Homem, 62 anos, tabagista (40 maços–ano), procura a APS com ...

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Q3949160 Medicina
Homem, 62 anos, tabagista (40 maços–ano), procura a APS com queixa de queda progressiva da pálpebra direita há cerca de 3 semanas. Relata diminuição da sudorese facial ipsilateral e dor contínua em região cervical baixa, irradiando para o ombro direito. Nega cefaleia súbita, trauma cervical, esforço físico recente ou dor pulsátil. Não apresenta alterações da fala, força ou sensibilidade. Ao exame físico, observa-se ptose palpebral leve, miose ipsilateral e anidrose facial, sem outros déficits neurológicos. Ausculta pulmonar sem alterações evidentes. Considerando o quadro clínico apresentado, qual é o diagnóstico mais provável?
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: A presença de síndrome de Horner ipsilateral (ptose leve, miose e anidrose facial) associada a dor contínua em região cervical baixa irradiando para o ombro, em homem de 62 anos tabagista importante, aponta para acometimento simpático por tumor apical pulmonar. Esse conjunto clínico é o critério médico que sustenta tumor de Pancoast como diagnóstico mais provável.

Tema central: Síndrome de Horner por Pancoast
Análise das alternativas
A
Errada
Dissecção da artéria carótida interna pode causar Horner doloroso, mas o quadro do enunciado é menos compatível com essa hipótese e mais sugestivo de lesão apical pulmonar: evolução subaguda, dor em cervical baixa irradiando para ombro e tabagismo importante. A base favorece Pancoast como causa mais provável dentro desse padrão clínico.
B
Certa
Tumor de Pancoast é a alternativa compatível com a base: a síndrome de Horner decorre de interrupção da via oculossimpática e, no contexto de tumor apical pulmonar, pode surgir por invasão da cadeia simpática cervicotorácica. Aqui, a tríade de Horner está presente e se associa à dor em ombro/cervical baixa em um grande tabagista, combinação clássica de lesão apical pulmonar. A ausculta pulmonar normal não afasta essa hipótese.
C
Errada
Síndrome de Horner idiopática é diagnóstico de exclusão. A questão traz elementos que sugerem causa secundária estrutural, especialmente dor regional e tabagismo importante em idoso, o que torna essa alternativa menos provável.
D
Errada
Acidente vascular cerebral isquêmico é menos compatível com o caso, porque a base destaca ausência de alterações de fala, força e sensibilidade e evolução subaguda ao longo de semanas. Além disso, a dor cervical baixa irradiada para o ombro favorece outra topografia lesional.
E
Errada
Neuropatia autonômica periférica costuma produzir disautonomia difusa, e não uma síndrome de Horner focal unilateral. A localização dos achados na via simpática ocular, somada à dor em ombro/cervical, favorece lesão local e não neuropatia autonômica periférica.
Pegadinha da questão
A banca explora a diferença entre reconhecer síndrome de Horner e identificar sua causa mais provável: embora Horner doloroso lembre dissecção carotídea, a dor em ombro/cervical baixa, a evolução subaguda e o tabagismo pesado apontam para tumor de Pancoast; a ausculta pulmonar normal não exclui tumor apical.
Dica para questões semelhantes
  • Se houver ptose leve + miose + anidrose facial, localize primeiro como síndrome de Horner pela interrupção da via simpática ocular.
  • Quando Horner vier junto de dor em ombro ou base do pescoço, pense em lesão apical pulmonar com acometimento da cadeia simpática cervicotorácica.
  • Em Horner doloroso, contraste o padrão agudo vascular com o padrão expansivo subagudo; neste tipo de questão, dor cervicobraquial/ombro em grande tabagista favorece Pancoast.
  • Não descarte tumor apical apenas porque a ausculta pulmonar está normal.

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