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Q3457906 Medicina
Caso: Homem de 62 anos está internado há 2 dias em enfermaria clínica devido à fratura de pé direito. Ele é tabagista e possui histórico de consumo diário de bebidas alcoólicas em grande quantidade (cerca de 1 litro de destilado/dia), com último consumo no dia anterior à admissão hospitalar. Evolui, no segundo dia de internação, com agitação psicomotora importante, tremores grosseiros de extremidades, sudorese profusa, febre baixa (37,8°C axilar), taquicardia (FC 120 bpm), hipertensão (PA 160x100 mmHg) e refere estar vendo “bichos” no quarto e ouvindo vozes ameaçadoras.
Em relação ao tratamento medicamentoso desse paciente, assinale a conduta farmacológica inicial mais adequada:
Alternativas

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Tema central: Síndrome de abstinência alcoólica grave (delirium tremens) com hiperatividade autonômica (taquicardia, hipertensão, sudorese, febre baixa), tremores e alucinações 48h após suspensão do álcool. Fisiopatologia: redução brusca do efeito GABAérgico e aumento de atividade glutamatérgica (NMDA) → hiperexcitabilidade do SNC (Harrison’s; UpToDate).

Conduta farmacológica inicial correta: Diazepam 10 mg EV (Alternativa A). Benzodiazepínicos são primeira linha por reporem a atividade GABA e controlarem agitação, alucinações e prevenirem convulsões. Preferir via EV pela titulação rápida: 10–20 mg EV, repetir a cada 5–10 min até sedação leve/controle dos sinais (protocolos baseados em sintomas, ex.: CIWA-Ar). Evidências e diretrizes: Harrison’s, UpToDate, ASAM 2020. Associar medidas: tiamina 100 mg EV antes de glicose, correção de hidroeletrólitos (K, Mg, P), hidratação e vigilância.

Por que as outras opções estão incorretas?

B – Haloperidol 5 mg EV: antipsicótico não trata a causa da abstinência, reduz limiar convulsivo e pode prolongar QT. Pode ser apenas adjuvante em refratariedade de sintomas psicóticos, sempre após benzodiazepínico e com monitorização (ASAM; UpToDate).

C – Haloperidol 5 mg IM: mesmas limitações do EV e absorção IM mais lenta/errática em paciente agitado. Não é primeira linha e pode piorar o risco de convulsões.

D – Clorpromazina 25 mg IM: fenotiazina com forte bloqueio alfa → risco de hipotensão, anticolinérgico (piora delirium), e reduz limiar convulsivo. Contraindicada como monoterapia na abstinência.

E – Midazolam 10 mg IM: benzodiazepínico, porém IM tem absorção imprevisível e risco de depressão respiratória, especialmente em etilista; preferir EV de ação longa (diazepam) ou lorazepam EV se insuficiência hepática. Não é a conduta inicial ideal.

Estratégia para acertar na prova: identifique os marcadores de abstinência grave (48–96h, alucinações, instabilidade autonômica) e escolha benzodiazepínico EV como primeira linha. Antipsicóticos apenas como adjuvantes. Não esqueça tiamina antes de glicose e correção eletrolítica. Cuidado com a “pegadinha” do haloperidol pela agitação/psicose.

Gabarito: A – Diazepam 10 mg EV.

Referências essenciais: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate – Management of moderate and severe alcohol withdrawal syndromes; ASAM Clinical Practice Guideline on Alcohol Withdrawal (2020).

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