Foram encontradas 2.242 questões

Resolva questões gratuitamente!

Junte-se a mais de 4 milhões de concurseiros!

Q3549082 Português
TEXTO I 

Amor de viajante


    O rio de águas claras corria lentamente e o sol já ia se escondendo atrás das montanhas. Cansada, eu buscava algo além da realidade. Coisas como estrelas que falam, rosas que choram... A fantasia era pra mim um desvio da realidade bruta. Diante daquele sol, dos ventos e homens em verdadeira harmonia, parei. Sentei na relva úmida. Sentia a natureza, meu mundo borbulhando em latência plena.

    Percebi que a uns metros de mim repousava um homem de aparência rude. Cabelos despenteados, barba por fazer e uma sacola com roupas como um pesado fardo. Sentado, com os joelhos junto ao peito, parecia se proteger da dor. A noite caía e ele permanecia ali, quase imóvel. Assobiava como se cantasse uma canção de adeus para alguém. Olhei-o pelas costas. Havia uma mistura de sentimentos fechados no peito. Me aproximei.

   "Triste?" Me atrevi a perguntar. "Não sei", respondeu-me com a voz mansa. Não falei nada. Sentei ao seu lado e fiquei admirando sua fisionomia austera e amável ao mesmo tempo. O vento soprava doсе.

    "Sabe, há muitos anos eu vivi nesse lugar..." Começou a me dizer.

    "Do lado esquerdo do rio havia uma palmeira. Já me banhei aqui quando menino".

    De repente parou de falar, como se eu não fosse digna de tais confissões. Mas suas confusões pareciam ser maiores que as desconfianças. Então, prosseguiu:

    "Foi numa tarde como essa que eu, cansado de andar, parei aqui para descansar. Desse mesmo lugar onde estou agora, vi uma menina. Estava de costas. E eu só pude ver aqueles longos cabelos negros que lhe caíam nas costas, como um manto. Depois disso, corri mundo. Naveguei os sete mares. Conheci mulheres deslumbrantes. Cheguei a lutar numa guerra, apesar de achá-la ridícula. Fiz o diabo nesse mundo de Deus. Mas nem todas as loucuras, nem todos os bordéis de beira de estrada, nem os vinhos que me embebedaram, me fizeram esquecê-la. Aquela menina sempre viveu nos lugares mais bonitos de minha memória. Se ela existiu realmente, não sei. Alucinação, talvez."

   A essa altura o viajante não externava angústia. Era como se contasse mais uma de suas aventuras. Falava como se buscasse, num fundo qualquer, um jeito adocicado de me contar sua vida.

   "Talvez ela tenha se transformado numa estrela, ou esteja à beira de um outro rio, despedaçando outros corações. Quem sabe, esteja despertando outros amores. Mas viverá em mim até o fim dos meus dias."

   E nessa mistura de amor, aventura, ilusão e doçura, levantou, se despediu e seguiu viagem. Sem perceber que a mulher que tanto procurava estava ali, a seu lado.


SOUZA, Maria de Lourdes. Dicionário de Lembranças. Río de Janeiro: Editora Contemporânea, 1998.
Assinale a opção em que o trecho sublinhado apresenta um adjunto adverbial.
Alternativas
Q3549080 Português
TEXTO I 

Amor de viajante


    O rio de águas claras corria lentamente e o sol já ia se escondendo atrás das montanhas. Cansada, eu buscava algo além da realidade. Coisas como estrelas que falam, rosas que choram... A fantasia era pra mim um desvio da realidade bruta. Diante daquele sol, dos ventos e homens em verdadeira harmonia, parei. Sentei na relva úmida. Sentia a natureza, meu mundo borbulhando em latência plena.

    Percebi que a uns metros de mim repousava um homem de aparência rude. Cabelos despenteados, barba por fazer e uma sacola com roupas como um pesado fardo. Sentado, com os joelhos junto ao peito, parecia se proteger da dor. A noite caía e ele permanecia ali, quase imóvel. Assobiava como se cantasse uma canção de adeus para alguém. Olhei-o pelas costas. Havia uma mistura de sentimentos fechados no peito. Me aproximei.

   "Triste?" Me atrevi a perguntar. "Não sei", respondeu-me com a voz mansa. Não falei nada. Sentei ao seu lado e fiquei admirando sua fisionomia austera e amável ao mesmo tempo. O vento soprava doсе.

    "Sabe, há muitos anos eu vivi nesse lugar..." Começou a me dizer.

    "Do lado esquerdo do rio havia uma palmeira. Já me banhei aqui quando menino".

    De repente parou de falar, como se eu não fosse digna de tais confissões. Mas suas confusões pareciam ser maiores que as desconfianças. Então, prosseguiu:

    "Foi numa tarde como essa que eu, cansado de andar, parei aqui para descansar. Desse mesmo lugar onde estou agora, vi uma menina. Estava de costas. E eu só pude ver aqueles longos cabelos negros que lhe caíam nas costas, como um manto. Depois disso, corri mundo. Naveguei os sete mares. Conheci mulheres deslumbrantes. Cheguei a lutar numa guerra, apesar de achá-la ridícula. Fiz o diabo nesse mundo de Deus. Mas nem todas as loucuras, nem todos os bordéis de beira de estrada, nem os vinhos que me embebedaram, me fizeram esquecê-la. Aquela menina sempre viveu nos lugares mais bonitos de minha memória. Se ela existiu realmente, não sei. Alucinação, talvez."

