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Mulher de 46 anos, ASA I, foi internada para realização de m...

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Ano: 2026 Banca: UERJ Órgão: UERJ Prova: UERJ - 2026 - UERJ - Médico/Plantão Geral |
Q4039369 Medicina
Mulher de 46 anos, ASA I, foi internada para realização de mastectomia, evoluindo com um sangramento maior do que o habitual, estando, no pós-operatório, taquicárdica e dispneica. Os exames revelaram Hb = 7g/dL e Ht = 21%. Foram infundidos dois concentrados de hemácias e, cerca de 90 minutos após o término da transfusão, a paciente evoluiu com dispneia, tosse seca, taquipneia (30irpm) e diminuição progressiva da saturação de O2, atualmente 82%, com O2 sob máscara a 6L/min. A ausculta pulmonar, que antes era normal, mostrava estertores bolhosos bilateralmente, mais proeminentes em bases. A PA = 140x80mmHg e a FC = 120bpm. Os pulsos carotídeos eram de boa amplitude e não havia alterações em cabeça e pescoço. Foi passado cateter de Swan-Ganz que evidenciou débito cardíaco = 4L/min, pressão de oclusão da artéria pulmonar levemente reduzida = 16mmHg e aumento da resistência vascular periférica. A complicação mais provável relacionada à transfusão é: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério que decide é o edema pulmonar não cardiogênico agudo temporalmente relacionado à transfusão: a piora respiratória ocorreu cerca de 90 minutos após receber hemácias, com hipoxemia e estertores bilaterais, sem sinais clínicos de congestão sistêmica e com pressão de oclusão da artéria pulmonar não elevada no Swan-Ganz, o que afasta sobrecarga circulatória e sustenta TRALI.

Tema central: TRALI versus TACO
Análise das alternativas
A
Errada
Embolia pulmonar não explica adequadamente o padrão descrito. Embora dispneia, taquicardia e pós-operatório possam lembrar tromboembolismo, o surgimento logo após a transfusão de estertores bolhosos bilaterais indica edema alveolar difuso, o que não é o padrão típico de embolia pulmonar. Além disso, a questão pede a complicação mais provável relacionada à transfusão, e a temporalidade favorece reação transfusional pulmonar.
B
Errada
Sepse por contaminação sanguínea costuma cursar com síndrome infecciosa e instabilidade sistêmica, especialmente febre, calafrios, hipotensão ou choque. O enunciado não traz esses achados; ao contrário, o predomínio é de insuficiência respiratória com padrão de edema pulmonar agudo. Sem febre, calafrios e toxicidade sistêmica, essa alternativa perde sustentação médica.
C
Certa
A alternativa C está correta porque o quadro é de insuficiência respiratória aguda nas primeiras horas após transfusão, com tosse seca, taquipneia, dessaturação e estertores bilaterais, caracterizando edema pulmonar por aumento de permeabilidade capilar. O dado decisivo é a hemodinâmica sem evidência de edema cardiogênico: pressão de oclusão da artéria pulmonar não elevada e ausência de sinais de hipervolemia ou congestão venosa. Esse conjunto define lesão pulmonar aguda relacionada à transfusão.
D
Errada
Sobrecarga circulatória associada à transfusão exigiria perfil de edema cardiogênico/hidrostático por hipervolemia, com pressão de enchimento elevada e sinais clínicos de congestão. Aqui ocorre o oposto do que sustentaria TACO: pressão de oclusão da artéria pulmonar não elevada, pulsos de boa amplitude, ausência de alterações em cabeça e pescoço e ausência de descrição de congestão sistêmica. Portanto, os estertores após transfusão não decorrem de excesso de volume, mas de edema pulmonar não cardiogênico.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre estertores bilaterais após transfusão e sobrecarga volêmica. O desempate real está no perfil hemodinâmico: pressão de oclusão não elevada e ausência de congestão sistêmica favorecem TRALI, não TACO.
Dica para questões semelhantes
  • Em insuficiência respiratória aguda após transfusão, primeiro integre temporalidade e padrão pulmonar: início em poucas horas com hipoxemia e estertores bilaterais aponta para reação pulmonar transfusional.
  • Para diferenciar TRALI de TACO, procure sinais de congestão e pressão de enchimento elevada; se esses dados não aparecem e a pressão de oclusão não está aumentada, pense em edema não cardiogênico.
  • Não marque embolia pulmonar apenas por pós-operatório, taquicardia e dispneia sem confrontar a semiologia pulmonar e a relação imediata com a transfusão.
  • Sepse transfusional exige quadro sistêmico infeccioso; quando o quadro é predominantemente respiratório e sem febre ou hipotensão, ela perde força.

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