As doenças crônicas transmissíveis podem apresentar diferen...
Gabarito comentado
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Tema central: Hanseníase como doença crônica transmissível. A cronicidade decorre do crescimento muito lento do Mycobacterium leprae em tecidos de menor temperatura, sobretudo nervos periféricos e pele, o que prolonga incubação, curso clínico e período potencial de transmissibilidade.
Alternativa correta: D — O M. leprae tem tempo de duplicação longo (≈12–14 dias) e capacidade de invadir células de Schwann, sobrevivendo intracelularmente e multiplicando-se lentamente em tecidos periféricos (pele, mucosa nasal e nervos). Isso explica: (1) incubação prolongada (anos), (2) evolução crônica e (3) potencial disseminação comunitária em casos multibacilares não tratados, devido à eliminação bacilar pela mucosa nasal. Referências: OMS – Guidelines for the diagnosis, treatment and prevention of leprosy; Harrison’s; UpToDate.
Por que as demais estão incorretas?
A – “Alto poder citotóxico com morte celular aguda”: a hanseníase não cursa com citotoxicidade aguda. O dano neural é imuno-mediado e por invasão de células de Schwann, num processo granulomatoso crônico, não por lise celular fulminante. Logo, não explica a cronicidade.
B – “Ausência de resposta imune e manifestações fulminantes”: não há ausência completa de imunidade. O espectro clínico depende da imunidade celular: tuberculoide (Th1 forte, paucibacilar) versus lepromatosa (Th2, multibacilar). Mesmo na forma lepromatosa, o curso é crônico, não fulminante.
C – “Transmissão vertical predominante”: a transmissão principal é por gotículas respiratórias em contato íntimo e prolongado com casos multibacilares não tratados. Transmissão vertical é rara e não explica a disseminação comunitária. Diretrizes do MS/OMS confirmam.
Dicas de prova (como chegar à D): Palavras-chave como “multiplicar-se lentamente”, “tecidos periféricos” e “nervos” apontam para a fisiopatologia típica do M. leprae. Desconfie de termos como “fulminante”, “citotóxico agudo” ou “transmissão vertical” — não são características da hanseníase.
Conexão com a prática: Diagnóstico é clínico-epidemiológico: lesões cutâneas com hipo/anestesia, espessamento neural e/ou baciloscopia positiva (OMS/MS). Tratamento com PQT (rifampicina, dapsona, clofazimina) torna o paciente rapidamente não infeccioso, reduzindo a disseminação comunitária.
Fontes: OMS (Guidelines for the Diagnosis, Treatment and Prevention of Leprosy), Ministério da Saúde – Guia de Vigilância em Saúde (Hanseníase), Harrison’s Principles of Internal Medicine, UpToDate.
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