   A essa altura o viajante não externava angústia. Era como se contasse mais uma de suas aventuras. Falava como se buscasse, num fundo qualquer, um jeito adocicado de me contar sua vida.

   "Talvez ela tenha se transformado numa estrela, ou esteja à beira de um outro rio, despedaçando outros corações. Quem sabe, esteja despertando outros amores. Mas viverá em mim até o fim dos meus dias."

   E nessa mistura de amor, aventura, ilusão e doçura, levantou, se despediu e seguiu viagem. Sem perceber que a mulher que tanto procurava estava ali, a seu lado.


SOUZA, Maria de Lourdes. Dicionário de Lembranças. Río de Janeiro: Editora Contemporânea, 1998.
O título do texto 1, "Amor de viajante", tem várias possibilidades de interpretação relacionadas ao texto. O amor expresso no titulo só NÃO pode se referir:
Alternativas
Q3549075 Português
TEXTO I 

Amor de viajante


    O rio de águas claras corria lentamente e o sol já ia se escondendo atrás das montanhas. Cansada, eu buscava algo além da realidade. Coisas como estrelas que falam, rosas que choram... A fantasia era pra mim um desvio da realidade bruta. Diante daquele sol, dos ventos e homens em verdadeira harmonia, parei. Sentei na relva úmida. Sentia a natureza, meu mundo borbulhando em latência plena.

    Percebi que a uns metros de mim repousava um homem de aparência rude. Cabelos despenteados, barba por fazer e uma sacola com roupas como um pesado fardo. Sentado, com os joelhos junto ao peito, parecia se proteger da dor. A noite caía e ele permanecia ali, quase imóvel. Assobiava como se cantasse uma canção de adeus para alguém. Olhei-o pelas costas. Havia uma mistura de sentimentos fechados no peito. Me aproximei.

   "Triste?" Me atrevi a perguntar. "Não sei", respondeu-me com a voz mansa. Não falei nada. Sentei ao seu lado e fiquei admirando sua fisionomia austera e amável ao mesmo tempo. O vento soprava doсе.

    "Sabe, há muitos anos eu vivi nesse lugar..." Começou a me dizer.

    "Do lado esquerdo do rio havia uma palmeira. Já me banhei aqui quando menino".

    De repente parou de falar, como se eu não fosse digna de tais confissões. Mas suas confusões pareciam ser maiores que as desconfianças. Então, prosseguiu:

    "Foi numa tarde como essa que eu, cansado de andar, parei aqui para descansar. Desse mesmo lugar onde estou agora, vi uma menina. Estava de costas. E eu só pude ver aqueles longos cabelos negros que lhe caíam nas costas, como um manto. Depois disso, corri mundo. Naveguei os sete mares. Conheci mulheres deslumbrantes. Cheguei a lutar numa guerra, apesar de achá-la ridícula. Fiz o diabo nesse mundo de Deus. Mas nem todas as loucuras, nem todos os bordéis de beira de estrada, nem os vinhos que me embebedaram, me fizeram esquecê-la. Aquela menina sempre viveu nos lugares mais bonitos de minha memória. Se ela existiu realmente, não sei. Alucinação, talvez."

   A essa altura o viajante não externava angústia. Era como se contasse mais uma de suas aventuras. Falava como se buscasse, num fundo qualquer, um jeito adocicado de me contar sua vida.

   "Talvez ela tenha se transformado numa estrela, ou esteja à beira de um outro rio, despedaçando outros corações. Quem sabe, esteja despertando outros amores. Mas viverá em mim até o fim dos meus dias."

   E nessa mistura de amor, aventura, ilusão e doçura, levantou, se despediu e seguiu viagem. Sem perceber que a mulher que tanto procurava estava ali, a seu lado.


SOUZA, Maria de Lourdes. Dicionário de Lembranças. Río de Janeiro: Editora Contemporânea, 1998.
Sobre o lugar onde se passa a narrativa do texto l, ė possível inferir que é:
Alternativas
Q3549074 Português
TEXTO I 

Amor de viajante


    O rio de águas claras corria lentamente e o sol já ia se escondendo atrás das montanhas. Cansada, eu buscava algo além da realidade. Coisas como estrelas que falam, rosas que choram... A fantasia era pra mim um desvio da realidade bruta. Diante daquele sol, dos ventos e homens em verdadeira harmonia, parei. Sentei na relva úmida. Sentia a natureza, meu mundo borbulhando em latência plena.

    Percebi que a uns metros de mim repousava um homem de aparência rude. Cabelos despenteados, barba por fazer e uma sacola com roupas como um pesado fardo. Sentado, com os joelhos junto ao peito, parecia se proteger da dor. A noite caía e ele permanecia ali, quase imóvel. Assobiava como se cantasse uma canção de adeus para alguém. Olhei-o pelas costas. Havia uma mistura de sentimentos fechados no peito. Me aproximei.

