Uma triagem negativa com o questionário de Berlim, durante ...

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Q1674018 Medicina
Uma paciente de 65 anos de idade, com obesidade grau 1 (peso = 85 kg, altura = 1,65 m), hipertensa há 20 anos, com adequado controle da pressão arterial, no período, utilizando diariamente anlodipino 10 mg e clortalidona 25 mg, comparece à consulta ambulatorial demonstrando pressão arterial de 170 mmHg x 95 mmHg, confirmada em duas medidas em ambos os membros superiores. Opta-se por introdução de enalapril 10 mg duas vezes ao dia. Ela retorna em duas semanas apresentando pressão arterial de 150 mmHg x 85 mmHg, com exames laboratoriais novos revelando um aumento de creatinina sérica de 0,9 mg/dL para 1,9 mg/dL, sem outras alterações laboratoriais.


Considerando esse caso clínico e os conhecimentos médicos correlatos, julgue os itens a seguir.  
Uma triagem negativa com o questionário de Berlim, durante a consulta ambulatorial, afastaria o diagnóstico de síndrome da apneia e hipopneia obstrutiva do sono para essa paciente.
Alternativas

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Tema central: A questão aborda a utilização do Questionário de Berlim na triagem da Síndrome da Apneia e Hipopneia Obstrutiva do Sono (SAHOS) em uma paciente com hipertensão resistente. Entender as limitações dos instrumentos de triagem é essencial para a prática clínica e para concursos na área médica.

Justificativa da alternativa correta (E - errado): Um resultado negativo no Questionário de Berlim não exclui o diagnóstico de SAHOS. O instrumento apresenta sensibilidade e especificidade limitadas—estudos apontam sensibilidade ao redor de 72% e especificidade de 50%. Ou seja, há alta chance de resultados falso-negativos; logo, muitos pacientes com a síndrome podem não ser detectados apenas por este questionário.

Avaliação crítica das alternativas:

  • C) Certo: Incorreta, pois presume que uma triagem negativa afastaria o diagnóstico. As diretrizes brasileiras de hipertensão deixam claro que SAHOS deve ser considerada em qualquer paciente com hipertensão resistente, independentemente do resultado do questionário, devido à sua relação direta como causa secundária.
  • E) Errado (correta): O raciocínio está de acordo com as melhores práticas clínicas, pois a investigação não deve se limitar à triagem por questionários. Uma avaliação clínica abrangente e, na suspeita mantida, a polissonografia são fundamentais para o diagnóstico.

Pontos-chave e possíveis pegadinhas: A principal pegadinha está em considerar o Questionário de Berlim como exame diagnóstico. Em concursos, é fundamental lembrar que questionários de triagem não têm valor preditivo negativo absoluto. Ou seja, resultado negativo não exclui doença.

Embasamento normativo: Segundo as Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020, seção 15.3.2: “A SAHOS é a principal causa secundária de hipertensão arterial resistente [...]” e sua investigação deve ser considerada mesmo com triagem negativa em questionários.

Estratégia para a prova: Sempre questione quando um enunciado sugere que um instrumento de triagem exclui diagnóstico, especialmente em doenças com múltiplas causas e manifestações variáveis como a SAHOS.

Resumo: O diagnóstico de SAHOS, especialmente em pacientes com hipertensão de difícil controle, depende de avaliação clínica detalhada e, se indicado, exames como a polissonografia. Questionário de Berlim negativo não exclui o diagnóstico.

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A questão sugere que uma triagem negativa com o questionário de Berlim, durante a consulta ambulatorial, afastaria o diagnóstico de síndrome da apneia e hipopneia obstrutiva do sono para a paciente descrita. No entanto, isso é incorreto. Embora o questionário de Berlim seja uma ferramenta útil na identificação de indivíduos com alto risco de terem síndrome da apneia e hipopneia obstrutiva do sono, um resultado negativo na triagem não exclui definitivamente o diagnóstico. A ausência de risco identificado pelo questionário de Berlim não garante que a paciente não tenha a doença. Além disso, a paciente apresenta fatores de risco para a síndrome, como obesidade e hipertensão, o que torna ainda mais crucial uma avaliação cuidadosa, além do uso de uma única ferramenta de triagem. Portanto, mais investigações, como um estudo do sono, seriam necessárias antes de se poder excluir o diagnóstico de síndrome da apneia e hipopneia obstrutiva do sono.

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