Mulher de 86 anos, com diagnóstico de D. Alzheimer há 9 ano...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Ano: 2022 Banca: IBFC Órgão: SES-DF Prova: IBFC - 2022 - SES-DF - Médico - Geriatria |
Q1940922 Medicina
Mulher de 86 anos, com diagnóstico de D. Alzheimer há 9 anos, CDR 3/FAST 7F, encontra -se acamado, apresentando contraturas em membros superiores e inferiores, lesão por pressão grau 2 em região sacral e uso de sonda nasoenteral para alimentação. Encontra - se em uso de rivastigmina adesivo, memantina, quetiapina e sinvastatina. Nos últimos 6 meses, foi internada 2 vezes por pneumonia. Com relação ao caso apresentado acima, assinale a alternativa correta.
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central da questão: O foco está nos critérios de terminalidade em pacientes com demência avançada (Doença de Alzheimer) e na conduta médica adequada nessa fase.

Justificativa da alternativa correta (B):
A paciente apresenta critérios inequívocos de fase terminal da demência: CDR 3/FAST 7F (estágio avançado), acamamento, contraturas articulares, lesão por pressão grau 2 e uso de sonda para alimentação, com quadros infecciosos recorrentes. Segundo o Manual de Cuidados Paliativos do Ministério da Saúde (2ª edição), pacientes com grande incapacidade funcional, ausência de comunicação efetiva, sonda enteral e infecções recorrentes atendem critérios para abordagem de terminalidade em doenças crônicas como a demência avançada.

Portanto, é ética e clinicamente imprescindível abordar o tema da terminalidade e plano de cuidados junto à família, promovendo alinhamento de expectativas e priorizando qualidade de vida e conforto. Tal conduta está alinhada às recomendações também da revisão Cochrane sobre Cuidados Paliativos na Demência.

Análise das alternativas incorretas:

A) Incorreta. Os benefícios de antidemenciais (rivastigmina/memantina) não se mantêm em fases terminais (FAST 7F); efeitos colaterais podem prevalecer sobre o benefício. Protocolos de conduta sugerem reavaliar a necessidade desses fármacos e, se possível, suspendê-los.

C) Incorreta. A gastrostomia não reduz risco de pneumonia aspirativa, nem melhora sobrevida em demência avançada. Diretrizes internacionais e nacionais não recomendam rotineiramente gastrostomia nestes casos.

D) Incorreta. A síndrome da imobilidade envolve perda de funcionalidade e outras complicações sistêmicas, não apenas a supressão de movimentos articulares. A definição da alternativa está incompleta e simplificada demais.

E) Incorreta. Aducanumab não está indicado para esse quadro: seu uso é limitado e polêmico, restrito ao início da doença, além de não disponível pelo SUS e não recomendado em demência avançada.

Estratégia em provas: Atenção a termos como fase terminal, recidiva de infecções, acamamento e FAST 7F – todos são pontos-chave para identificar necessidade de cuidados paliativos. Alternativas que sugerem condutas invasivas, sem base em evidências, geralmente são pegadinhas.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

A alternativa correta é a letra B. A paciente apresenta critérios para terminalidade e é importante abordar este tema com os familiares. A paciente tem uma idade avançada, um estágio avançado de demência de Alzheimer, está acamada, apresenta contraturas e lesão por pressão, além de ter sido internada duas vezes nos últimos seis meses por pneumonia. Esses fatores indicam que a paciente está em estado avançado da doença e com risco aumentado de complicações e morte. É importante abordar a questão da terminalidade com os familiares para que a paciente possa receber os cuidados paliativos adequados e respeito à sua autonomia e dignidade no fim da vida.

A alternativa correta é a B: A paciente apresenta critérios para terminalidade e devemos abordar este tema durante a conversa com familiares.

Justificativa:

O caso apresentado descreve uma paciente com Doença de Alzheimer em estágio avançado, com múltiplas comorbidades e dependência total de cuidados. A presença de contraturas, lesões por pressão, necessidade de sonda nasoenteral e recorrentes internações por pneumonia são indicadores de fragilidade e de uma doença progressiva e irreversível.

Análise das demais alternativas:

  • Alternativa A: Os medicamentos utilizados podem não apresentar os mesmos benefícios em estágios avançados da doença. A avaliação da necessidade de continuar com todos os medicamentos deve ser individualizada e discutida com a equipe médica.
  • Alternativa C: A gastrostomia pode não ser a melhor opção neste caso, pois a paciente já apresenta múltiplas comorbidades e a expectativa de vida é limitada. Além disso, a gastrostomia não previne a broncoaspiração, que é um dos principais problemas desta paciente.
  • Alternativa D: A síndrome de imobilidade está presente, mas não é a principal questão a ser abordada neste momento.
  • Alternativa E: O aducanumab é um medicamento recente e ainda com indicações restritas. Não é indicado para pacientes em estágio avançado da doença.

Por que a alternativa B é a mais adequada?

  • Critérios de terminalidade: A paciente apresenta múltiplas comorbidades, dependência total de cuidados e qualidade de vida significativamente comprometida. Esses são critérios que indicam a possibilidade de se estar diante de uma situação de terminalidade.
  • Abordagem com a família: É fundamental conversar com a família sobre a progressão da doença, as expectativas de vida e as opções de cuidados. A abordagem deve ser humanizada e respeitosa, permitindo que a família expresse seus sentimentos e dúvidas.

Considerações importantes:

  • Cuidados paliativos: A paciente deve receber cuidados paliativos para garantir o conforto e a melhor qualidade de vida possível.
  • Decisões compartilhadas: As decisões sobre o tratamento devem ser tomadas em conjunto com a família, respeitando os valores e as preferências da paciente.
  • Suporte multidisciplinar: A equipe de saúde deve oferecer suporte multidisciplinar à paciente e à família, incluindo médicos, enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos.

Em resumo:

O caso apresentado exige uma abordagem cuidadosa e humanizada, com foco na qualidade de vida da paciente e no apoio à família. A discussão sobre a terminalidade é fundamental para que a família possa se preparar para essa fase e tomar decisões informadas sobre os cuidados.

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo