Mulher, 18 anos teve diagnóstico de tromboembolismo venoso ...

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Q1050767 Medicina

Mulher, 18 anos teve diagnóstico de tromboembolismo venoso há 9 meses, quando foi medicada com varfarina durante 3 meses. Após 2 meses da suspensão da medicação, apresentou tromboembolismo pulmonar e tratada com heparina na fase aguda. Na alta hospitalar foi orientada a usar rivaroxabana 20 mg/dia, por tempo indeterminado. Após 3 meses do início desta medicação, constatou-se aparecimento de edema de membros inferiores. Nega tabagismo, etilismo, uso de anticoncepcional ou de qualquer outra medicação concomitante. Não há histórico de doenças autoimunes ou trombose na família. Exames laboratoriais: ureia = 29 mg/dL; creatinina = 0,8 mg/dL; colesterol total = 380 mg/dL; triglicerídeos = 290 mg/dL; albumina = 2,2 g/dL. A urina tipo I evidenciou a presença de proteinúria 4+.


Com base nos dados clínicos e laboratoriais, assinale a afirmativa correta.

Alternativas

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Vamos analisar a questão apresentada, que envolve uma jovem de 18 anos com tromboembolismo venoso e subsequente tromboembolismo pulmonar. A situação clínica sugere a possibilidade de uma trombofilia associada à presença de síndrome nefrótica, indicada pelos achados laboratoriais de proteinúria 4+ e hipoalbuminemia.

A alternativa correta é a Alternativa C: Pacientes portadores da mesma doença que acomete essa paciente podem apresentar resistência à terapia com heparina, em decorrência da grave deficiência de antitrombina acompanhante.

Justificativa para a Alternativa C:

A síndrome nefrótica pode levar a uma deficiência de antitrombina III, um inibidor natural da coagulação, devido à perda urinária dessa proteína. Isso pode causar resistência à heparina, pois a antitrombina III é necessária para que a heparina exerça seu efeito anticoagulante. Essa condição predispõe a eventos trombóticos, como observado na paciente. Segundo as diretrizes de medicina interna, a perda de proteínas como a antitrombina III na síndrome nefrótica é um conhecido fator de risco para trombose.

Análise das Alternativas Incorretas:

Alternativa A: A investigação de trombofilia geralmente não é feita durante um evento agudo de trombose, pois pode levar a resultados inconclusivos. Além disso, na prática clínica, essa investigação é geralmente reservada para casos com forte suspeita clínica ou histórico familiar significativo.

Alternativa B: Dabigatrana não é necessariamente a primeira escolha. A escolha do anticoagulante depende de vários fatores, incluindo contraindicações, função renal e preferências do paciente. A rivaroxabana, utilizada no caso, é uma alternativa válida e frequentemente utilizada.

Alternativa D: O diagnóstico de síndrome nefrótica não pode ser descartado devido à presença de hipoalbuminemia e proteinúria significativa (proteinúria 4+), que são critérios diagnósticos clássicos para essa condição. A síndrome nefrótica está associada a um risco aumentado de eventos trombóticos.

Alternativa E: A hipoalbuminemia não é uma causa direta dos eventos embólicos, mas sim uma manifestação da síndrome nefrótica, que pode levar a um estado de hipercoagulabilidade devido à perda de fatores anticoagulantes como antitrombina III.

Portanto, a correta compreensão da fisiopatologia da síndrome nefrótica e suas complicações trombóticas foi essencial para identificar a resposta correta.

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Comentários

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A alternativa C é a afirmativa correta neste caso. A paciente apresenta um quadro de recorrência de tromboembolismo venoso, mesmo após o uso de anticoagulantes. Isso pode ocorrer em pacientes com deficiência de antitrombina, o que interfere na eficácia do tratamento com heparina. A proteinúria presente no exame de urina sugere a possibilidade de uma nefropatia, que também é um fator de risco para eventos trombóticos. Portanto, a suspeita de deficiência de antitrombina deve ser considerada e investigada nesse caso. A dabigatrana não é o anticoagulante de primeira escolha para esse tipo de paciente, e a hipoalbuminemia não é a causa principal dos eventos embólicos.

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