Para Bakhtin, linguista russo, a linguagem é, por natureza, ...

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Q3503579 Português
LER OU NÃO LER, EIS A QUESTÃO


        Não existe estudo científico que comprove, mas há uma percepção disseminada sobre a geração atual: ela não gosta de ler. A constatação parte dos professores. Eles reclamam de que só com muito esforço conseguem obrigar seus alunos a ler os clássicos da literatura. Um dos argumentos mais utilizados é recorrer à ameaça do vestibular. Os pais endossam a percepção de repulsa dos jovens pelos livros. Reclamam frequentemente que os filhos padecem de falta de concentração e, por isso, não são capazes de ler as obras básicas para entender a matéria.
        Por que isso acontece? O que faz com que uma geração leia e outra fuja dos livros? Há diversas explicações, mas todas acabam convergindo para um mesmo ponto.
      Quando as pessoas recebem a informação mastigada – na televisão, nos gibis, na internet –, acabam tendo preguiça de ler, um ato que exige esforço e reflexão. Os canais pelos quais o jovem se informa nos dias de hoje são múltiplos. O livro é apenas um deles. E é o mais trabalhoso. Diante desse quadro, os educadores são unânimes num ponto: as armas de estímulo à leitura precisam ser modernizadas.


(Vivian Whiteman, Veja Jovens setembro, 2001, p. 52-3)
Para Bakhtin, linguista russo, a linguagem é, por natureza, dialógica. Dessa forma, a intertextualidade usada pela articulista Vivian Whiteman, ao dialogar com o trecho a seguir de Hamlet, de William Shakespeare, configura uma intertextualidade, especialmente, por 

“Estar ou não estar, ser ou não ser, eis a questão: haverá mais nobreza de espírito em sofrer os lances e as lanças do infortúnio ou enfrentar um mar de distúrbios e, armando-se, dar-lhes fim?”

Hamlet, Ato 3, Cena 1.
Alternativas

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Tema central da questão:

Esta questão aborda a intertextualidade, fenômeno textual pelo qual um texto dialoga com outro, estabelecendo relações de sentido. Especificamente, exige o conhecimento do conceito de paródia, previsto tanto em gramáticas como nas discussões de Bakhtin sobre o caráter dialógico da linguagem.

Justificativa para a alternativa correta (C - Paródia):

Paródia consiste na imitação de um texto de referência com a alteração de seu sentido, frequentemente de modo criativo, crítico ou irônico. No caso do texto citado, o título "LER OU NÃO LER, EIS A QUESTÃO" retoma estruturalmente a frase icônica de Hamlet (“Ser ou não ser, eis a questão”), mas a subverte, atribuindo-lhe novo significado relacionado ao hábito da leitura. Segundo Rocha Lima e Bakhtin, este é o exemplo clássico de paródia: reproduz-se a forma, mas modifica-se o conteúdo para criar efeito humorístico ou reflexivo.

Análise das alternativas incorretas:

A) Bricolagem: É a construção textual a partir de fragmentos de diversas fontes, geralmente sem intenção de subverter ou criticar o sentido original. Não há, no título, montagem de trechos distintos, mas a recriação de uma estrutura.

B) Citação: Consiste em reproduzir fielmente um trecho de outro texto, geralmente entre aspas e com indicação de autoria. Aqui, há transformação, não reprodução literal.

D) Epígrafe: Epígrafe é uma citação posta no início de um texto para introduzir ou sugerir o tema — e deve ser mantida sem alterações. O título não é uma epígrafe, pois não transcreve o original.

E) Pastiche: Trata-se da imitação do estilo de outro texto, porém sem tom crítico ou de humor, portanto, diferente da intenção criativa e crítica da paródia.

Elementos de interpretação:

Note como a chave para a resposta está na alteração do sentido original, sem perder a referência direta ao texto-fonte. Estratégia importante para outras questões: atente a palavras e estruturas que ecoam obras célebres, mas que ganham nova função ou significado — isso quase sempre indica paródia.

Resumo: Pela norma-padrão e segundo autores clássicos (Bechara, Rocha Lima), paródia é a correta: imitação com subversão de sentido.

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Comentários

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Alternativa correta : C paródia

Citação : Reprodução literal das palavras de outro autor, geralmente com aspas e referência.

Paródia : Uso da forma reconhecível de um texto, mas com novo conteúdo, podendo ter crítica, humor ou adaptação.

GAB: C

Epígrafe:

O termo “epígrafe” vem do grego (epigraphé), que significa “escrita na posição superior”. Ela é muito utilizada em artigos, resenhas, monografias, e surge acima do texto, indicado por uma frase semelhante ao conteúdo que será desenvolvido.