   "Triste?" Me atrevi a perguntar. "Não sei", respondeu-me com a voz mansa. Não falei nada. Sentei ao seu lado e fiquei admirando sua fisionomia austera e amável ao mesmo tempo. O vento soprava doсе.

    "Sabe, há muitos anos eu vivi nesse lugar..." Começou a me dizer.

    "Do lado esquerdo do rio havia uma palmeira. Já me banhei aqui quando menino".

    De repente parou de falar, como se eu não fosse digna de tais confissões. Mas suas confusões pareciam ser maiores que as desconfianças. Então, prosseguiu:

    "Foi numa tarde como essa que eu, cansado de andar, parei aqui para descansar. Desse mesmo lugar onde estou agora, vi uma menina. Estava de costas. E eu só pude ver aqueles longos cabelos negros que lhe caíam nas costas, como um manto. Depois disso, corri mundo. Naveguei os sete mares. Conheci mulheres deslumbrantes. Cheguei a lutar numa guerra, apesar de achá-la ridícula. Fiz o diabo nesse mundo de Deus. Mas nem todas as loucuras, nem todos os bordéis de beira de estrada, nem os vinhos que me embebedaram, me fizeram esquecê-la. Aquela menina sempre viveu nos lugares mais bonitos de minha memória. Se ela existiu realmente, não sei. Alucinação, talvez."

   A essa altura o viajante não externava angústia. Era como se contasse mais uma de suas aventuras. Falava como se buscasse, num fundo qualquer, um jeito adocicado de me contar sua vida.

   "Talvez ela tenha se transformado numa estrela, ou esteja à beira de um outro rio, despedaçando outros corações. Quem sabe, esteja despertando outros amores. Mas viverá em mim até o fim dos meus dias."

   E nessa mistura de amor, aventura, ilusão e doçura, levantou, se despediu e seguiu viagem. Sem perceber que a mulher que tanto procurava estava ali, a seu lado.


SOUZA, Maria de Lourdes. Dicionário de Lembranças. Río de Janeiro: Editora Contemporânea, 1998.
O termo sublinhado no trecho a seguir foi escrito corretamente: "o sol já ia se escondendo atrás das montanhas". Qual alternativa também está correta?
Alternativas
Q3549064 Legislação Federal
De acordo com o Regulamento Disciplinar para a Marinha, o recurso deve ser remetido à autoridade a quem dirigido, dentro do prazo de:
Alternativas
Q3549059 Direito Constitucional
De acordo com a Constituição Federal de 1988, assinale a opção correta no que se refere à obrigatoriedade do serviço militar.
Alternativas
Q3549056 Legislação Federal
De acordo com o Manual de Liderança da Marinha (DEnsM-1005), assinale a opção que se refere à seguinte definição: "É a designação atribuída a alguém para o cumprimento de determinadas tarefas, conferindo-lhe, em consequência, a autoridade necessária para a tomada dasdecisões afetas às citadas tarefas".
Alternativas
Q3549054 Legislação Federal
De acordo com o Manual de Liderança da Marinha (DEnsM-1005), assinale a opção que apresenta a virtude de um líder que está relacionada à seguinte definição: "É o ânimo pronto para conceber e executar. É uma manifestação de inteligência, imaginação, atividade, saber e dedicação ao serviço".
Alternativas
Q3549053 Legislação Federal
e acordo com a Ordenança Geral para o Serviço da Armada, assinale a opção correta no que se refere ao Comandante da Organização Militar (OM).
Alternativas
Q3549048 Português
TEXTO I 

Amor de viajante


    O rio de águas claras corria lentamente e o sol já ia se escondendo atrás das montanhas. Cansada, eu buscava algo além da realidade. Coisas como estrelas que falam, rosas que choram... A fantasia era pra mim um desvio da realidade bruta. Diante daquele sol, dos ventos e homens em verdadeira harmonia, parei. Sentei na relva úmida. Sentia a natureza, meu mundo borbulhando em latência plena.

    Percebi que a uns metros de mim repousava um homem de aparência rude. Cabelos despenteados, barba por fazer e uma sacola com roupas como um pesado fardo. Sentado, com os joelhos junto ao peito, parecia se proteger da dor. A noite caía e ele permanecia ali, quase imóvel. Assobiava como se cantasse uma canção de adeus para alguém. Olhei-o pelas costas. Havia uma mistura de sentimentos fechados no peito. Me aproximei.

   "Triste?" Me atrevi a perguntar. "Não sei", respondeu-me com a voz mansa. Não falei nada. Sentei ao seu lado e fiquei admirando sua fisionomia austera e amável ao mesmo tempo. O vento soprava doсе.

    "Sabe, há muitos anos eu vivi nesse lugar..." Começou a me dizer.

    "Do lado esquerdo do rio havia uma palmeira. Já me banhei aqui quando menino".

