Sobre o escopo das ordens da Corte Internacional de Justiça...

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Q3652245 Direito Internacional Público
Sobre o escopo das ordens da Corte Internacional de Justiça relacionadas ao confronto Israel–Gaza, marque a afirmação CORRETA.
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Tema central: A questão aborda o papel e o escopo das ordens da Corte Internacional de Justiça (CIJ) referentes ao conflito Israel-Gaza, especialmente à luz da Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio de 1948.

Legislação Aplicável:
De acordo com a Convenção do Genocídio:
Art. I: “As Partes Contratantes confirmam que o genocídio [...] é um crime contra o Direito Internacional, que elas se comprometem a prevenir e a punir.”
Art. VIII: “Qualquer Parte Contratante pode recorrer aos órgãos competentes das Nações Unidas a fim de que estes tomem [...] as medidas que julguem necessárias para a prevenção e a repressão dos atos de genocídio...”

Jurisprudência Relevante:
A CIJ, em sua decisão de 28/03/2024, determinou especificamente a adoção de medidas necessárias para garantir a assistência humanitária em Gaza e que as partes apresentem relatórios sobre as providências tomadas.

Exemplo Prático: Se um país for acusado de descumprir a Convenção, a CIJ pode exigir que adote ações concretas para prevenir crimes de genocídio, facilitar assistência e informar periodicamente a Corte.

Justificativa da alternativa correta (D):
A alternativa D está correta porque demonstra com precisão o conteúdo das ordens recentes da CIJ: medidas de prevenção ao genocídio, facilitação de ajuda humanitária e obrigação de apresentação de relatórios à Corte. Essas medidas são cautelares, focando na proteção dos direitos das populações envolvidas, com base na Convenção do Genocídio (art. I e art. VIII).

Análise das alternativas incorretas:

A) Incorreta: A CIJ não impõe cessar-fogo obrigatório nem fixa fronteiras permanentes ou arranjos administrativos internacionais.
B) Incorreta: Suas decisões têm força obrigatória para as partes e não são meramente consultivas nesta situação.
C) Incorreta: A CIJ não emite mandados de prisão nem impõe sanções econômicas diretas; isso cabe a outros órgãos, como o Conselho de Segurança.
E) Incorreta: A CIJ não transfere administração de territórios nem comanda operações civis de segurança.

Estratégia de prova:
Sempre leia atentamente termos como “determinar”, “impor”, “obrigatório”, pois podem induzir ao erro sobre a competência real da CIJ. Verifique se a alternativa descreve o papel consultivo ou judicial do órgão.

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resposta D

Essa opção está correta e reflete as medidas provisórias que a CIJ pode e de fato ordenou. O Tribunal, não podendo decidir de imediato sobre o mérito da acusação de genocídio, ordenou medidas para proteger os direitos da população palestina sob a Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio.

  • Prevenção de atos previstos na Convenção do Genocídio: A CIJ ordenou que Israel tomasse todas as medidas ao seu alcance para prevenir a prática de qualquer ato que se enquadre no Artigo II da Convenção (como matar membros do grupo, causar sérios danos físicos ou mentais, etc.).
  • Facilitação de ajuda humanitária: A Corte determinou que Israel tomasse medidas imediatas e eficazes para permitir a prestação dos serviços básicos e da ajuda humanitária urgentemente necessária.
  • Apresentação de relatórios à Corte: Israel foi ordenado a submeter um relatório à CIJ sobre todas as medidas tomadas para dar efeito a essa ordem em um prazo específico.
  • Por que não: A CIJ, no contexto de medidas provisórias sob a Convenção do Genocídio, não tem poder explícito para ordenar um cessar-fogo direto. Embora a ordem de prevenção de atos de genocídio possa implicar uma redução da violência, a Corte evitou a ordem de cessar-fogo. Além disso, a fixação de fronteiras e a definição de arranjos administrativos são questões políticas e territoriais complexas que estão fora do escopo de sua jurisdição em um processo cautelar de genocídio.
  • Por que não: As decisões da CIJ em um caso contencioso entre Estados, como este, são de natureza vinculante (obrigatória), e não apenas consultiva (que é um tipo diferente de procedimento). O cumprimento é obrigatório, não voluntário (embora a execução possa ser um desafio), e a Corte exigiu a comunicação formal de relatórios sobre as medidas adotadas.
  • Por que não:
  • Mandados de prisão: A CIJ lida com disputas entre Estados e não emite mandados de prisão contra indivíduos. Essa é a função do Tribunal Penal Internacional (TPI), que é uma corte diferente.
  • Sanções econômicas: A Corte Internacional de Justiça não tem poder para impor sanções econômicas diretas. A imposição de sanções econômicas é uma atribuição tipicamente do Conselho de Segurança da ONU.
  • Por que não: Assim como na Opção A, a CIJ não tem autoridade para determinar a administração territorial de uma área ou para estabelecer missões internacionais de comando. Tais ações pertencem à esfera de decisão do Conselho de Segurança da ONU ou de acordos políticos entre as partes.

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