A rosuvastatina do paciente deve ser trocada por um fibrato...

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Q1673997 Medicina
Um paciente de 55 anos de idade, com histórico de diabetes e hipertensão, iniciou, há seis meses, quadro de dor precordial tipicamente anginosa aos esforços, sendo investigado com ecocardiograma com estresse com dobutamina, o qual confirmou isquemia por aparecimento de hipocinesia transitória dos segmentos inferiores apical e médio no estresse. A fração de ejeção de ventrículo esquerdo no repouso foi de 60%. Iniciou-se tratamento diário com AAS 100 mg, rosuvastatina 20 mg e atenolol 50 mg. A investigação da doença arterial coronariana prosseguiu com a solicitação de uma cineangiocoronariografia. Enquanto aguardava os exames, o paciente tornou-se assintomático com a medicação. Após um mês, retornou com o resultado da cineangiocoronariografia, que demonstrava uma lesão de 90% na porção proximal da coronária direita e uma lesão de 40% em terço distal da descendente anterior. Apresentou também exame laboratorial que revelou colesterol total = 130 mg/dL, LDL-C = 42 mg/dL, HDL-C = 25 mg/dL e triglicérides = 315 mg/dL.


Com relação a esse caso clínico e tendo em vista os conhecimentos médicos correlatos, julgue os itens a seguir.
A rosuvastatina do paciente deve ser trocada por um fibrato, já que ele ainda apresenta triglicérides elevados com LDL-C excessivamente baixo.
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Gabarito: E (Errado)

Tema central: O foco desta questão é o tratamento da dislipidemia em paciente com alto risco cardiovascular, abordando o manejo dos níveis de triglicerídeos frente ao uso de estatinas.

Justificativa para a alternativa correta:

Segundo a Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025, as estatinas permanecem como a estratégia central na prevenção de eventos cardiovasculares, principalmente em pacientes diabéticos, hipertensos e com doença coronariana documentada – como no caso apresentado.

A diretriz destaca: "Os fibratos são indicados no tratamento da hipertrigliceridemia endógena quando houver falha das medidas não farmacológicas ou quando esta for muito elevada (>500 mg/dL)". Neste cenário, o paciente apresenta triglicerídeos de 315 mg/dL (aumentados, porém abaixo do limiar que indica fibrato), e o LDL-C está bem controlado (42 mg/dL), o que reflete o efeito desejado com o uso da estatina.

Trocar a rosuvastatina por um fibrato não é recomendado, pois:

  • Estatinas reduzem comprovadamente risco cardiovascular global.
  • Fibratos só são indicados quando triglicerídeos são muito elevados (>500 mg/dL), devido ao risco de pancreatite.
  • Trocar a estatina aumentaria o risco de eventos coronarianos ao perder o benefício sobre o LDL-C.

Alternativa incorreta – análise crítica:

A proposta de troca se baseia exclusivamente nos níveis elevados de triglicerídeos, desconsiderando que o principal determinante de risco para eventos cardiovasculares, sobretudo em coronariopatas, é o LDL-C, e não o triglicérides isoladamente. Ainda, com LDL-C já significativamente controlado, descontinuar a estatina é conduta inadequada.

Pontos-chave para provas:

  • Cuidado com pegadinhas: Muitos candidatos são levados a crer que triglicerídeos elevados sempre indicam fibrato — lembre-se do limiar de 500 mg/dL.
  • Foco no paciente coronariopata: Priorize sempre o controle de LDL-C, salvo situações extraordinárias (pancreatite, TG muito elevado).

Protocolos e normativas: O Ministério da Saúde e as diretrizes da SBC alinham-se neste sentido: a redução intensa do LDL-C com estatina é fundamental em prevenção secundária.

Resumo prático: O tratamento atual está correto, e o paciente deve manter a rosuvastatina. Apenas oriente controle dietético e de hábitos para melhorar triglicérides; fibratos são exceção, não regra.

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Comentários

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A afirmação está errada. A rosuvastatina, uma estatina, é um medicamento usado para diminuir os níveis de colesterol ruim, o LDL, e aumentar os níveis de colesterol bom, o HDL, no sangue. No caso apresentado, o paciente tem LDL-C (colesterol de baixa densidade) de 42 mg/dL, que é considerado um bom nível, e o HDL-C (colesterol de alta densidade) está em 25 mg/dL, um pouco abaixo do ideal, mas não tão baixo a ponto de exigir a substituição da rosuvastatina por um fibrato. Os fibratos são normalmente usados quando os níveis de triglicérides estão muito elevados, o que não é exatamente o caso aqui, pois o paciente tem triglicérides em 315 mg/dL, um valor elevado, mas não extremamente alto. Além disso, a rosuvastatina também tem algum efeito na redução dos triglicérides. Portanto, não há necessidade de trocar a rosuvastatina por um fibrato nesse caso.

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