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Q1674037 Medicina
Um paciente de 67 anos de idade, previamente hipertenso, diabético e com doença renal crônica estágio III, atualmente está internado, há cinco dias, em um hospital secundário aguardando cineangiocoronariografia depois de ter apresentado dor precordial em aperto, com irradiação para os membros superiores bilateralmente, associada a náuseas e dispneia, iniciada em repouso e com duração de cerca de duas horas, aliviada apenas na emergência após tratamento medicamentoso inicial. O eletrocardiograma do paciente, na admissão, demonstrava ritmo sinusal, sem nenhuma alteração de onda P, complexo QRS, segmento ST ou onda T. A troponina T colhida com seis horas, 12 horas, 24 horas e 72 horas do início da dor, tendo valor de referência laboratorial < 0,01 mcg/mL, revelou os seguintes resultados: 0,02 mcg/mL; 0,5 mcg/mL; 1,5 mcg/mL; e 0,2 mcg/mL. O paciente ainda apresenta dor precordial de mesmas características aos mínimos esforços.


Em relação a esse caso clínico e considerando os conhecimentos médicos correlatos, julgue os itens a seguir.
A dosagem de CK-MB associada a troponina seria necessária para definir se a elevação de troponina é secundária à insuficiência renal do paciente.
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Gabarito: E (Errado)

Tema central: A questão aborda a interpretação dos biomarcadores de lesão miocárdica — principalmente troponina e CK-MB — em um paciente com doença renal crônica (DRC) e suspeita de síndrome coronariana aguda (SCA).

Justificativa técnica:

De acordo com as diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia e o PCDT para Síndromes Coronarianas Agudas do Ministério da Saúde (2021), a troponina é atualmente o biomarcador padrão-ouro para detecção de lesão miocárdica devido à sua maior sensibilidade e especificidade em comparação com outros marcadores, inclusive em pacientes com DRC.

Em pacientes com insuficiência renal, os níveis basais de troponina podem estar cronicamente elevados pela redução da depuração renal. No entanto, o diagnóstico de SCA é feito com base na variação dos níveis de troponina ao longo do tempo, não em valores isolados. Um aumento significativo seguido de declínio (como neste caso) indica evento agudo e não apenas elevação crônica pela DRC.

A CK-MB: embora usada no passado, possui menor especificidade e também pode ser aumentada na DRC ou em lesão muscular esquelética. Segundo o próprio PCDT e o Harrison's Principles of Internal Medicine, a dosagem da CK-MB não adiciona valor diagnóstico para distinguir entre elevação crônica (por DRC) e infarto agudo do miocárdio.

Análise crítica:
A alternativa está ERRADA porque não é necessária a dosagem associada de CK-MB à troponina para diferenciar elevação por lesão renal versus cardíaca. O mais importante é observar a dinâmica dos valores da troponina, de acordo com as recomendações da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e do Ministério da Saúde.

Estratégia de prova:
Fique atento se o enunciado sugere que exames antigos devem ser usados, ou sugere protocolos ultrapassados. A tendência atual é baseada principalmente na avaliação sequencial da troponina.

Resumo chave:
Segundo o PCDT de Síndromes Coronarianas Agudas (2021, p.21): “O diagnóstico de lesão miocárdica, mesmo em pacientes com DRC, se dá pela elevação aguda e queda dos níveis de troponina, sendo os demais marcadores dispensáveis.”

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Comentários

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A questão está errada. A presença de insuficiência renal crônica pode causar elevação da troponina, mas essa elevação, geralmente, não alcançará níveis significativos como observados no caso citado. Em casos de dor torácica com elevação de troponina, a possibilidade de um evento cardíaco agudo é muito alta e deve ser considerada como tal. A dosagem de CK-MB (Creatina quinase MB) pode ser útil para diagnóstico de infarto agudo do miocárdio, mas não para determinar se a elevação de troponina é secundária à insuficiência renal. Portanto, no caso descrito, a elevação de troponina é mais provável de ser devido à doença cardíaca aguda, e não à insuficiência renal do paciente. Além disso, a dor torácica do paciente associada à elevação de troponina sugere um evento isquêmico agudo. A troponina é um marcador muito sensível e específico para lesão miocárdica e sua elevação, na presença de sintomas sugestivos, é diagnóstica para infarto agudo do miocárdio.

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