    De repente parou de falar, como se eu não fosse digna de tais confissões. Mas suas confusões pareciam ser maiores que as desconfianças. Então, prosseguiu:

    "Foi numa tarde como essa que eu, cansado de andar, parei aqui para descansar. Desse mesmo lugar onde estou agora, vi uma menina. Estava de costas. E eu só pude ver aqueles longos cabelos negros que lhe caíam nas costas, como um manto. Depois disso, corri mundo. Naveguei os sete mares. Conheci mulheres deslumbrantes. Cheguei a lutar numa guerra, apesar de achá-la ridícula. Fiz o diabo nesse mundo de Deus. Mas nem todas as loucuras, nem todos os bordéis de beira de estrada, nem os vinhos que me embebedaram, me fizeram esquecê-la. Aquela menina sempre viveu nos lugares mais bonitos de minha memória. Se ela existiu realmente, não sei. Alucinação, talvez."

   A essa altura o viajante não externava angústia. Era como se contasse mais uma de suas aventuras. Falava como se buscasse, num fundo qualquer, um jeito adocicado de me contar sua vida.

   "Talvez ela tenha se transformado numa estrela, ou esteja à beira de um outro rio, despedaçando outros corações. Quem sabe, esteja despertando outros amores. Mas viverá em mim até o fim dos meus dias."

   E nessa mistura de amor, aventura, ilusão e doçura, levantou, se despediu e seguiu viagem. Sem perceber que a mulher que tanto procurava estava ali, a seu lado.


SOUZA, Maria de Lourdes. Dicionário de Lembranças. Río de Janeiro: Editora Contemporânea, 1998.


TEXTO II 



Aprazível Reminiscência



Que saudade me aperta


Do lugar onde nasci.


Uma nostalgia desperta


Do paraiso onde vivi.


Lá, tudo me encantava,


Das matas aos animais.


De longe se avistava


A beleza dos florais.


Para as águas do açude


Sempre olhava eu atento.


Numa completa quietude,


Aquilo era o meu acalento.


Numa manhã fria e bela


O chocalho das vacas ressoava.


Uma mulher no canto da janela


A vida dos outros trinchava.


Ouvindo aquilo eu ria,


Minha mãe me reclamava.


O sorriso no rosto mantinha


Pela situação que se passava.


O dia era de chuva,


O pingo na telha batia.


Ligeiro a água avançava,


Na ponta do córrego surgia.


Saudades não mais terei.


Eu amo aquele lugar.


Um dia lá voltarei


Para ele poder admirar.


Debaixo das sombras deitar-me-ei


Do peito, a saudade se arranca.


Incansavelmente esperarei


O canto esplendoroso da asa branca.



SILVA, Lucas Rosa da. In: OLIVEIRA, Katia Aparecida da Silva. (Org.). Lembranças - poemas. Minas Gerais: Editora Universidade Federal de Alfenas, 2022. p.48. Adaptado.



TEXTO III



SCHULZ, Charles. Disponível em: <https://deposito-detirinhas.tumblr.com/post/87505672722/por-charles-schulzwwwpeanutscom>. Acesso em 17/10/2023.

Analise as afirmativas abaixo quanto à relação entre os textos I, II e III.

I- Todos os textos relacionam-se na medida em que abordam o tema das memórias.
II- Os textos I e Ill distanciam-se por tratarem de desencontro amoroso.
III- Os textos I e II tratam mais especificamente de lembranças do lugar onde se viveu.
IV- Todos os textos versam sobre o tema da saudade.

Assinale a opção correta.
Alternativas
Q3549046 Português

TEXTO III



SCHULZ, Charles. Disponível em: <https://deposito-detirinhas.tumblr.com/post/87505672722/por-charles-schulzwwwpeanutscom>. Acesso em 17/10/2023.

Em "Pensei que pudesse me esquecer dela comendo, mas não consigo...", a palavra destacada pode ser substituída, sem alteração de sentido da fala e mantendo-se a estrutura da frase, por: 
Alternativas
Q3549037 Português
TEXTO I 

Amor de viajante


    O rio de águas claras corria lentamente e o sol já ia se escondendo atrás das montanhas. Cansada, eu buscava algo além da realidade. Coisas como estrelas que falam, rosas que choram... A fantasia era pra mim um desvio da realidade bruta. Diante daquele sol, dos ventos e homens em verdadeira harmonia, parei. Sentei na relva úmida. Sentia a natureza, meu mundo borbulhando em latência plena.

    Percebi que a uns metros de mim repousava um homem de aparência rude. Cabelos despenteados, barba por fazer e uma sacola com roupas como um pesado fardo. Sentado, com os joelhos junto ao peito, parecia se proteger da dor. A noite caía e ele permanecia ali, quase imóvel. Assobiava como se cantasse uma canção de adeus para alguém. Olhei-o pelas costas. Havia uma mistura de sentimentos fechados no peito. Me aproximei.

   "Triste?" Me atrevi a perguntar. "Não sei", respondeu-me com a voz mansa. Não falei nada. Sentei ao seu lado e fiquei admirando sua fisionomia austera e amável ao mesmo tempo. O vento soprava doсе.

    "Sabe, há muitos anos eu vivi nesse lugar..." Começou a me dizer.

