O atenolol do paciente deve ser substituído por um dos beta...

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Q1673996 Medicina
Um paciente de 55 anos de idade, com histórico de diabetes e hipertensão, iniciou, há seis meses, quadro de dor precordial tipicamente anginosa aos esforços, sendo investigado com ecocardiograma com estresse com dobutamina, o qual confirmou isquemia por aparecimento de hipocinesia transitória dos segmentos inferiores apical e médio no estresse. A fração de ejeção de ventrículo esquerdo no repouso foi de 60%. Iniciou-se tratamento diário com AAS 100 mg, rosuvastatina 20 mg e atenolol 50 mg. A investigação da doença arterial coronariana prosseguiu com a solicitação de uma cineangiocoronariografia. Enquanto aguardava os exames, o paciente tornou-se assintomático com a medicação. Após um mês, retornou com o resultado da cineangiocoronariografia, que demonstrava uma lesão de 90% na porção proximal da coronária direita e uma lesão de 40% em terço distal da descendente anterior. Apresentou também exame laboratorial que revelou colesterol total = 130 mg/dL, LDL-C = 42 mg/dL, HDL-C = 25 mg/dL e triglicérides = 315 mg/dL.


Com relação a esse caso clínico e tendo em vista os conhecimentos médicos correlatos, julgue os itens a seguir.
O atenolol do paciente deve ser substituído por um dos betabloqueadores que demonstraram redução de mortalidade, nesse tipo de paciente, em ensaios clínicos.
Alternativas

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Gabarito: E (errado)

1. Tema central: O foco da questão é a utilização de betabloqueadores na angina estável e a relação dessas medicações com redução de mortalidade em pacientes sem infarto prévio e com função ventricular preservada.

2. Fundamentos da alternativa correta: No cenário apresentado, o paciente possui angina estável, fração de ejeção preservada e não apresenta histórico de infarto do miocárdio. O atenolol, assim como outros betabloqueadores, é eficaz no alívio da angina por diminuir a demanda de oxigênio do miocárdio. Contudo, a troca de atenolol por outro betabloqueador (como carvedilol ou metoprolol) não traz benefício comprovado em relação à redução de mortalidade nesses pacientes.

Segundo a Diretriz Brasileira de Cardiologia sobre Estabelecimento do Diagnóstico e Tratamento da Doença Arterial Coronariana Crônica (SBC, 2020): “O uso de betabloqueadores está indicado para alívio da angina, mas a redução da mortalidade só foi comprovada em pacientes pós-infarto do miocárdio ou com insuficiência cardíaca sistólica” (p. 22).

Estudos como o ASIST e o TIBET não demonstraram redução de mortalidade com betabloqueadores em pacientes com angina estável e sem disfunção ventricular.

3. Análise crítica das alternativas:

  • Certo: Seria incorreto considerar correta esta afirmação porque não existem evidências científicas, até o momento, que suportem a troca do atenolol por outro betabloqueador para reduzir mortalidade nessa população específica. O benefício desses medicamentos para mortalidade é restrito a situações de infarto prévio ou insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida.
  • Errado (correta): Está adequado, visto que a substituição do atenolol não altera o prognóstico quanto à mortalidade em pacientes com angina estável e fração de ejeção preservada.

4. Estratégias para provas e pontos de atenção: Atenção especial a pegadinhas que confundem alívio sintomático com impacto em redução de mortalidade. Lembre-se: nas questões, diferencie bem o perfil clínico do paciente e as indicações de redução de mortalidade baseadas em evidências.

5. Referências: Além da Diretriz Brasileira já citada, o UpToDate reforça: “Em pacientes com angina estável e função ventricular preservada, betabloqueadores são sintomáticos, sem redução comprovada de mortalidade.”

Resumo: O atenolol pode ser mantido para angina estável se houver controle dos sintomas, sem necessidade de troca com a justificativa de impacto em mortalidade na ausência de infarto prévio ou disfunção ventricular.

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Comentários

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A assertiva está correta. O Atenolol, apesar de ser um betabloqueador, não mostrou eficácia na redução de mortalidade em pacientes com doença arterial coronariana em ensaios clínicos, como o tratamento do paciente do caso apresentado visa. Outros betabloqueadores, como o Metoprolol, Carvedilol e Bisoprolol, por outro lado, demonstraram reduzir mortalidade em pacientes com insuficiência cardíaca e infarto do miocárdio prévio em ensaios clínicos, por isso seria mais indicado no caso desse paciente. A substituição do Atenolol por um desses medicamentos poderia oferecer um benefício maior para esse paciente. Vale reforçar que toda decisão terapêutica deve levar em consideração as particularidades e o contexto clínico de cada paciente.

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