A capacidade de formar juízos é uma característica ...
Quando falamos de juízo de realidade, consideramos a habilidade de discernir o real do imaginário, o verdadeiro do falso, assim como os graus de certeza, evidência e coerência. Assim, quando ocorre alguma alteração nesse tipo de percepção e avaliação da realidade, é importante que o psicólogo esteja atento para realizar uma análise que verifique se o evento tratou-se de um episódio de erro simples ou se é decorrente de um delírio.
Em psicopatologia, a identificação clínica do delírio mostra-se como fundamental. A respeito disso, julgue os itens abaixo como verdadeiro ou falso:
I – O delírio é muitas vezes vivenciado como algo evidente; o indivíduo acredita que é claro, óbvio, que as coisas estejam acontecendo da forma como estão. Mesmo que o conteúdo seja totalmente implausível, impossível, o paciente acha que é evidente que as coisas estejam acontecendo como estabelece seu juízo delirante.
II – O delírio, na maioria das vezes, é produzido, compartilhado e sancionado por um grupo religioso, político ou de outra natureza. Ao delirar, o indivíduo se agarra em sua trama social, no universo cultural no qual se formou, e passa, a produzir suas crenças individuais em cima dessas referências.
III – O delírio pode ser produto de alguma deficiência cognitiva.
IV – A alteração do delírio não é alcançável por meio da experiência objetiva, evidências concretas da realidade ou argumentos lógicos, persuasivos e aparentemente convincentes. Portanto, o delírio é considerado uma concepção fixa, incontestável; mesmo diante da evidência mais sólida da realidade, não pode ser afetado externamente por indivíduos que buscam dissuadir o delirante de suas convicções.
Assinale a alternativa correta:
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Alternativa correta: D - Somente as alternativas I e IV estão corretas.
1. Tema central da questão
A questão aborda o delírio, conceito fundamental em avaliação psiquiátrica e psicopatologia. Entender sua natureza, características e diferenciação em relação a outros tipos de juízo é essencial para o psicólogo em contextos clínicos e periciais.
2. Resumo teórico
O delírio é uma crença falsa, inabalável e desvinculada da realidade, mantida mesmo diante de provas concretas do contrário. Não é explicável pelo contexto social ou cultural do indivíduo e apresenta convicção absoluta para quem o vivencia. Segundo o DSM-5 e obras clássicas (Kaplan & Sadock, 2017), o delírio é distinto de erro de julgamento comum ou crenças culturais partilhadas.
3. Justificativa da alternativa correta (D)
I – Correta: O delírio é experimentado como verdade absoluta pelo paciente, mesmo que seja implausível. Ele o percebe como evidente e lógico, fato típico do quadro delirante.
IV – Correta: O delírio não é passível de correção por argumentos lógicos ou pela experiência objetiva. O paciente mantém sua convicção mesmo diante de provas concretas, tornando-o uma ideia fixa e inabalável.
4. Análise das alternativas incorretas
II – Incorreta: O delírio não é uma crença compartilhada ou sancionada socialmente. Quando uma ideia é aceita por um grupo (religioso, político etc.), não é considerada delírio, mas sim crença coletiva. O delírio é individual, idiossincrático e desconectado da cultura do entorno.
III – Incorreta: Embora déficits cognitivos possam coexistir com delírios, eles não são sua causa direta. O delírio é um distúrbio do conteúdo do pensamento e não resulta simplesmente de deficiência cognitiva, mas de alterações psicopatológicas específicas.
5. Estratégias de interpretação
Fique atento a termos como "sancionado por grupo" (falso para delírios) e "evidências concretas não mudam a crença" (característica clássica do delírio). Busque sempre distinguir entre crenças culturais e delírios individuais.
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