    "Do lado esquerdo do rio havia uma palmeira. Já me banhei aqui quando menino".

    De repente parou de falar, como se eu não fosse digna de tais confissões. Mas suas confusões pareciam ser maiores que as desconfianças. Então, prosseguiu:

    "Foi numa tarde como essa que eu, cansado de andar, parei aqui para descansar. Desse mesmo lugar onde estou agora, vi uma menina. Estava de costas. E eu só pude ver aqueles longos cabelos negros que lhe caíam nas costas, como um manto. Depois disso, corri mundo. Naveguei os sete mares. Conheci mulheres deslumbrantes. Cheguei a lutar numa guerra, apesar de achá-la ridícula. Fiz o diabo nesse mundo de Deus. Mas nem todas as loucuras, nem todos os bordéis de beira de estrada, nem os vinhos que me embebedaram, me fizeram esquecê-la. Aquela menina sempre viveu nos lugares mais bonitos de minha memória. Se ela existiu realmente, não sei. Alucinação, talvez."

   A essa altura o viajante não externava angústia. Era como se contasse mais uma de suas aventuras. Falava como se buscasse, num fundo qualquer, um jeito adocicado de me contar sua vida.

   "Talvez ela tenha se transformado numa estrela, ou esteja à beira de um outro rio, despedaçando outros corações. Quem sabe, esteja despertando outros amores. Mas viverá em mim até o fim dos meus dias."

   E nessa mistura de amor, aventura, ilusão e doçura, levantou, se despediu e seguiu viagem. Sem perceber que a mulher que tanto procurava estava ali, a seu lado.


SOUZA, Maria de Lourdes. Dicionário de Lembranças. Río de Janeiro: Editora Contemporânea, 1998.
Assinale a opção em que o verbo é intransitivo.
Alternativas
Q3549036 Português
TEXTO I 

Amor de viajante


    O rio de águas claras corria lentamente e o sol já ia se escondendo atrás das montanhas. Cansada, eu buscava algo além da realidade. Coisas como estrelas que falam, rosas que choram... A fantasia era pra mim um desvio da realidade bruta. Diante daquele sol, dos ventos e homens em verdadeira harmonia, parei. Sentei na relva úmida. Sentia a natureza, meu mundo borbulhando em latência plena.

    Percebi que a uns metros de mim repousava um homem de aparência rude. Cabelos despenteados, barba por fazer e uma sacola com roupas como um pesado fardo. Sentado, com os joelhos junto ao peito, parecia se proteger da dor. A noite caía e ele permanecia ali, quase imóvel. Assobiava como se cantasse uma canção de adeus para alguém. Olhei-o pelas costas. Havia uma mistura de sentimentos fechados no peito. Me aproximei.

   "Triste?" Me atrevi a perguntar. "Não sei", respondeu-me com a voz mansa. Não falei nada. Sentei ao seu lado e fiquei admirando sua fisionomia austera e amável ao mesmo tempo. O vento soprava doсе.

    "Sabe, há muitos anos eu vivi nesse lugar..." Começou a me dizer.

    "Do lado esquerdo do rio havia uma palmeira. Já me banhei aqui quando menino".

    De repente parou de falar, como se eu não fosse digna de tais confissões. Mas suas confusões pareciam ser maiores que as desconfianças. Então, prosseguiu:

    "Foi numa tarde como essa que eu, cansado de andar, parei aqui para descansar. Desse mesmo lugar onde estou agora, vi uma menina. Estava de costas. E eu só pude ver aqueles longos cabelos negros que lhe caíam nas costas, como um manto. Depois disso, corri mundo. Naveguei os sete mares. Conheci mulheres deslumbrantes. Cheguei a lutar numa guerra, apesar de achá-la ridícula. Fiz o diabo nesse mundo de Deus. Mas nem todas as loucuras, nem todos os bordéis de beira de estrada, nem os vinhos que me embebedaram, me fizeram esquecê-la. Aquela menina sempre viveu nos lugares mais bonitos de minha memória. Se ela existiu realmente, não sei. Alucinação, talvez."

   A essa altura o viajante não externava angústia. Era como se contasse mais uma de suas aventuras. Falava como se buscasse, num fundo qualquer, um jeito adocicado de me contar sua vida.

   "Talvez ela tenha se transformado numa estrela, ou esteja à beira de um outro rio, despedaçando outros corações. Quem sabe, esteja despertando outros amores. Mas viverá em mim até o fim dos meus dias."

   E nessa mistura de amor, aventura, ilusão e doçura, levantou, se despediu e seguiu viagem. Sem perceber que a mulher que tanto procurava estava ali, a seu lado.


SOUZA, Maria de Lourdes. Dicionário de Lembranças. Río de Janeiro: Editora Contemporânea, 1998.
Assinale a opção que apresenta um encontro consonantal e um dígrafo, respectivamente.
Alternativas
Q3549033 Português
TEXTO I 

Amor de viajante


    O rio de águas claras corria lentamente e o sol já ia se escondendo atrás das montanhas. Cansada, eu buscava algo além da realidade. Coisas como estrelas que falam, rosas que choram... A fantasia era pra mim um desvio da realidade bruta. Diante daquele sol, dos ventos e homens em verdadeira harmonia, parei. Sentei na relva úmida. Sentia a natureza, meu mundo borbulhando em latência plena.

