de comunicação visual, numa resposta direta ao caráter do que está sendo concebido e ao objetivo da mensagem.
DONDIS, DonisA. Sintaxe da Linguagem Visual. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
Uma imagem pode ser analisada por diversos aspectos: formais, temáticos, contextuais e experienciais.
No âmbito de sua estrutura formal, uma composição visual pode ser analisada pelos seguintes elementos básicos da comunicação visual:
Em uma turma do 7o ano do ensino fundamental, ao propor uma atividade em sala de aula de análise de uma obra de arte, o professor percebeu a diversidade de interpretações que a obra despertou nos estudantes.
Com base nessa experiência de ensino de arte, é possível evocar o conceito de visualidades, que se relaciona aos conceitos de
A Base Nacional Comum Curricular afirma, de maneira explícita, o seu compromisso com a educação integral.
[...] a Educação Básica deve visar à formação e ao desenvolvimento humano global, o que implica compreender a complexidade e a não linearidade desse desenvolvimento, rompendo com visões reducionistas que privilegiam ou a dimensão intelectual (cognitiva) ou a dimensão afetiva. Significa, ainda, assumir uma visão plural, singular e integral da criança, do adolescente, do jovem e do adulto – considerando-os como sujeitos de aprendizagem – e promover uma educação voltada ao seu acolhimento, reconhecimento e desenvolvimento pleno, nas suas singularidades e diversidades. Além disso, a escola, como espaço de aprendizagem e de democracia inclusiva, deve se fortalecer na prática coercitiva de não discriminação, não preconceito e respeito às diferenças e diversidades.”
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular: Educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. Disponível em: https://www.gov.br/ mcti/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes-mcti/plano- -nacional-de-tecnologia-assistiva/pnta_-documento_web. pdf. Acesso em: 19 jan. 2026. Adaptado.
Nesse contexto, na Educação Básica, na perspectiva de uma prática pedagógica comprometida com a Educação Inclusiva, o processo avaliativo do estudante com necessidades educacionais específicas precisa sempre garantir a
Em seu artigo 27, a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Lei no 13.146/2015, considera que a educação constitui direito da pessoa com deficiência, assegurados sistema educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado ao longo da vida.
Nesse contexto, essa lei visa garantir que os estudantes com deficiência
Considere o trecho a seguir.
[...] a educação continua como um dos mais graves dilemas brasileiros. O Estado, corriqueiramente não age a contento para corrigir as distorções no acesso à educação, bem como permite a existência de uma estrutura de ensino muito desigual. Com isso, as dificuldades de acesso e permanência dos estudantes na rede de ensino se perpetuam historicamente.
MOURA, Alessandro de. Educação, Estado e classes sociais no Brasil: a sociologia da educação de Florestan Fernandes. In: Revista Fim do Mundo, nº 12, jul/dez, 2024.
Na perspectiva do autor, para a educação pública brasileira ser verdadeiramente um sistema inclusivo e democrático, é urgente garantir condições de
A educação profissional e tecnológica é a modalidade educacional que se integra aos diferentes níveis de educação e às dimensões do trabalho, da ciência e da tecnologia.
Quanto à educação profissional técnica de nível médio, oferecida na forma articulada, ela poderá ser desenvolvida de modo concomitante para quem
Na Lei no 8.069/1990, que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana. Todavia, os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) 2022 explicitam que
A taxa de analfabetismo para as pessoas com deficiência foi de 19,5%, enquanto para as pessoas sem deficiência foi de 4,1%. A taxa de analfabetismo deste grupo também reflete as desigualdades regionais, sendo a mais alta no Nordeste (31,2%) e a mais baixa no Sul (12,7%). [...] Enquanto apenas 25,6% das pessoas com deficiência tinham concluído pelo menos o Ensino Médio, mais da metade das pessoas sem deficiência (57,3%) tinham esse nível de instrução. Já a proporção de pessoas com nível superior foi de 7,0% para as pessoas com deficiência e 20,9% para os sem deficiência.
Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/ trabalho/17270-pnad-continua.html. Acesso em: 10 jan. 2026. Adaptado.
Os dados da PNAD Contínua 2022 demonstram a desigualdade social e educacional em todos os níveis da educação no Brasil. No entanto, o ECA é uma das referências legais na luta pela inclusão como direito humano, especialmente no que diz respeito ao direito à educação e às diretrizes de inclusão.
Nesse contexto, de modo a atender à obrigação de efetivar o direito à inclusão dos alunos com deficiência, é dever do Estado