O ingresso de Jean-Jacques Rousseau na república das letras...

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Q3333316 Filosofia
O ingresso de Jean-Jacques Rousseau na república das letras deu-se com a obtenção do prêmio concedido pela Academia de Dijon, que havia proposto o seguinte tema para dissertação: “O restabelecimento das ciências e das artes teria contribuído para aprimorar os costumes?’’ Ao responder negativamente a essa questão, Rousseau iria marcar uma posição bem diferente do espírito iluminista da época. “Se nossas ciências são inúteis no objeto que se propõem, são ainda mais perigosas pelos efeitos que produzem”. Antes pois de defender o processo de difusão das luzes, impõe-se perguntar sobre que tipo de saber tem norteado a vida dos seres humanos.

(Nascimento, Milton Meira do. In: Weffort, 2006. Adaptado)

A crítica às ciências e às artes, contudo, não significa uma recusa do que seria a verdadeira ciência, a qual, para Rousseau, consiste
Alternativas

Gabarito comentado

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Alternativa correta: C - no verdadeiro amor ao saber.

1. Tema central da questão

A questão aborda a crítica de Rousseau ao papel das ciências e das artes no aprimoramento moral da sociedade moderna. O foco é entender o que Rousseau considerava como "verdadeira ciência", diferenciando seu pensamento do otimismo iluminista sobre o progresso do conhecimento.

2. Resumo teórico

Para Rousseau, especialmente em seu "Discurso sobre as Ciências e as Artes", o avanço técnico e cultural não necessariamente melhora o caráter ou os costumes dos indivíduos. Ele alerta para os perigos do conhecimento superficial, defendendo que o saber autêntico é aquele que busca a verdade por amor a ela, não por vaidade ou prestígio. O "verdadeiro amor ao saber" remete ao ideal clássico da filosofia enquanto busca genuína pela sabedoria e virtude, não apenas pela erudição.

Fonte relevante: Rousseau, J.-J. "Discurso sobre as Ciências e as Artes"; Nascimento, Milton Meira do, in: Weffort, 2006.

3. Justificativa da alternativa correta

A alternativa C está correta porque traduz o pensamento de Rousseau de que a ciência legítima é aquela guiada pelo amor verdadeiro ao saber. Isso significa estudar e investigar movido por um desejo autêntico de compreender, buscando o bem e a verdade antes de qualquer reconhecimento social.

4. Análise das alternativas incorretas

  • A - conhecimento revelado: Relaciona-se à tradição religiosa, não à posição de Rousseau, que critica tanto o saber dogmático quanto o científico superficial.
  • B - opinião assertiva: Rousseau distingue saber verdadeiro de mera opinião; a opinião não garante a verdade.
  • D - prática da virtude: Embora valorize a virtude, Rousseau separa a virtude da ciência: a virtude pode existir sem ciência formal, mas a "verdadeira ciência" precisa de amor ao saber, não só da prática ética.
  • E - crença verdadeira: Crença verdadeira pode ser acidental e não baseada no amor à investigação filosófica, que é o foco de Rousseau.

5. Estratégias de interpretação

Observe sempre os termos específicos do autor citado e fuja de respostas genéricas. Termos como "opinião", "crença" ou "revelação" remetem a outras tradições filosóficas e podem ser armadilhas.

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Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

A alternativa C — “o verdadeiro amor ao saber” — está no gabarito oficial. Por quê?

A banca provavelmente interpretou essa expressão como uma forma geral e idealizada de saber — um saber voltado à ética e à verdade, e não à vaidade ou ao prestígio, como Rousseau criticava nas ciências e nas artes corrompidas.

Ou seja, ela equiparou “verdadeiro amor ao saber” a uma busca sincera e virtuosa pelo conhecimento — o que não contradiz Rousseau.

Mas a alternativa D — “na prática da virtude” — também tem fundamento?

Sim. E muito! Rousseau afirma com todas as letras que o progresso das ciências e das artes não melhora os costumes, pois o que importa de fato é a virtude moral. Ele diz, por exemplo:

“A ciência não torna o homem melhor. O homem virtuoso é aquele que vive conforme a natureza e a moral, e não aquele que acumula saberes.”

O entendimento da banca para essa questão é um tanto questionável. Deixando de lado o "amor ao saber", que está correto, e analisando a alternativa "D", a prática da virtude: se vamos à obra, à fonte primária, e não ao texto que a banca usou, de um comentador, nós percebemos que tanto a alternativa C, quanto a D estão corretas. A prática da virtude está intrínsecamente relacionada ao amor pelo saber. Inclusive, na última obra de sua vida, "Emílio", ambas estão lado a lado, de mãos dadas.

Essa questão é a típica questão que pode ser derrubada com um recurso.

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