Considerando que os progressos no tratamento oncológico expu...
Gabarito comentado
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Tema central: A questão aborda a cardiotoxicidade de agentes quimioterápicos, tema essencial na interface entre oncologia e cardiologia clínica. É frequente que pacientes oncológicos sob quimioterapia desenvolvam alterações cardíacas, variando desde disfunção leve e transitória até insuficiência cardíaca irreversível. Conhecer os mecanismos de dano de cada droga é fundamental para a conduta correta e o prognóstico do paciente.
Justificativa da alternativa correta (E) Trastuzumabe:
O trastuzumabe é um anticorpo monoclonal usado para câncer de mama HER2-positivo. Embora possa causar disfunção ventricular esquerda, seu mecanismo de cardiotoxicidade não é associado à destruição estrutural irreversível dos miócitos. Trata-se de um efeito predominantemente funcional e reversível: ao suspender o transtuzumabe, a função cardíaca costuma se recuperar ("cardiotoxicidade tipo II"). Essa característica é abordada em revisões como a do UpToDate e confirmada em protocolos das sociedades de cardiologia.
Exemplo prático: paciente em uso de trastuzumabe que desenvolve disfunção ventricular pode reverter o quadro com a suspensão do fármaco e manejos convencionais.
Análise das alternativas incorretas:
A) Doxorrubicina e C) Idarrubicina: Ambas são antraciclinas. Induzem cardiotoxicidade dose-dependente, cumulativa e irreversível, levando à apoptose dos miócitos. Os danos são permanentes; até hoje, não há medida plenamente eficaz para evitar essa destruição celular (Cardiotoxicidade tipo I).
B) Ciclofosfamida e D) Ifosfamida: São agentes alquilantes. Causam toxicidade aguda ou subaguda, predispondo a miocardite, necrose e fibrose cardíaca, processos muitas vezes irreversíveis.
Estratégia de prova: Ler atentamente termos-chave como “irreversível” e “rotineiramente” ajuda a excluir pegadinhas: mesmo que outras drogas possam causar efeitos reversíveis em raros casos, o esperado é destruição irreversível – exceto no caso do trastuzumabe.
Referências: Segundo Harrison’s Principles of Internal Medicine (20ª ed.): “A cardiotoxicidade das antraciclinas usualmente é irreversível, enquanto a induzida pelo trastuzumabe tende à reversibilidade.” Diretrizes nacionais e internacionais reforçam que, ao se detectar disfunção associada ao trastuzumabe, a suspensão do fármaco deve ser priorizada, com potencial completa recuperação.
Resumo: Entre os fármacos citados, apenas o trastuzumabe rotineiramente não leva à destruição irreversível dos miócitos.
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