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Q2382711 Medicina
Leia o caso a seguir.


Adolescente, 13 anos, portador de anemia falciforme, é levado pelos pais para atendimento em uma unidade de pronto socorro. O paciente vem apresentando sintomas gripais e febre elevada há 48h. Durante o período em que permanece em observação apresenta queda na saturação de hemoglobina (90%) e dor torácica. O pediatra realiza exame físico e constata durante exame, ausculta pulmonar: diminuída de forma discreta à esquerda e frequência cardíaca: normal.


A hipótese diagnóstica e a conduta mais provável para esse quadro são, respectivamente: 
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Tema central: complicação respiratória na anemia falciforme — reconhecimento e manejo da síndrome torácica aguda (STA).

Raciocínio clínico: Adolescente com anemia falciforme, febre alta, sintomas gripais, dor torácica e hipoxemia (SatO₂ 90%). Esses achados, em conjunto, apontam fortemente para STA. Embora o critério clássico inclua novo infiltrado pulmonar em radiografia associado a febre e/ou sintomas respiratórios, na prática de prova e emergência, a combinação de febre + dor torácica + hipoxemia em paciente falcêmico deve ser considerada STA até prova em contrário. A ausculta discretamente diminuída é compatível.

Fisiopatologia resumida: infecção/hipoventilação → vaso-oclusão e sequestro em microcirculação pulmonar → inflamação e hipoxemia → mais falcização e piora do quadro (ciclo vicioso).

Conduta recomendada (guidelines NHLBI 2014; ASH/UpToDate; Harrison):

  • Internação e monitorização contínua.
  • Oxigênio para manter SatO₂ > 94–95%, espirometria de incentivo.
  • Analgesia adequada (evitar hipoventilação por sedação excessiva), hidratação moderada.
  • Antibioticoterapia precoce: cobertura para germes típicos e atípicos (ex.: ceftriaxona/cefotaxima + azitromicina).
  • Transfusão de hemácias: simples se queda de Hb ou hipoxemia; troca se grave (hipoxemia progressiva, infiltrado multilobar, rebaixamento do sensório).
  • Solicitar RX de tórax, hemograma/reticulócitos, gasometria, hemoculturas; broncodilatador se sibilância.

Alternativa correta: DSíndrome torácica aguda; internação, analgesia, antibiótico e transfusão. Corresponde ao manejo padrão e salva-vidas quando há hipoxemia e sinais infecciosos.

Por que as outras estão erradas?

  • A) Embolia pulmonar + heparina profilática: EP é possível em falcêmicos, mas o quadro típico aqui é de STA. Além disso, profilaxia não trata EP; seria dose terapêutica após suspeita fundada/confirmada (erro de conduta).
  • B) Embolia pulmonar + heparina plena: Falta elemento-chave para priorizar EP (p.ex., sinais de TVP, taquicardia importante, desencadeante trombótico). A presença de febre e sintomas gripais favorece STA. Anticoagular primariamente desviaria do tratamento essencial (antibiótico, transfusão).
  • C) STA; observação 24h e evitar transfusão: Inadequado. Há hipoxemia, o que exige internação, antibiótico e considerar transfusão. Evitar transfusão pode piorar desfecho.

Dica de prova (pegadinha): Em anemia falciforme + febre + dor torácica/hipoxemia, pense STA primeiro. Não espere RX para iniciar oxigênio e antibiótico. Transfusão precoce quando indicado reduz progressão.

Referências rápidas: NHLBI Sickle Cell Disease Guidelines (2014); ASH Guidelines/UpToDate – Acute Chest Syndrome; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Gabarito: D

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A síndrome torácica aguda é uma complicação grave da anemia falciforme, e é caracterizada por sintomas respiratórios agudos associados a infiltrados pulmonares novos em um paciente com anemia falciforme. Neste cenário apresentado, o paciente tem história de sintomas gripais, febre alta, queda na saturação de oxigênio e dor torácica, todos indicativos desse quadro. A ausculta pulmonar diminuída contribui para a suspeita de um processo que afeta o pulmão. A conduta mais apropriada, como descrito na alternativa D, envolve internação para monitoramento e tratamento, analgesia para controle da dor, antibioticoterapia para tratar ou prevenir uma possível infecção bacteriana – que pode ser a causa ou uma consequência da síndrome torácica – e transfusão de hemácias para melhorar a oxigenação e diminuir a concentração de hemácias falciformes. A embolia pulmonar pode ter apresentação clínica semelhante, mas é menos comum em crianças e a história de anemia falciforme e sintomas gripais apoiam mais a hipótese de síndrome torácica aguda. A observação por 24 horas sem intervenção ativa (alternativa C) poderia resultar em deterioração do quadro do paciente, enquanto a anticoagulação (alternativas A e B) não é o tratamento principal para a síndrome torácica aguda e seria mais indicada para casos de embolia pulmonar confirmada.

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