Homem, 64 anos, tabagista de um maço de cigarros ao dia, co...
Homem, 64 anos, tabagista de um maço de cigarros ao dia, compareceu à consulta médica ambulatorial por insistência da esposa, que relatou ao médico que seu marido não obedece às orientações para o tratamento de hipertensão, que permanece mal controlada. Refere que não faz medidas habituais da pressão arterial e não pratica atividade física, mas encontra-se assintomático. Exame físico: valores de pressão arterial = 160 x 100 mmHg a 170 x 110 mmHg. Exames laboratoriais: creatinina sérica = 2,10 mEq/L; taxa de filtração glomerular estimada = 45 mL/min/1,73 m2 ; hipercolesterolemia com LDL = 180 mEq/L; triglicerídeos = 245 mg/dL; HDL = 29 mg/dL. Em uma amostra de urina a relação albumina/creatinina foi de 100 mg/g. Foram evidenciados, ainda, os seguintes resultados: paratormônio = 180 pg/mL (VR 18,5 a 88,0 pg/mL); fósforo sérico = 5,6 mg/dL (VR = 2,5 – 4,5 mg/dL).
Em relação ao caso apresentado, assinale a alternativa
correta.
Gabarito comentado
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Tema central: Doença renal crônica (DRC) com estadiamento pelo eGFR, impacto da albuminúria e da dislipidemia na progressão da DRC e no risco cardiovascular, além do manejo de hiperfosfatemia e PTH elevado (DRC-MBD) e controle pressórico.
Alternativa correta: B — Justificativa: A albuminúria (100 mg/g) é forte preditor e acelerador da progressão da DRC e de eventos cardiovasculares. A dislipidemia aterogênica (LDL alto, HDL baixo, TG elevados) associa-se à lesão glomerular e tubular e está relacionada a declínio mais rápido do eGFR; seu controle é recomendado, sobretudo pelo benefício cardiovascular, com potencial impacto renal. Diretrizes KDIGO (Avaliação da DRC 2024) e UpToDate ressaltam a albuminúria como fator modificador de risco de progressão; KDIGO Lipids 2013/2021 indica estatina em DRC ≥50 anos pela alta carga aterosclerótica.
Como reconhecer na prova: identifique o eGFR 45 (DRC G3a) e a albuminúria A2 (30–300 mg/g). Veja também PTH alto e fósforo elevado sugerindo distúrbio mineral e ósseo da DRC.
A) Incorreta. Fósforo elevado com PTH alto indica hiperfosfatemia e hiperparatireoidismo secundário. KDIGO CKD-MBD (2017/2022) recomenda redução da carga de fósforo (dieta) e considerar quelantes de fósforo quando a fosfatemia estiver persistentemente acima do normal. Dizer que “não há necessidade” é contrário às diretrizes.
C) Incorreta. DRC estágio 2 requer eGFR 60–89 mL/min/1,73m² com dano renal. Com eGFR ~45, o estágio é G3a. Além disso, há albuminúria A2, reforçando DRC estabelecida. Referência: KDIGO 2024 (classificação G1–G5, A1–A3).
D) Incorreta. Manter PA alta “para perfusão” é pegadinha. Em DRC, controlar PA reduz progressão e eventos CV. Metas: PAS <120 mmHg se medida padronizada e tolerada (KDIGO 2021) ou <130/80 mmHg (ACC/AHA 2017). IECA/BRA são preferidos quando há albuminúria.
E) Incorreta. DRC com eGFR <60 confere alto/altíssimo risco cardiovascular. LDL muito elevado e tabagismo ampliam o risco. Diretrizes KDIGO Lipids e SBC/ESC/EAS recomendam estatina (frequentemente alta intensidade; considerar ezetimiba) e metas rigorosas de LDL em risco muito alto. Portanto, intervenção lipídica é mandatória.
Dicas de prova: - Sempre estadie a DRC por eGFR e albuminúria (G e A). - PTH e fósforo ajudam a detectar DRC-MBD. - Rejeite a ideia de “PA alta protege rim”. - Em DRC ≥50 anos, pense em estatinas independente do LDL isolado (KDIGO).
Referências: KDIGO 2024 (Avaliação e Manejo da DRC); KDIGO 2017/2022 (CKD-MBD); KDIGO 2013/2021 (Lípides); KDIGO 2021 (Pressão arterial); ACC/AHA 2017; SBC Dislipidemias; Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate.
Gabarito: B
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