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Q2418489 Medicina

Com os avanços dos conhecimentos da biologia molecular tumoral, há uma demanda cada vez maior pela chamada “medicina de precisão”, com impacto no desenho dos protocolos de pesquisa.


A respeito da inclusão, nos ensaios clínicos, de uma biopsia de tecido tumoral, adicional, a ser utilizada apenas para fins de pesquisa, analise as afirmativas a seguir e assinale (V) para averdeira e (F) para a falsa.


( ) A biopsia adicional para fins de pesquisa pode ser utilizada para avaliar o efeito da terapia ou para fazer associação entre biomarcadores (ou alterações em alguns deles) de acordo com algum tratamento específico ou com o desfecho clínico.

( ) A biopsia adicional para fins de pesquisa é, na maioria das vezes, fundamental para a avaliação do objetivo primário em estudos com novas drogas.

( ) Uma vez que a biopsia adicional, para fins de pesquisa, não oferece benefícios para os participantes, é importante que sejam minimizados os riscos para os mesmos.


As afirmativas são, na ordem apresentada, respectivamente,

Alternativas

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Tema central da questão: A questão aborda a ética e aplicabilidade da biópsia tumoral adicional para fins de pesquisa em ensaios clínicos oncológicos, conceito fundamental para o exercício da oncologia clínica moderna, especialmente diante da ascensão da medicina de precisão.

Justificativa para a alternativa correta (A – V, F, V):

1ª afirmativa (V): A biópsia adicional, feita exclusivamente para pesquisa, pode sim ser empregada para monitorar o efeito de terapias sobre o tumor, além de permitir a busca e correlação de biomarcadores e mudanças moleculares de acordo com abordagens terapêuticas específicas ou desfechos clínicos. Essa prática é destacada em revisões recentes (UpToDate, “Principles of cancer clinical trials”) e é um pilar no desenvolvimento de terapias personalizadas.

2ª afirmativa (F): A biópsia adicional costuma não ser fundamental para o objetivo primário em ensaios de novas drogas. Normalmente, o objetivo primário é a sobrevida global, resposta tumoral ou eventos clínicos – avaliados por métodos não-invasivos. Biópsias adicionais servem geralmente para desfechos secundários ou exploratórios. Segundo a RDC 945/2024 da Anvisa: “Procedimentos invasivos adicionais só devem ser realizados quando devidamente justificados e aprovados pelo comitê de ética”, ressaltando sua não obrigatoriedade à avaliação central do estudo.

3ª afirmativa (V): Consoante o Relatório Belmont e a RDC 945/2024, como o procedimento não traz benefício direto ao participante, todo risco derivado da biópsia extra deve ser rigorosamente minimizado. Isso implica consentimento informado claro, avaliação criteriosa da indicação e acompanhamento rigoroso.

Análise das alternativas incorretas:

  • Alternativas B, C, D, E: Todas classificam erroneamente pelo menos uma das proposições, especialmente ao inferir como obrigação central o uso da biópsia adicional (erro comum do candidato!) ou subestimar seu potencial científico e os cuidados éticos necessários.

Orientação para provas: Atenção com expressões absolutas (“fundamental”, “sempre”) e distinção entre o que é cientificamente valioso e o que é obrigatório para aprovação ética. Use sempre como referência as diretrizes nacionais (Anvisa, MS) e internacionais (OMS, Relatório Belmont).

Resumo fundamentado: Apesar da enorme utilidade científica da biópsia adicional na oncologia moderna, seu uso deve ser sempre ético, seguro e não compulsório para entrar em protocolos clínicos, salvo justificativa robusta.

Gabarito: Alternativa A (V – F – V).

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