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Q3105608 Medicina
      Uma paciente com 68 anos de idade procurou o serviço médico informando apresentar, havia um ano, quadro clínico constituído por tosse seca diária, mais frequente à noite. Negou a presença de dispneia, hemoptise, cianose, febre, sudorese, calafrios e perda de peso. Referiu ser tabagista de 35 maços por ano. Não apresentava doenças pregressas. O exame físico revelou uma oximetria não invasiva de 91% em repouso com sinais vitais normais e redução do murmúrio vesicular em ambos os hemitoraces. A radiografia de tórax revelou rebaixamento das cúpulas diafragmáticas e aumento dos espaços intercostais. A espirometria revelou que a relação VEF1/CVF encontrava-se abaixo de 70%, com VEF1 atingindo 50% do predito e sem resposta volumétrica significativa com o emprego da prova farmacodinâmica.

Considerando esse caso clínico e os múltiplos aspectos a ele relacionados, julgue o item a seguir. 

A paciente apresenta história clínica e exames laboratoriais característicos de uma síndrome respiratória restritiva.
Alternativas

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Gabarito: E (errado)

Tema central: diferenciação entre síndrome obstrutiva e restritiva pela espirometria e achados clínico-radiológicos.

Por que a afirmação é errada? A paciente tem padrão obstrutivo, não restritivo. A relação VEF1/CVF < 70% é o critério-chave de obstrução das vias aéreas (pós-broncodilatador) segundo GOLD 2024 e UpToDate. O VEF1 ≈ 50% do predito sugere obstrução pelo menos moderada. A radiografia com rebaixamento das cúpulas diafragmáticas e aumento dos espaços intercostais indica hiperinsuflação (típica de enfisema). A ausência de resposta significativa ao broncodilatador reforça DPOC (tabagismo 35 maços-ano como fator de risco). Em restrição, esperaríamos VEF1 e CVF reduzidos proporcionalmente, com VEF1/CVF normal ou aumentada, volumes pulmonares baixos (TLC reduzida) e, na radiografia, elevação das cúpulas diafragmáticas — o oposto do caso. Referências: GOLD 2024; Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate.

Achados que apontam para DPOC/enfisema: tosse crônica, redução do murmúrio vesicular bilateral, SpO2 em repouso 91% (pode ocorrer em DPOC), Rx com hiperinsuflação, e espirometria obstrutiva sem reversibilidade significativa.

Armadilha da prova: confundir hiperinsuflação (diafragma rebaixado) com restrição. Lembre: obstrução = VEF1/CVF < 0,70; restrição = TLC reduzida e VEF1/CVF normal/alta.

Conduta (resumo para prática): cessar tabagismo; vacinas (influenza, pneumocócica); broncodilatadores de longa ação (LAMA/LABA) conforme sintomas; reabilitação pulmonar; avaliar DLCO e TCAR se necessário para fenótipo enfisema. Oxigenoterapia domiciliar só se PaO2 ≤ 55 mmHg ou SpO2 ≤ 88% de forma persistente (não é o caso com 91%). Diretrizes GOLD 2024.

Análise das alternativas:

C (certo)Incorreta. Interpreta o quadro como restritivo, mas a espirometria e o Rx mostram obstrução e hiperinsuflação (critério oposto ao da restrição).

E (errado)Correta. A assertiva do item é falsa porque não há síndrome restritiva; o padrão é obstrutivo (DPOC/enfisema).

Estrategia para futuras questões: comece pela relação VEF1/CVF para classificar o padrão; confirme com Rx e história clínica (tabagismo, sintomas). Use a tríade: VEF1/CVF baixa = obstrução; VEF1/CVF normal/alta + TLC baixa = restrição; mista quando ambos estão presentes.

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Caso clássico de DPOC, de característica obstrutiva, não restritiva.

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