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Q4036946 Português
Para responder à questão seguinte, leia o texto abaixo.

Oportunismo eleitoral e despesas ambientais nos
municípios do Brasil

    A competência do gestor público é frequentemente avaliada com base em sua capacidade de prover bens e serviços coletivos com eficiência e responsabilidade fiscal. Em períodos eleitorais, esse julgamento se intensifica, incentivando gestores a adotarem estratégias que ampliem sua popularidade e aumentem suas chances de reeleição. Entre essas estratégias, destacam-se o esforço em evitar déficits fiscais e o redirecionamento de recursos para áreas de maior visibilidade política, como pessoal, educação e infraestrutura.


    Tais ações evidenciam uma seletividade orçamentária, em que determinadas despesas são priorizadas estrategicamente conforme o ciclo político, gerando assimetria informacional de curto prazo. Esse comportamento encontra respaldo na Teoria dos Ciclos Políticos (TCP), segundo a qual gestores ajustam a política econômica de acordo com o calendário eleitoral, cuja previsibilidade favorece a antecipação de decisões com o objetivo de obter vantagem eleitoral.


    A TCP postula, em suas hipóteses, que gestores públicos se aproveitam da racionalidade limitada dos eleitores, divulgando benefícios e propostas para angariar votos. Esse aproveitamento da memória de curto prazo dos eleitores é declarado como a hipótese oportunística na TCP, e assume que os gestores utilizam ideologias e percepções populacionais para ganhos políticos em períodos eleitorais. Um bom exemplo é o uso de pautas ambientais para fomentar apoio em campanhas eleitorais, explorando a miopia política do eleitorado para obter suporte.


    Paralelamente, a criação do Sistema de Contabilidade Econômico-Ambiental, adotado como referência internacional pela Organização das Nações Unidas (ONU), promove a integração de dados econômicos e ambientais, proporcionando visão abrangente da contabilização de recursos naturais na produção de bens e serviços. Para legitimar a conformidade desse sistema dentro da esfera pública, foi desenvolvido um movimento liderado pelo International Public Sector Accounting Standards Board (IPSASB), que, em 2022, formalizou o início das normas de relatórios de sustentabilidade.


    Tais iniciativas foram impulsionadas por agendas ambientais globais. Entre essas agendas, destacam-se o Acordo de Paris, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e a Agenda 21. Esses mecanismos buscam integrar a dimensão ambiental à lógica orçamentária estatal, por meio da mensuração das chamadas “despesas com capital verde”.


    No contexto brasileiro, a Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), instituída pela Lei n. 6.938/1981, estabelece as diretrizes para a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental. As chamadas despesas ambientais abrangem ações como controle de cheias, licenciamento, gestão de resíduos e recuperação de áreas degradadas, funcionando como indicativo da prioridade atribuída à agenda ambiental nos municípios.


    Diante do cenário de restrição fiscal, o orçamento público consolida-se como principal instrumento de escolha política e alocação estratégica. No Brasil, além de sua função de planejamento, ele também exerce papel fundamental na transparência, no controle social e na responsabilização dos gestores, contribuindo para a qualidade da gestão pública e a eficiência no uso dos recursos.


Como entes federativos mais próximos das demandas sociais, os municípios exercem papel decisivo na provisão de bens públicos. Estudos apontam que prefeitos tendem a ajustar suas decisões orçamentárias com base em incentivos eleitorais, priorizando áreas de maior apelo junto ao eleitorado. Nesse contexto, políticas ambientais podem ser relegadas a segundo plano em anos eleitorais, em favor de despesas com vantagem eleitoral, como obras públicas ou folha de pagamento.


Fonte: MARQUES, M. S. et al. Oportunismo eleitoral e despesas

ambientais nos municípios do Brasil. Cad. Gest. Pública Cid., São

Paulo, v. 31, n. 3, 2026 (com adaptações).

Considere o trecho: “Tais iniciativas foram impulsionadas por agendas ambientais globais.” A respeito da estrutura sintática e do emprego da voz verbal na oração, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: Na oração “Tais iniciativas foram impulsionadas por agendas ambientais globais.”, a estrutura “foram impulsionadas” indica voz passiva analítica, com verbo auxiliar “ser” + particípio; por isso, a alternativa correta é a A.

Tema central: voz passiva analítica
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque a oração apresenta exatamente os elementos da voz passiva analítica: sujeito paciente (“Tais iniciativas”), locução verbal passiva (“foram impulsionadas”) e agente da passiva (“por agendas ambientais globais”). O ponto decisivo é que “Tais iniciativas” não impulsiona; recebe a ação de ser impulsionada.
B
Errada
Está errada porque classifica a oração como voz ativa e atribui ao sujeito “Tais iniciativas” o papel de agente da ação. No trecho, esse sujeito não pratica “impulsionar”; ele sofre a ação, o que caracteriza sujeito paciente, não sujeito agente.
C
Errada
Está errada porque passiva sintética exige verbo acompanhado do pronome apassivador “se”, o que não ocorre no trecho. Além disso, “por” não é pronome apassivador; é a preposição que introduz o agente da passiva em “por agendas ambientais globais”.
D
Errada
Está errada porque não há voz reflexiva. O sujeito não pratica e recebe a ação simultaneamente, e também não aparece pronome reflexivo que sustente essa leitura. A oração mostra uma ação sofrida pelo sujeito e praticada por outro termo expresso como agente da passiva.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre sujeito da oração e agente da ação: como “Tais iniciativas” aparece antes do verbo, o candidato pode marcá-lo indevidamente como sujeito agente, quando na verdade é sujeito paciente.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se há estrutura de auxiliar “ser” + particípio; isso é sinal de voz passiva analítica.
  • Não confunda sujeito expresso com agente da ação: o sujeito pode sofrer a ação.
  • Se houver termo introduzido por “por” indicando quem pratica a ação, observe a possibilidade de agente da passiva.
  • Passiva sintética depende de “se”; sem esse elemento, essa classificação não se sustenta.

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Comentários

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Regrinha da voz passiva analítica: Verbo auxiliar (ser, estar ou ficar) + particípio.

No texto: foram impulsionadas

Gabarito A

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