    Percebi que a uns metros de mim repousava um homem de aparência rude. Cabelos despenteados, barba por fazer e uma sacola com roupas como um pesado fardo. Sentado, com os joelhos junto ao peito, parecia se proteger da dor. A noite caía e ele permanecia ali, quase imóvel. Assobiava como se cantasse uma canção de adeus para alguém. Olhei-o pelas costas. Havia uma mistura de sentimentos fechados no peito. Me aproximei.

   "Triste?" Me atrevi a perguntar. "Não sei", respondeu-me com a voz mansa. Não falei nada. Sentei ao seu lado e fiquei admirando sua fisionomia austera e amável ao mesmo tempo. O vento soprava doсе.

    "Sabe, há muitos anos eu vivi nesse lugar..." Começou a me dizer.

    "Do lado esquerdo do rio havia uma palmeira. Já me banhei aqui quando menino".

    De repente parou de falar, como se eu não fosse digna de tais confissões. Mas suas confusões pareciam ser maiores que as desconfianças. Então, prosseguiu:

    "Foi numa tarde como essa que eu, cansado de andar, parei aqui para descansar. Desse mesmo lugar onde estou agora, vi uma menina. Estava de costas. E eu só pude ver aqueles longos cabelos negros que lhe caíam nas costas, como um manto. Depois disso, corri mundo. Naveguei os sete mares. Conheci mulheres deslumbrantes. Cheguei a lutar numa guerra, apesar de achá-la ridícula. Fiz o diabo nesse mundo de Deus. Mas nem todas as loucuras, nem todos os bordéis de beira de estrada, nem os vinhos que me embebedaram, me fizeram esquecê-la. Aquela menina sempre viveu nos lugares mais bonitos de minha memória. Se ela existiu realmente, não sei. Alucinação, talvez."

   A essa altura o viajante não externava angústia. Era como se contasse mais uma de suas aventuras. Falava como se buscasse, num fundo qualquer, um jeito adocicado de me contar sua vida.

   "Talvez ela tenha se transformado numa estrela, ou esteja à beira de um outro rio, despedaçando outros corações. Quem sabe, esteja despertando outros amores. Mas viverá em mim até o fim dos meus dias."

   E nessa mistura de amor, aventura, ilusão e doçura, levantou, se despediu e seguiu viagem. Sem perceber que a mulher que tanto procurava estava ali, a seu lado.


SOUZA, Maria de Lourdes. Dicionário de Lembranças. Río de Janeiro: Editora Contemporânea, 1998.
O texto I, "Amor de viajante", conta a história de:
Alternativas
Q3549032 Português
TEXTO I 

Amor de viajante


    O rio de águas claras corria lentamente e o sol já ia se escondendo atrás das montanhas. Cansada, eu buscava algo além da realidade. Coisas como estrelas que falam, rosas que choram... A fantasia era pra mim um desvio da realidade bruta. Diante daquele sol, dos ventos e homens em verdadeira harmonia, parei. Sentei na relva úmida. Sentia a natureza, meu mundo borbulhando em latência plena.

    Percebi que a uns metros de mim repousava um homem de aparência rude. Cabelos despenteados, barba por fazer e uma sacola com roupas como um pesado fardo. Sentado, com os joelhos junto ao peito, parecia se proteger da dor. A noite caía e ele permanecia ali, quase imóvel. Assobiava como se cantasse uma canção de adeus para alguém. Olhei-o pelas costas. Havia uma mistura de sentimentos fechados no peito. Me aproximei.

   "Triste?" Me atrevi a perguntar. "Não sei", respondeu-me com a voz mansa. Não falei nada. Sentei ao seu lado e fiquei admirando sua fisionomia austera e amável ao mesmo tempo. O vento soprava doсе.

    "Sabe, há muitos anos eu vivi nesse lugar..." Começou a me dizer.

    "Do lado esquerdo do rio havia uma palmeira. Já me banhei aqui quando menino".

    De repente parou de falar, como se eu não fosse digna de tais confissões. Mas suas confusões pareciam ser maiores que as desconfianças. Então, prosseguiu:

    "Foi numa tarde como essa que eu, cansado de andar, parei aqui para descansar. Desse mesmo lugar onde estou agora, vi uma menina. Estava de costas. E eu só pude ver aqueles longos cabelos negros que lhe caíam nas costas, como um manto. Depois disso, corri mundo. Naveguei os sete mares. Conheci mulheres deslumbrantes. Cheguei a lutar numa guerra, apesar de achá-la ridícula. Fiz o diabo nesse mundo de Deus. Mas nem todas as loucuras, nem todos os bordéis de beira de estrada, nem os vinhos que me embebedaram, me fizeram esquecê-la. Aquela menina sempre viveu nos lugares mais bonitos de minha memória. Se ela existiu realmente, não sei. Alucinação, talvez."

