Homem, 58 anos, tabagista com história de 30 maços/ano, apr...

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Q4111862 Medicina

Homem, 58 anos, tabagista com história de 30 maços/ano, apresenta dor torácica e dispneia progressiva há duas semanas. Ele também relata febre alta e produção de escarro purulento. A radiografia de tórax revela um derrame pleural à direita. No exame físico, notam-se estertores na base pulmonar direita e baqueteamento digital. Seguem dados da análise do líquido obtido pela torcacentese diagnóstica: pH de 6,9, glicose de 30 mg/dL e bacterioscopia revelando cocos Gram-positivos. Não há células neoplásicas identificadas.



Assinale a alternativa que apresenta a abordagem terapêutica inicial mais apropriada para esse paciente.

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: No contexto de pneumonia bacteriana, o líquido pleural com pH 6,9, glicose de 30 mg/dL e bacterioscopia positiva para cocos Gram-positivos caracteriza derrame parapneumônico complicado/empiema, situação em que a conduta inicial é drenagem pleural em tubo associada a antibióticos intravenosos.

Tema central: Empiema pleural
Análise das alternativas
A
Errada
Pleurodese química não trata infecção pleural ativa. Seu papel é prevenir recorrência de derrames, especialmente em outros contextos, como derrame maligno recorrente ou pneumotórax recorrente. Aqui, o problema é coleção pleural infectada com critérios bioquímicos e microbiológicos de complicação, o que exige drenagem e antibióticos, não obliteração do espaço pleural como medida inicial.
B
Certa
A alternativa B é a correta porque o caso não descreve apenas pneumonia com derrame reacional, mas infecção pleural complicada. Os achados decisivos são pH pleural muito baixo, glicose pleural reduzida e Gram positivo no líquido, que sustentam derrame parapneumônico complicado/empiema. Nessa situação, antibiótico isolado não resolve adequadamente o foco infeccioso, sendo necessária drenagem do espaço pleural, e a via intravenosa é a apropriada no início pela gravidade do quadro.
C
Errada
Toracotomia de emergência é inadequada como abordagem inicial de rotina neste cenário. O princípio terapêutico é escalonado: primeiro drenagem pleural fechada associada a antibióticos; cirurgia maior fica reservada para falha da drenagem, loculações complexas ou evolução desfavorável. Partir diretamente para toracotomia ignora a etapa inicial menos invasiva e indicada.
D
Errada
Antibióticos por via oral são insuficientes diante de infecção pleuropulmonar complicada com necessidade de internação e controle imediato do foco. Além disso, corticosteroides sistêmicos não constituem a abordagem inicial padrão do empiema e não substituem drenagem. Manter coleção pleural infectada sem drenagem é conduta tecnicamente inadequada e potencialmente perigosa.
Pegadinha da questão
A banca tenta desviar para neoplasia pelo tabagismo e pelo baqueteamento digital, mas o que decide a questão é a análise do líquido pleural: pH muito baixo, glicose baixa e Gram positivo definem infecção pleural complicada e impõem drenagem com antibiótico intravenoso.
Dica para questões semelhantes
  • Em derrame pleural associado à pneumonia, procure os marcadores que mudam a conduta: pH < 7,2, glicose baixa e Gram/cultura positivos apontam para necessidade de drenagem.
  • Nem todo derrame parapneumônico precisa de dreno; o dreno passa a ser indicado quando há critério de complicação do espaço pleural.
  • Empiema se trata com dois pilares iniciais: controle do foco pleural por drenagem e antibioticoterapia sistêmica, preferencialmente intravenosa no quadro grave.
  • Cirurgia aberta não é resposta automática para empiema; ela entra como escalonamento quando a drenagem inicial não resolve ou o caso já está mais complexo.

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