Exemplo de epígrafe utilizada num artigo sobre educação:

“Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo.” (Paulo Freire, “Pedagogia do Oprimido”)

Paródia:

O termo “paródia” vem do grego (parodès) e significa “um canto (poesia) semelhante a outro”. Trata-se de uma imitação burlesca muito utilizada nos textos humorísticos, onde o sentido é levemente alterado, geralmente pelo tom crítico e o uso da ironia.

Exemplo de paródia:

TEXTO PARODIADO

"Minha terra tem macieiras da Califórnia

onde cantam gaturamos de Veneza. (...)

Eu morro sufocado em terra estrangeira.

Nossas flores são mais bonitas

nossas frutas são mais gostosas

mas custam cem mil réis a dúzia." (Canção do Exílio, de Murilo Mendes)

Paráfrase:

O termo “paráfrase” vem do grego (paraphrasis) e significa a “reprodução de uma sentença”. Ela faz referência um texto, reproduzindo outro sem que a ideia original seja alterada.

TEXTO PARAFRASEADO

"Do que a terra mais garrida,

Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;

Nossos bosques têm mais vida,

Nossa vida no teu seio mais amores." (Hino Nacional)

Pastiche:

Diferente da paródia, o pastiche artístico e literário trata-se da imitação de um estilo ou gênero e, normalmente, não apresenta um teor crítico ou satírico. O termo “pastiche” é derivado do latim (pasticium), que significa “feito de massa ou amálgama de elementos compostos”, uma vez que produz um texto novo, oriundo de vários outros.

Exemplo de Pastiche:

TEXTO COM PASTICHE

“Compadre Quemnheném é que sabia, sabença geral e nunca conferida, por quem? Desculpe o arroto, mas tou de arofagia, que o doutor não cuidou no devido. Mágua Loura era a virge mais pulcra das Gerais. Como a Santa Mãe de Deus, Senhora dos Rosários, rogai por nós! (...)” (Carlos Heitor Cony, Folha de S. Paulo, 11/09/1998)

Bricolagem:

Ocorre por meio da “colagem” de diversos textos, ou seja, um texto é constituído a partir de fragmentos de outros. É um tipo de intertextualidade muito utilizado na música e na pintura.

Exemplo de bricolagem:

TEXTO COM BRICOLAGEM

"É só o amor! É só o amor

Que conhece o que é verdade

O amor é bom, não quer o mal

Não sente inveja ou se envaidece

O amor é o fogo que arde sem se ver

É ferida que dói e não se sente

É um contentamento descontente

É dor que desatina sem doer" (trecho da música Monte Castelo, da banda Legião Urbana)

1. Bricolagem:

  • O que é:
  • A bricolagem consiste na construção de um texto a partir da combinação de fragmentos de outros textos, como se fossem peças de um quebra-cabeça.
  • Exemplo:
  • Um poema que utiliza versos de diferentes autores, ou um artigo de jornal que incorpora trechos de notícias de outros veículos de comunicação. 

2. Citação:

  • O que é:
  • A citação é a inserção de um trecho de outro texto no seu próprio texto, geralmente com o objetivo de corroborar uma ideia ou dar voz a outra pessoa.
  • Exemplo:
  • Um trabalho acadêmico que cita trechos de livros e artigos científicos para embasar suas argumentações. 

3. Paródia:

  • O que é:
  • A paródia é uma releitura de um texto original, com o objetivo de criar um efeito humorístico ou crítico, alterando o sentido do texto original.
  • Exemplo:
  • Uma música que usa a mesma melodia de outra, mas com letras que satirizam ou ironizam o tema da música original. 

4. Pastiche:

  • O que é:
  • O pastiche é uma imitação do estilo de um autor ou obra, sem a intenção de criticar ou satirizar, mas sim de homenagear ou prestar tributo.
  • Exemplo:
  • Um romance que imita a escrita de um autor clássico, utilizando as mesmas características estilísticas e vocabulário. 

voce tinha que conhecer a citação na integra... MDS

A) Bricolagem – Errada. Usa vários fragmentos de textos; aqui só há referência única a Hamlet.

B) Citação – Errada. Exige reprodução literal; houve apenas adaptação criativa.

C) Paródia – Certa. Recria o original mudando o sentido: “Ser ou não ser” → “Ler ou não ler”.

D) Epígrafe – Errada. É citação no início do texto; aqui foi usada no título.

E) Pastiche – Errada. Imita estilo de autor; no caso houve apenas adaptação do verso famoso.

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