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Q3105606 Medicina
      Uma paciente com 68 anos de idade procurou o serviço médico informando apresentar, havia um ano, quadro clínico constituído por tosse seca diária, mais frequente à noite. Negou a presença de dispneia, hemoptise, cianose, febre, sudorese, calafrios e perda de peso. Referiu ser tabagista de 35 maços por ano. Não apresentava doenças pregressas. O exame físico revelou uma oximetria não invasiva de 91% em repouso com sinais vitais normais e redução do murmúrio vesicular em ambos os hemitoraces. A radiografia de tórax revelou rebaixamento das cúpulas diafragmáticas e aumento dos espaços intercostais. A espirometria revelou que a relação VEF1/CVF encontrava-se abaixo de 70%, com VEF1 atingindo 50% do predito e sem resposta volumétrica significativa com o emprego da prova farmacodinâmica.

Considerando esse caso clínico e os múltiplos aspectos a ele relacionados, julgue o item a seguir. 


O tratamento da paciente deve envolver a orientação para parar de fumar, assim como o uso de corticosteroides inalatórios. 
Alternativas

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Tema central: diagnóstico e manejo de DPOC (enfisema predominante) e a indicação correta de corticosteroide inalatório (ICS).

Raciocínio clínico: Idosa tabagista, tosse crônica, exame com redução do murmúrio vesicular e radiografia com hiperinsuflação (cúpulas rebaixadas, espaços intercostais aumentados). Espirometria com VEF1/CVF < 0,70 e VEF1 ≈ 50% previsto (DPOC GOLD 2, moderada) e sem reversibilidade — quadro típico de DPOC, fenótipo enfisema. Saturação de 91% não indica oxigenoterapia domiciliar crônica.

Julgamento do item: “Parar de fumar” está correto e é medida com maior impacto em prognóstico. Entretanto, ICS não é indicado de rotina na DPOC sem exacerbações. Logo, o enunciado como um todo está errado. Gabarito: E.

Por quê ICS não é de primeira linha? Segundo GOLD 2024 e SBPT, ICS deve ser reservado a: - DPOC com exacerbações frequentes (≥2/ano ou ≥1 com hospitalização) e/ou eosinófilos elevados (≥300 cél/µL), ou se houver asma sobreposta. - Evitar ICS quando não há exacerbações, devido ao risco de pneumonia e outros efeitos (candidíase, disfonia). Referências: GOLD 2024 Strategy Report; Diretrizes SBPT DPOC; UpToDate; Harrison’s.

Conduta recomendada para este caso: - Cessação do tabagismo (terapia combinada com suporte comportamental e fármacos: vareniclina, bupropiona, reposição de nicotina).
- Broncodilatadores: iniciar com LAMA ou LABA de manutenção; considerar LABA/LAMA se sintomas persistirem. SABA de alívio se necessário.
- Vacinas (influenza, pneumocócica, COVID-19), reabilitação pulmonar, educação e plano de autocuidado.
- Oxigênio domiciliar: somente se SaO2 ≤ 88% (ou PaO2 ≤ 55 mmHg) de forma persistente — não é o caso com 91% em repouso.

Análise das alternativas:
E – errado (gabarito): correto porque a inclusão de ICS no plano proposto não se justifica sem exacerbações/eosinofilia/asma; contraria diretrizes e aumenta risco de pneumonia.
C – certo: incorreto pelos motivos acima; apesar de acertar na cessação do tabagismo, erra ao indicar ICS de rotina.

Pegadinhas de prova: - ICS ≠ tratamento de base da DPOC não exacerbadora; primeiro é broncodilatador de longa ação (LAMA/LABA). - Saturação de 91% não indica O2 domiciliar. - Tosse noturna pode lembrar asma, mas ausência de reversibilidade e fenótipo enfisematoso favorecem DPOC.

Fontes: GOLD 2024; Diretrizes SBPT DPOC; UpToDate (Management of stable COPD); Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Conclusão: O item está ERRADO porque o uso de corticosteroide inalatório não é indicado de rotina neste perfil; a prioridade é cessar tabagismo e LAMA/LABA conforme sintomas.

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Comentários

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o broncodilatador é o pilar de tratamento no DPOC

Broncodilatador é o pilar do tratamento da DPOC. Porém a questão cita o uso de corticoide inalatório como uma opção no tratamento.

CORTICOIDE NA DPOC TERÁ BENEFÍCIO SE O PACIENTE APRESENTAR EOSINOFILIA. Associado ao broncodilatador.

A questão não cita eosinofilia.

GABARITO ERRADO.

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