Leia o caso a seguir. Criança de dois anos é levada ao ambu...
Criança de dois anos é levada ao ambulatório de pediatria, devido a quadro de pneumonia de repetição. Nos últimos 12 meses, apresentou 4 episódios de pneumonia. As radiografias torácicas dos quatro episódios, mostram infiltrados na mesma topografia pulmonar.
A principal hipótese diagnóstica deste caso é
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Alternativa correta: D — corpo estranho endobrônquico.
Tema central: pneumonia de repetição em mesma topografia pulmonar em criança pequena. Esse padrão aponta para obstrução bronquial localizada, sendo o corpo estranho a causa mais comum entre 1–3 anos.
Por que a D é a melhor resposta? Em obstruções segmentares/lobares, o muco não drena, favorecendo infecção recorrente sempre no mesmo local. Crianças de 2 anos têm alto risco de aspiração (alimentos, pequenos objetos). Pistas usuais: episódio de engasgo, tosse persistente, sibilância unilateral, hiperinsuflação ou atelectasia no RX. Radiografias repetidas na mesma área são a “assinatura” da obstrução. Diretrizes SBP/UpToDate apontam broncoscopia rígida como método diagnóstico-terapêutico de escolha.
Diagnóstico – como confirmar?
- Clínica: história de engasgo, tosse/chiado unilateral, pneumonia de repetição no mesmo lobo.
- Imagem: RX PA/perfil; sinais: atelectasia, hiperinsuflação unilateral, aprisionamento aéreo em expiração/decúbito. TC apenas se dúvida.
- Padrão-ouro: broncoscopia rígida (diagnóstica e terapêutica).
Análise das alternativas incorretas:
A) Asma brônquica: causa comum de sibilância recorrente, porém o padrão é difuso. RX costuma ser normal ou com hiperinsuflação generalizada; não causa pneumonias repetidas sempre no mesmo lobo. Responde a broncodilatador/corticosteroide inalatório. (GINA/UpToDate)
B) Imunodeficiência primária: suspeitar quando há infecções repetidas em múltiplos sítios e lobos, germes incomuns, necessidade de internações/IV, falha de crescimento, diarreia crônica ou candidíase persistente. A recorrência focal não é típica. (ESID/Jeffrey Modell)
C) Fibrose cística: cursa com infecções respiratórias crônicas e bronquiectasias difusas, além de má absorção, esteatorreia, déficit ponderoestatural; triagem neonatal e teste do suor ajudam no diagnóstico. Não explica pneumonias sempre na mesma topografia. (SBP/CF Foundation)
Conduta prática (prova e vida real):
- Mesma topografia = pense em obstrução (corpo estranho é a mais provável aos 2 anos).
- Solicite RX inspiratório/expiratório; se suspeita elevada, não atrase a broncoscopia.
- Antibiótico trata o episódio agudo, mas a resolução definitiva exige remoção endoscópica do corpo estranho.
Pegadinha clássica: “pneumonia de repetição” costuma lembrar imunodeficiência/FC; entretanto, o detalhe na mesma topografia muda o raciocínio para obstrução localizada.
Referências essenciais: SBP – Pneumonia e aspiração de corpo estranho; UpToDate – Foreign body aspiration in children.
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