Paciente masculino, 23 anos, com anemia microcítica com Hb...
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Gabarito: A — Beta talassemia menor (traço beta-talassêmico)
Tema central: anemia microcítica hereditária. A combinação de microcitose importante com RDW normal desde a infância e eletroforese com HbA2 elevada (≈6%) e HbF discretamente aumentada (≈2%) é típica de beta talassemia menor.
Por que a alternativa A é correta? Na beta talassemia menor há redução parcial da síntese de cadeias β, levando a microcitose desproporcional ao grau de anemia. Como compensação, aumenta a produção de cadeias δ e γ, elevando HbA2 (>3,5%) e, em menor grau, HbF. O quadro costuma ser assintomático, com Hb levemente reduzida, RDW normal e microcitose desde a infância. Esses achados são clássicos em diretrizes e textos de referência (Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate).
Fisiopatologia resumida: a diminuição das cadeias β reduz a HbA; o organismo compensa com aumento de HbA2 (α2δ2) e HbF (α2γ2). Resultado: VCM baixo, HbA2 elevada, HbF levemente elevada, com anemia leve e estável.
Como diferenciar na prática (estratégia de prova): • RDW: normal na talassemia; geralmente alto na anemia ferropriva. • Eletroforese: HbA2 alta sugere traço β-talassêmico; normal na α-talassemia e ferropriva. • Evolução: desde a infância na talassemia; ferropriva costuma ser adquirida. • Lembre: confirmar ferro sérico/ferritina para descartar deficiência concomitante.
Análise das alternativas incorretas:
B — Beta talassemia maior: curso grave, anemia importante desde primeiros meses de vida, dependência transfusional, HbF muito elevada e HbA ausente ou mínima. Incompatível com quadro leve e HbA predominante.
C — Anemia ferropriva: costuma ter RDW elevado, ferritina baixa e HbA2 normal ou baixa. A presença de HbA2 = 6% praticamente exclui ferropriva isolada (diretrizes OMS/UpToDate). Pode haver “pegadinha” de ferropriva mascarando HbA2, mas aqui o RDW normal e a HbA2 alta reforçam talassemia.
D — Traço falcêmico: a eletroforese mostraria HbS (≈35–40%) com HbA reduzida. Não há HbS descrita; HbA2 elevada não é achado do traço falcêmico.
E — Traço alfa talassêmico: cursa com microcitose e, muitas vezes, RDW normal, porém a eletroforese é tipicamente normal (HbA2 não se eleva). HbA2 = 6% afasta α-talassemia.
Dicas finais de prova: • HbA2 > 3,5% é a pista-chave para traço β-talassêmico. • Em dúvida, peça ferritina; se baixa, trate ferro e repita a eletroforese. • Lembre que a microcitose é desproporcional ao grau de anemia na talassemia.
Referências: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate (Beta-thalassemia: clinical manifestations and diagnosis); OMS – manejo de anemias microcíticas.
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Comentários
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O quadro clínico e os achados laboratoriais são compatíveis com beta-talassemia menor, que é uma forma leve da doença em que há uma produção reduzida de hemoglobina beta. A eletroforese mostra um aumento de HbA2 (6%), o que é característico da talassemia beta. A HbF (2%) também está levemente elevada, o que é esperado nesse tipo de talassemia. A anemia microcítica com VCM baixo (66) e RDW normal desde a infância são características adicionais.
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