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Q1674021 Medicina
Um paciente de 22 anos de idade, previamente hígido, chega ao pronto-socorro com quadro de dor precordial de início recente há um dia, em repouso, ventilatório-dependente, aliviada ao reclinar o tronco para a frente, sem relação com esforço físico, associada a episódio febril aferido de 37,9 ºC.


Com relação a esse caso clínico e tendo em vista os conhecimentos médicos correlatos, julgue os itens a seguir. 
Nos exames laboratoriais realizados quando o paciente der entrada no pronto-socorro, as dosagens de troponina e BNP devem ser feitas de rotina para a principal suspeita clínica do caso.
Alternativas

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Gabarito: E (errado)

Comentário:

Tema central: Esta questão aborda o diagnóstico da pericardite aguda — quadro sugerido pela clínica de dor precordial ventilatório-dependente, alívio ao se inclinar para frente (“posição em prece maometana”) e febre baixa, em jovem previamente saudável.

Justificativa para a alternativa “E” (errado):

Segundo as diretrizes clínicas vigentes (vide Protocolo “Pericardite Aguda: Diagnóstico e Tratamento”), o diagnóstico de pericardite aguda é primariamente clínico. Os principais critérios diagnósticos são:

  • Dor torácica típica
  • Atrito pericárdico
  • Derrame pericárdico
  • Alterações eletrocardiográficas típicas

É necessário que pelo menos dois dos critérios acima estejam presentes. Note que exames laboratoriais não são obrigatórios para fechar o diagnóstico; eles apenas auxiliam em casos selecionados.

Destaque para Troponina e BNP:

A dosagem de troponina só é indicada quando há suspeita de acometimento miocárdico (casos de miopericardite), o que não é sugerido no quadro descrito. Já o BNP é marcador de insuficiência cardíaca e está fora do escopo rotineiro da investigação da pericardite aguda.

Análise crítica da alternativa incorreta (“Certo”):

Marcar como “certo” induziria o candidato ao erro, pois levaria ao emprego desnecessário desses exames no protocolo habitual, contrariando diretrizes e evidências atuais. O uso rotineiro desses marcadores pode gerar custos e intervenções sem necessidade clínica. Segundo o documento citado: “A dosagem de BNP não é rotineiramente indicada no diagnóstico de pericardite aguda.”

Estratégia de prova:

Questões desse tipo testam sua habilidade de distinguir casos em que exames complementares realmente agregam valor diagnóstico, focando na condução racional do caso clínico. Fique atento a expressões como “de rotina”; elas exigem conhecimento atualizado dos protocolos e evitam o emprego indiscriminado de exames.

Referências essenciais: Harrison – Princípios de Medicina Interna; Diretriz Diagnóstica e Terapêutica de Pericardite da SBC; UpToDate – Acute Pericarditis in Adults.

Resumo: Para pericardite aguda sem sinais de miopericardite ou insuficiência cardíaca, troponina e BNP não são necessários como rotina diagnóstica.

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Comentários

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A resposta para essa questão é não. O quadro clínico descrito corresponde a uma pericardite aguda, uma inflamação do pericárdio (a membrana que envolve o coração). Os sintomas mais comuns são dor no peito, que melhora ao inclinar o tronco para a frente, e febre. As dosagens de troponina e BNP são úteis para o diagnóstico de infarto agudo do miocárdio e insuficiência cardíaca, respectivamente, que não são as principais suspeitas neste caso. Portanto, não seriam rotineiramente necessários para esta apresentação clínica. Entretanto, eles podem ser obtidos para descartar essas condições, se houver dúvida.

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