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Q4238647 Medicina
Gestante, 42 anos de idade, primigesta, com antecedente de hipertensão arterial sistêmica (diagnosticada há 5 anos), obesidade com IMC pré-gestacional de 38 kg/m2. Manteve bom controle pressórico durante a gestação com uso de metildopa 1 g/dia. Na consulta de pré-natal, com idade gestacional de 29 semanas, apresentava peso de 102 kg, PA de 134×84 mmHg e ausência de edema nos membros inferiores. Na consulta seguinte, com 32 semanas, queixou-se de “inchaço nas mãos e nos pés”. Nessa ocasião, apresentava peso de 106,5 kg, PA de 146×94 mmHg e edema 2+ em membros inferiores e mãos. 
Com relação às condutas a serem tomadas para o quadro apresentado, assinale a alternativa correta. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: Gestante com hipertensão arterial crônica previamente controlada que, após 20 semanas, passa a apresentar piora pressórica e edema novo deve ser abordada como suspeita de pré-eclâmpsia superposta; nessa situação, a conduta inicial é investigar proteinúria e lesão de órgão-alvo materna, com vigilância materno-fetal, e a resolução da gestação, se não houver sinais de gravidade, é indicada a partir de 37 semanas. Isso sustenta o gabarito A.

Tema central: Pré-eclâmpsia superposta
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A é a correta porque enquadra o caso como síndrome hipertensiva da gestação sobreposta à HAS crônica, e não como simples descontrole pressórico. Por isso, solicita a propedêutica que realmente importa nesse cenário: hemograma, creatinina, transaminases, DHL, bilirrubinas e proteinúria de 24 horas, que pesquisam acometimento hematológico, renal, hepático e hemólise. Também mantém conduta expectante até 37 semanas na ausência de gravidade, que é o momento compatível com pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade documentados no enunciado. O ajuste da metildopa é compatível com o manejo da hipertensão na gestação.
B
Errada
Erra na propedêutica. Embora proponha internação e parto com 37 semanas, não investiga adequadamente o problema central, porque prioriza ureia, eletrólitos, cálcio iônico e ácido úrico, mas omite os exames decisivos para suspeita de pré-eclâmpsia superposta e avaliação de gravidade: hemograma/plaquetas, transaminases, DHL, bilirrubinas e quantificação de proteinúria. Exame de urina tipo I e ácido úrico não substituem essa investigação.
C
Errada
Subestima o quadro ao propor apenas retorno ambulatorial em 1 semana diante de gestante de alto risco com piora pressórica após 20 semanas e edema novo, situação que exige avaliação mais estreita para pré-eclâmpsia superposta. Além disso, a investigação laboratorial é inadequada pelos mesmos motivos da alternativa B: não pesquisa de forma apropriada proteinúria nem repercussão hepática e hematológica. A introdução de anlodipino não corrige essa falha central; pela base, esse não é o ponto decisivo da questão.
D
Errada
Os exames são compatíveis com a investigação correta de pré-eclâmpsia superposta, mas a alternativa falha em dois pontos de conduta. Primeiro, reduz o acompanhamento a retorno ambulatorial, quando a leitura adotada pelo gabarito é de internação inicial para avaliação materno-fetal. Segundo, programa resolução com 34 semanas mesmo sem novos comemorativos; esse marco se relaciona a pré-eclâmpsia com sinais de gravidade ou deterioração materno-fetal, o que não está presente no enunciado. Sem gravidade documentada, a resolução é em 37 semanas.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre tratar o caso como simples piora da HAS crônica e reconhecer suspeita de pré-eclâmpsia superposta. Outra armadilha é aceitar exames inespecíficos, como ácido úrico e eletrólitos, no lugar da propedêutica que avalia proteinúria, plaquetas, função renal, hepática e hemólise, além de antecipar parto para 34 semanas sem critério de gravidade.
Dica para questões semelhantes
  • Em hipertensa crônica, piora pressórica após 20 semanas deve acionar investigação de pré-eclâmpsia superposta, não apenas ajuste de anti-hipertensivo.
  • Na suspeita de doença hipertensiva da gestação, os exames centrais são proteinúria quantificada, hemograma/plaquetas, creatinina e avaliação hepática/hemólise.
  • Sem sinais de gravidade materna ou fetal, o marco obstétrico que mais orienta a resolução é 37 semanas; 34 semanas sugere quadro grave ou instável.

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