O verbo entre parênteses deverá flexionar-se numa forma do p...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q24181 Português
Velocidade das imagens

Quem folheia um daqueles velhos álbuns de fotografias
logo nota que as pessoas fotografadas prepararam-se longamente
para o registro solene. As roupas são formais, os corpos
alinham-se em simetria, os rostos adotam uma expressão sisuda.
Cada foto corporifica um evento especial, grava um momento
que aspira à eternidade. Parece querer garantir a imortalidade
dos fotografados. Dificilmente alguém ri nessas fotos:
sobra gravidade, cerimônia, ou mesmo uma vaga melancolia.
Nada mais opostos a esse pretendido congelamento do
tempo do que a velocidade, o improviso e a multiplicação das
fotos de hoje, tiradas por meio de celulares. Todo mundo fotografa
tudo, vê o resultado, apaga fotos, tira outras, apaga, torna
a tirar. Intermináveis álbuns virtuais desaparecem a um toque
de dedo, e as pouquíssimas fotografias eventualmente salvas
testemunham não a severa imortalidade dos antigos, mas a
brincadeira instantânea dos modernos. As imagens não são feitas
para durar, mas para brilhar por segundos na minúscula tela
e desaparecer para sempre.

Cada época tem sua própria concepção de tempo e sua
própria forma de interpretá-lo em imagens. É curioso como em
nossa época, caracterizada pela profusão e velocidade das
imagens, estas se apresentem num torvelinho temporal que as
trata sem qualquer respeito. É como se a facilidade contemporânea
de produção e difusão de imagens também levasse a
crer que nenhuma delas merece durar mais que uma rápida
aparição.

(Bernardo Coutinho, inédito)
O verbo entre parênteses deverá flexionar-se numa forma do plural para preencher corretamente a lacuna da frase:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: E

Fundamento decisivo: A alternativa correta é a E porque o verbo deve concordar com o sujeito composto posposto, formado por dois núcleos coordenados — "novidades técnicas" e "novos modos de compreensão do mundo" —, o que obriga a flexão no plural: "despontam".

Tema central: Concordância verbal
Análise das alternativas
A
Errada
O plural não se impõe nessa estrutura. Em "Ainda em nossos dias parece transpirar daqueles velhos álbuns de fotografias um aflitivo anseio de perenidade", o verbo "parecer" permanece no singular, porque não há sujeito plural expresso que justifique "parecem". A confusão possível é tomar "daqueles velhos álbuns de fotografias" como sujeito, mas esse termo é preposicionado e não funciona como núcleo sujeito.
B
Errada
A forma compatível é singular: "Não se esboça... qualquer vestígio de sorriso". O núcleo sintático relevante expresso após o verbo é singular, "qualquer vestígio". Além disso, a base registra que, nessa construção com "se", não há fundamento para plural verbal com a locução proposta. A leitura errada é concordar com "fisionomias graves", que está em termo preposicionado e não exerce a função de sujeito.
C
Errada
O núcleo do sujeito é singular: "maioria". Em "À esmagadora maioria das fotos cabe o destino de um rápido e definitivo esquecimento", a concordância regular se faz com esse núcleo, resultando em "cabe". O plural "cabem" decorreria de concordância atrativa com "fotos", mas "das fotos" não é o núcleo do sujeito.
D
Errada
O verbo deve ficar no singular: "diverte". Em "O que mais diverte os milhões de fotógrafos amadores é a facilidade de produção e exclusão de fotos", o sujeito é a estrutura "O que mais...", de valor singular. "Os milhões de fotógrafos amadores" não é sujeito; funciona como objeto de "diverte". Portanto, não há motivo sintático para usar plural.
E
Certa
A alternativa E é a única em que o plural é exigido de modo inequívoco pela estrutura sintática. O segmento "não apenas novidades técnicas, mas novos modos de compreensão do mundo" exerce a função de sujeito composto, ainda que venha depois do verbo. Como há dois núcleos coordenados no sujeito, a concordância correta é plural: "despontam". O trecho do texto "Cada época tem sua própria concepção de tempo e sua própria forma de interpretá-lo em imagens." dá apoio semântico a essa formulação, mas o que fecha a resposta é a regra de concordância com sujeito composto.
Pegadinha da questão
A banca explora a identificação errada do sujeito: termos preposicionados, adjuntos adverbiais e objetos aparecem próximos do verbo e podem induzir concordância indevida, enquanto o único caso com sujeito composto real posposto ao verbo está em E.
Dica para questões semelhantes
  • Localize primeiro o sujeito antes de pensar na flexão: nem todo termo plural perto do verbo é núcleo do sujeito.
  • Em sujeito composto, mesmo quando ele vem depois do verbo, a concordância continua sendo com os núcleos coordenados.
  • Em expressões partitivas, observe o núcleo expresso: se ele for singular, a concordância regular será singular.
  • Em construções com "se", não faça o verbo ir automaticamente para o plural; confirme qual é o núcleo sintático relevante.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

 A)  Um aflitivo anseio de perenidade PARECE...

 B) Qualquer vestígio de sorriso não se ESBOÇA...

 C) O destino de um rápido e definitivo esquecimento CABE...

 D) O que mais DIVERTE...

 E) Em cada época não apenas novidades técnicas DESPONTAM ...

 

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo