Mulher de 86 anos, com diagnóstico de D. Alzheimer há 9 ano...
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Tema central da questão: O foco está nos critérios de terminalidade em pacientes com demência avançada (Doença de Alzheimer) e na conduta médica adequada nessa fase.
Justificativa da alternativa correta (B):
A paciente apresenta critérios inequívocos de fase terminal da demência: CDR 3/FAST 7F (estágio avançado), acamamento, contraturas articulares, lesão por pressão grau 2 e uso de sonda para alimentação, com quadros infecciosos recorrentes. Segundo o Manual de Cuidados Paliativos do Ministério da Saúde (2ª edição), pacientes com grande incapacidade funcional, ausência de comunicação efetiva, sonda enteral e infecções recorrentes atendem critérios para abordagem de terminalidade em doenças crônicas como a demência avançada.
Portanto, é ética e clinicamente imprescindível abordar o tema da terminalidade e plano de cuidados junto à família, promovendo alinhamento de expectativas e priorizando qualidade de vida e conforto. Tal conduta está alinhada às recomendações também da revisão Cochrane sobre Cuidados Paliativos na Demência.
Análise das alternativas incorretas:
A) Incorreta. Os benefícios de antidemenciais (rivastigmina/memantina) não se mantêm em fases terminais (FAST 7F); efeitos colaterais podem prevalecer sobre o benefício. Protocolos de conduta sugerem reavaliar a necessidade desses fármacos e, se possível, suspendê-los.
C) Incorreta. A gastrostomia não reduz risco de pneumonia aspirativa, nem melhora sobrevida em demência avançada. Diretrizes internacionais e nacionais não recomendam rotineiramente gastrostomia nestes casos.
D) Incorreta. A síndrome da imobilidade envolve perda de funcionalidade e outras complicações sistêmicas, não apenas a supressão de movimentos articulares. A definição da alternativa está incompleta e simplificada demais.
E) Incorreta. Aducanumab não está indicado para esse quadro: seu uso é limitado e polêmico, restrito ao início da doença, além de não disponível pelo SUS e não recomendado em demência avançada.
Estratégia em provas: Atenção a termos como fase terminal, recidiva de infecções, acamamento e FAST 7F – todos são pontos-chave para identificar necessidade de cuidados paliativos. Alternativas que sugerem condutas invasivas, sem base em evidências, geralmente são pegadinhas.
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Comentários
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A alternativa correta é a B: A paciente apresenta critérios para terminalidade e devemos abordar este tema durante a conversa com familiares.
Justificativa:
O caso apresentado descreve uma paciente com Doença de Alzheimer em estágio avançado, com múltiplas comorbidades e dependência total de cuidados. A presença de contraturas, lesões por pressão, necessidade de sonda nasoenteral e recorrentes internações por pneumonia são indicadores de fragilidade e de uma doença progressiva e irreversível.
Análise das demais alternativas:
- Alternativa A: Os medicamentos utilizados podem não apresentar os mesmos benefícios em estágios avançados da doença. A avaliação da necessidade de continuar com todos os medicamentos deve ser individualizada e discutida com a equipe médica.
- Alternativa C: A gastrostomia pode não ser a melhor opção neste caso, pois a paciente já apresenta múltiplas comorbidades e a expectativa de vida é limitada. Além disso, a gastrostomia não previne a broncoaspiração, que é um dos principais problemas desta paciente.
- Alternativa D: A síndrome de imobilidade está presente, mas não é a principal questão a ser abordada neste momento.
- Alternativa E: O aducanumab é um medicamento recente e ainda com indicações restritas. Não é indicado para pacientes em estágio avançado da doença.
Por que a alternativa B é a mais adequada?
- Critérios de terminalidade: A paciente apresenta múltiplas comorbidades, dependência total de cuidados e qualidade de vida significativamente comprometida. Esses são critérios que indicam a possibilidade de se estar diante de uma situação de terminalidade.
- Abordagem com a família: É fundamental conversar com a família sobre a progressão da doença, as expectativas de vida e as opções de cuidados. A abordagem deve ser humanizada e respeitosa, permitindo que a família expresse seus sentimentos e dúvidas.
Considerações importantes:
- Cuidados paliativos: A paciente deve receber cuidados paliativos para garantir o conforto e a melhor qualidade de vida possível.
- Decisões compartilhadas: As decisões sobre o tratamento devem ser tomadas em conjunto com a família, respeitando os valores e as preferências da paciente.
- Suporte multidisciplinar: A equipe de saúde deve oferecer suporte multidisciplinar à paciente e à família, incluindo médicos, enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos.
Em resumo:
O caso apresentado exige uma abordagem cuidadosa e humanizada, com foco na qualidade de vida da paciente e no apoio à família. A discussão sobre a terminalidade é fundamental para que a família possa se preparar para essa fase e tomar decisões informadas sobre os cuidados.
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