De acordo com o conteúdo apresentado, pode-se afirmar que o...
Faces do futuro
Se há um choque de princípios que marcará a sociedade nos próximos anos é aquele entre a comodidade e a segurança, de um lado, e a privacidade, de outro.
Como mostrou reportagem do jornal The New York Times reproduzida por esta Folha, avanços no campo do reconhecimento de faces por computador lançam novos dilemas. Empresas podem reter dados faciais de seus clientes? Devem obter autorização para fazê-lo? E o que dizer do governo?
Hoje em dia, algumas companhias conseguem, usando bancos de dados gigantescos e algoritmos relativamente simples, rastrear os hábitos dos consumidores a ponto de conhecer sua intimidade. Uma rede de varejo norte-americana, por exemplo, desenvolveu um método para detectar a gravidez de suas clientes. Com a informação vieram ofertas irresistíveis.
Investidas como essas se sobrepõem a outros avanços tecnológicos, como câmeras de vigilância mais potentes e chips de cartões bancários capazes de revelar quanto o cidadão gastou e onde ele esteve. A isso se somam os drones, que localizam, e eventualmente liquidam, até quem se esconde nas áreas mais remotas do planeta.
Agências governamentais não hesitam em usar tais métodos para a bisbilhotice em massa.
Reconheça-se, porém, que a maioria das pessoas se entrega voluntariamente a essa hipervigilância – para nada dizer da superexposição vista nas redes sociais.
Cadastros na internet podem trazer, como contrapartida, ofertas personalizadas por e-mail, que representam inegável conforto. A utilização da tecnologia de ponta pelas polícias, por sua vez, aumenta a capacidade de prevenir e resolver crimes, ampliando a sensação de segurança da população.
Para que o cruzamento de ferramentas como grandes bancos de dados, reconhecimento facial, câmeras de vigilância e drones não se aproxime demais da distopia de George Orwell em 1984, é crucial que sejam criados limites.
Um bom começo seria determinar que dispositivos dessa natureza só sejam usados com a ciência do cidadão, a quem cabe decidir se quer fazer parte da trama.
(Por ‘FSP’ em 17/06/2014 na edição 803. Disponível em:
http://observatoriodaimprensa.com.br/e-noticias/_ed803_faces_do_futuro/.)
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Gabarito comentado
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Gabarito Comentado – Interpretação de Textos
Tema central: A questão avalia interpretação de texto e identificação do público-alvo conforme a tipologia textual dissertativo-argumentativa.
Justificativa da alternativa correta (A):
O texto apresentado discute criticamente o avanço da tecnologia de vigilância versus privacidade e propõe reflexões e argumentos. Segundo a tipologia textual (Cunha & Cintra), textos dissertativo-argumentativos buscam analisar fatos e argumentar sobre eles, destinando-se a leitores que desejam compreender diferentes pontos de vista e refletir criticamente. Assim, o perfil de leitor referido na alternativa A – aquele que busca análise e argumentação – está em perfeita consonância com a proposta do texto.
Análise das alternativas incorretas:
B) “Compartilham sempre da mesma opinião apresentada...”
Incorreta porque o texto incentiva a reflexão e não exige adesão automática ao posicionamento exposto. Segundo Bechara, um bom texto dissertativo proporciona debate e diversidade de opinião.
C) “Buscam informações imparciais...”
O texto não é apenas expositivo ou jornalístico-informativo (que visaria neutralidade máxima), mas apresenta argumentação e opinião, como demonstram expressões opinativas e a recomendação de limites.
D) “Grande interesse científico...”
O teor não é técnico-científico, mas sim um artigo de análise destinado ao público geral interessado em questões sociais, e não exclusivamente pesquisadores ou cientistas.
Dicas para provas:
Procure palavras e trechos que indiquem opinião, análise ou proposta (“é crucial que sejam criados limites”, “lançam novos dilemas”), típicos de textos argumentativos.
Fuja de alternativas que generalizem ou restrinjam excessivamente o público-alvo sem respaldo textual.
Resumo:
A é correta, pois o texto é argumentativo e dirigido a leitores que valorizam análise e reflexão crítica.
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Comentários
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GABARITO: LETRA A
→ Temos, em tela um texto dissertativo-argumentativo (apresenta posicionamentos pessoais e exposição de ideias apresentadas de forma lógica. Com razoável grau de objetividade, clareza, respeito pelo registro formal da língua e coerência, seu intuito é a defesa de um ponto de vista que convença o interlocutor (leitor ou ouvinte).
→ Dessa forma, o perfil de leitores ideal para a leitura do texto tem que ter como objetivo a busca pela análise de fatos, procurando textos analíticos e argumentativos.
☛ FORÇA, GUERREIROS(AS)!!
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