   A essa altura o viajante não externava angústia. Era como se contasse mais uma de suas aventuras. Falava como se buscasse, num fundo qualquer, um jeito adocicado de me contar sua vida.

   "Talvez ela tenha se transformado numa estrela, ou esteja à beira de um outro rio, despedaçando outros corações. Quem sabe, esteja despertando outros amores. Mas viverá em mim até o fim dos meus dias."

   E nessa mistura de amor, aventura, ilusão e doçura, levantou, se despediu e seguiu viagem. Sem perceber que a mulher que tanto procurava estava ali, a seu lado.


SOUZA, Maria de Lourdes. Dicionário de Lembranças. Río de Janeiro: Editora Contemporânea, 1998.
Qual opção apresenta uma palavra formada por um processo diferente das demais?
Alternativas
Q3549026 Português
TEXTO I 

Amor de viajante


    O rio de águas claras corria lentamente e o sol já ia se escondendo atrás das montanhas. Cansada, eu buscava algo além da realidade. Coisas como estrelas que falam, rosas que choram... A fantasia era pra mim um desvio da realidade bruta. Diante daquele sol, dos ventos e homens em verdadeira harmonia, parei. Sentei na relva úmida. Sentia a natureza, meu mundo borbulhando em latência plena.

    Percebi que a uns metros de mim repousava um homem de aparência rude. Cabelos despenteados, barba por fazer e uma sacola com roupas como um pesado fardo. Sentado, com os joelhos junto ao peito, parecia se proteger da dor. A noite caía e ele permanecia ali, quase imóvel. Assobiava como se cantasse uma canção de adeus para alguém. Olhei-o pelas costas. Havia uma mistura de sentimentos fechados no peito. Me aproximei.

   "Triste?" Me atrevi a perguntar. "Não sei", respondeu-me com a voz mansa. Não falei nada. Sentei ao seu lado e fiquei admirando sua fisionomia austera e amável ao mesmo tempo. O vento soprava doсе.

    "Sabe, há muitos anos eu vivi nesse lugar..." Começou a me dizer.

    "Do lado esquerdo do rio havia uma palmeira. Já me banhei aqui quando menino".

    De repente parou de falar, como se eu não fosse digna de tais confissões. Mas suas confusões pareciam ser maiores que as desconfianças. Então, prosseguiu:

    "Foi numa tarde como essa que eu, cansado de andar, parei aqui para descansar. Desse mesmo lugar onde estou agora, vi uma menina. Estava de costas. E eu só pude ver aqueles longos cabelos negros que lhe caíam nas costas, como um manto. Depois disso, corri mundo. Naveguei os sete mares. Conheci mulheres deslumbrantes. Cheguei a lutar numa guerra, apesar de achá-la ridícula. Fiz o diabo nesse mundo de Deus. Mas nem todas as loucuras, nem todos os bordéis de beira de estrada, nem os vinhos que me embebedaram, me fizeram esquecê-la. Aquela menina sempre viveu nos lugares mais bonitos de minha memória. Se ela existiu realmente, não sei. Alucinação, talvez."

   A essa altura o viajante não externava angústia. Era como se contasse mais uma de suas aventuras. Falava como se buscasse, num fundo qualquer, um jeito adocicado de me contar sua vida.

   "Talvez ela tenha se transformado numa estrela, ou esteja à beira de um outro rio, despedaçando outros corações. Quem sabe, esteja despertando outros amores. Mas viverá em mim até o fim dos meus dias."

   E nessa mistura de amor, aventura, ilusão e doçura, levantou, se despediu e seguiu viagem. Sem perceber que a mulher que tanto procurava estava ali, a seu lado.


SOUZA, Maria de Lourdes. Dicionário de Lembranças. Río de Janeiro: Editora Contemporânea, 1998.
Assinale a opção em que a classe do termo sublinhado difere das demais.
Alternativas
Q3549025 Português
TEXTO I 

Amor de viajante


    O rio de águas claras corria lentamente e o sol já ia se escondendo atrás das montanhas. Cansada, eu buscava algo além da realidade. Coisas como estrelas que falam, rosas que choram... A fantasia era pra mim um desvio da realidade bruta. Diante daquele sol, dos ventos e homens em verdadeira harmonia, parei. Sentei na relva úmida. Sentia a natureza, meu mundo borbulhando em latência plena.

    Percebi que a uns metros de mim repousava um homem de aparência rude. Cabelos despenteados, barba por fazer e uma sacola com roupas como um pesado fardo. Sentado, com os joelhos junto ao peito, parecia se proteger da dor. A noite caía e ele permanecia ali, quase imóvel. Assobiava como se cantasse uma canção de adeus para alguém. Olhei-o pelas costas. Havia uma mistura de sentimentos fechados no peito. Me aproximei.

   "Triste?" Me atrevi a perguntar. "Não sei", respondeu-me com a voz mansa. Não falei nada. Sentei ao seu lado e fiquei admirando sua fisionomia austera e amável ao mesmo tempo. O vento soprava doсе.

    "Sabe, há muitos anos eu vivi nesse lugar..." Começou a me dizer.

    "Do lado esquerdo do rio havia uma palmeira. Já me banhei aqui quando menino".

