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Q1674038 Medicina
Um paciente de 67 anos de idade, previamente hipertenso, diabético e com doença renal crônica estágio III, atualmente está internado, há cinco dias, em um hospital secundário aguardando cineangiocoronariografia depois de ter apresentado dor precordial em aperto, com irradiação para os membros superiores bilateralmente, associada a náuseas e dispneia, iniciada em repouso e com duração de cerca de duas horas, aliviada apenas na emergência após tratamento medicamentoso inicial. O eletrocardiograma do paciente, na admissão, demonstrava ritmo sinusal, sem nenhuma alteração de onda P, complexo QRS, segmento ST ou onda T. A troponina T colhida com seis horas, 12 horas, 24 horas e 72 horas do início da dor, tendo valor de referência laboratorial < 0,01 mcg/mL, revelou os seguintes resultados: 0,02 mcg/mL; 0,5 mcg/mL; 1,5 mcg/mL; e 0,2 mcg/mL. O paciente ainda apresenta dor precordial de mesmas características aos mínimos esforços.


Em relação a esse caso clínico e considerando os conhecimentos médicos correlatos, julgue os itens a seguir.
Evidências recentes demonstram o benefício, para esse paciente, de antiagregação plaquetária apenas com AAS, sem inibidores da P2Y12 durante os dias que precedem a cineangiocoronariografia.
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Comentário da Questão – Cardiologia (Síndrome Coronariana Aguda, Antiagregação Plaquetária)

Tema central: Esta questão aborda a conduta antitrombótica em pacientes com síndrome coronariana aguda (SCA) sem supradesnivelamento do segmento ST e que aguardam cineangiocoronariografia, especialmente discutindo o uso exclusivo de AAS versus dupla antiagregação (AAS + inibidor P2Y12 – como clopidogrel/ ticagrelor/ prasugrel).

Justificativa para o Gabarito (E - Errado): As diretrizes atuais (Diretrizes Brasileiras sobre Angina Instável e IAM sem Supra de ST – 2021, além de ACC 2025) não recomendam restrição rotineira à antiagregação apenas com AAS em todos os pacientes. Na SCA sem supra ocorre lesão miocárdica detectável pelas troponinas (como neste caso, com curva enzimática sugestiva!), indicando infarto do miocárdio sem supra.

Conforme recomendado, a estratégia padrão para pacientes que aguardarão cineangiocoronariografia por >24h é iniciar dupla antiagregação (AAS + P2Y12), salvo clara contraindicação ou alto risco hemorrágico. O pré-tratamento deve ser individualizado, considerando riscos e benefícios, e a decisão muitas vezes é multidisciplinar.

Análise crítica: A alternativa afirmava, de modo generalista, o benefício exclusivo da monoterapia com AAS. Isto está incorreto:

  • Diretrizes (2021, SBC, pág. 40): “O início do inibidor de P2Y12 deve ser realizado o mais precocemente possível, preferencialmente antes do procedimento, se não houver contraindicações.”
  • Evidências (estudos como CURE, PLATO): Mostram redução de eventos cardíacos maiores com a dupla antiagregação em pacientes com SCA sem supra.

Pegadinha importante: Questões frequentemente induzem erro ao sugerir que a antiagregação adicional aumenta sempre o risco de sangramento sem trazer benefício. Apenas em contextos de risco hemorrágico aumentado ou definição de anatomia desconhecida para estratégias invasivas muito precoces (<24h) pode-se postergar o início do segundo antiagregante.

Dica de prova: Observe atenção ao tempo até o cateterismo e perfil do paciente (risco de sangramento x risco isquêmico).

Protocolos e normativas: Segundo o PCDT de Síndromes Coronariana Aguda do Ministério da Saúde (2021, pág. 24): “O uso de dupla antiagregação plaquetária é recomendado [...] mesmo antes da definição anatômica, quando não houver contraindicações.”

Conclusão: A monoterapia exclusiva com AAS não é conduta padrão nessa situação; a evidência apoia o uso da dupla antiagregação quando não existir contraindicação.

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Comentários

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A afirmativa está errada. O paciente apresenta uma condição clínica que sugere um quadro de síndrome coronariana aguda sem supradesnivelamento do segmento ST (SCA sem ST). Nos casos de SCA sem ST, a terapia antiplaquetária dupla, que inclui a associação de ácido acetilsalicílico (AAS) e um inibidor P2Y12, é recomendada antes da cineangiocoronariografia. Essa terapia tem o objetivo de prevenir a formação de trombos e minimizar o risco de eventos isquêmicos. O AAS impede a formação de tromboxano A2, reduzindo a agregação plaquetária, enquanto os inibidores P2Y12 bloqueiam um receptor na superfície das plaquetas, impedindo que elas se agreguem. Essa combinação é mais eficaz do que o uso de AAS sozinho em pacientes com SCA sem ST.

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