    De repente parou de falar, como se eu não fosse digna de tais confissões. Mas suas confusões pareciam ser maiores que as desconfianças. Então, prosseguiu:

    "Foi numa tarde como essa que eu, cansado de andar, parei aqui para descansar. Desse mesmo lugar onde estou agora, vi uma menina. Estava de costas. E eu só pude ver aqueles longos cabelos negros que lhe caíam nas costas, como um manto. Depois disso, corri mundo. Naveguei os sete mares. Conheci mulheres deslumbrantes. Cheguei a lutar numa guerra, apesar de achá-la ridícula. Fiz o diabo nesse mundo de Deus. Mas nem todas as loucuras, nem todos os bordéis de beira de estrada, nem os vinhos que me embebedaram, me fizeram esquecê-la. Aquela menina sempre viveu nos lugares mais bonitos de minha memória. Se ela existiu realmente, não sei. Alucinação, talvez."

   A essa altura o viajante não externava angústia. Era como se contasse mais uma de suas aventuras. Falava como se buscasse, num fundo qualquer, um jeito adocicado de me contar sua vida.

   "Talvez ela tenha se transformado numa estrela, ou esteja à beira de um outro rio, despedaçando outros corações. Quem sabe, esteja despertando outros amores. Mas viverá em mim até o fim dos meus dias."

   E nessa mistura de amor, aventura, ilusão e doçura, levantou, se despediu e seguiu viagem. Sem perceber que a mulher que tanto procurava estava ali, a seu lado.


SOUZA, Maria de Lourdes. Dicionário de Lembranças. Río de Janeiro: Editora Contemporânea, 1998.
Sobre o uso dos pronomes no 7° parágrafo do texto I, analise as afirmativas abaixо.

I- "E eu só pude ver aqueles longos cabelos negros que Ihe caíam nas costas (...)"- "Ihe" pode ser substituído por "dela", sem alteração de significado.
II- "(...) me fizeram esquecê-la" - "la" retoma "uma menina".
III- "Cheguei a lutar numa guerra, apesar de achá-la ridícula." - "la" pode ser substituído por "ela", respeitando a norma culta da língua.

Assinale a opção correta.

Alternativas
Q3548665 Legislação Federal
De acordo com a Ordenança Geral para o Serviço da Armada (OGSA), como se denomina "o ato administrativo que complementa o Regulamento, ordenando seu detalhamento e permitindo que, em âmbito interno, sejam disciplinadas todas as atividades rotineiras da ОМ"?
Alternativas
Q3548660 Legislação Federal
De acordo com o Manual de Liderança (DEnsM-1005), no estudo da liderança, quatro componentes coexistem e interagem; são eles:
Alternativas
Q3548633 Português

OS PRIVILEGIADOS DA TERRA


    O fragmento de satélite artificial - só podia ser de satélite - caído sobre o povoado transformou de repente a vida dos moradores, que não chegavam a trezentos.


    Repórteres e cinegrafistas cobriram o fato com o maior relevo. Não houve ninguém que deixasse de dar entrevista: mesmo as crianças.


    O fiscal do governo apareceu para recolher o pedaço de coisa inédita, mas foi obstado pelo juiz de paz, que declarou aquilo um bem da comunidade. A população rendeu guarda ao objeto, e jurou defender sua posse até o último sopro de vida.


    A força policial enviada para manter a ordem aderiu aos moradores, pois seu comandante era filho do lugar. Acorreram turistas, pessoas dormiam na rua por falta de acomodação, surgiram batedores de carteira, que foram castigados, e começou a correr o boato de que aquele corpo metálico tinha propriedades mágicas.


    Quem chegava perto dele seria fulminado se fosse mau-caráter; conquistava a eterna juventude, se fosse limpo de coração; e certa ardência que se evolava da superfície convidava ao amor.


   Não se desprendeu de satélite, diziam uns; veio diretamente do céu, emanado de uma estrela, alvitravam outros. De qualquer modo, era dádiva especial para lugarejo, pois ao tombar não ferira ninguém, não partira uma telha, nem se assustaram os animais domésticos com a sua vinda insólita.


   Tudo acabou com o misterioso desaparecimento da coisa. Seus guardas foram tomados de letargia, e ao recobrarem a consciência viram-se despojados do grande bem. Mas tinham assimilado esse bem, e passaram a viver de uma alegria inefável, que ninguém poderia roubar-Ihes. Eram os privilegiados da Terra.


Carlos Drummond de Andrade. In: Contos Plausíveis.

Disponível em:<<https://www.companhiadasletras.com.br/trechos/13274.pdf

>>. Acesso em 9/10/2023.

Leia o trecho abaixo.

"Quem chegasse perto dele seria fulminadò se fosse mau-caráter [...]." (5°§)

Assim como no vocábulo destacado no trecho acima, também está correta a grafia, com hífen, da palavra:
Alternativas
Respostas
541: A
542: B
543: E
544: A
545: C
546: E
547: C
548: A
549: E
550: D
551: A
552: D
553: C
554: A
555: C
556: E
557: D
558: C
559: E
560: C