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Q3617674 Português
Por que o tédio pode ser bom para o cérebro?


           Se alguém te convidar simplesmente para sentar e não fazer nada, você certamente vai se lembrar da longa lista de tarefas pendentes à sua espera ou vai pensar em algo melhor para fazer.
        A sensação de que o dia não tem horas suficientes para fazer frente a todos os e-mails não lidos, resolver as pendências no trabalho ou se dedicar à família é algo corriqueiro.
        Soma-se a isso que, quando não estamos tentando dar conta dessas tarefas, pegamos nosso celular para ler algo online ou responder algum comentário nas redes sociais, em uma busca contínua por entretenimento.
        Poucas pessoas pensam no tédio como uma opção válida. Mas, segundo neurocientistas, o tédio, mesmo com sua má reputação, pode aumentar nossa criatividade, nosso comprometimento com as tarefas e nossa produtividade no trabalho.
        Um famoso experimento, publicado na revista Science, mostrou, inclusive, que existem pessoas que preferem levar um leve choque elétrico a ficar sozinhas com seus pensamentos.
        No experimento, os pesquisadores pediram a um grupo de pessoas que se sentasse em silêncio por 15 minutos em um quarto sem nada para fazer. Como alternativa, sua única opção era apertar um botão e receber um choque elétrico.
        Sofrer uma descarga elétrica é desagradável, mas muita gente, especialmente do sexo masculino, preferiu levar o choque a ser privada de estímulos sensoriais externos.
        Podemos considerar o tempo de inatividade, o tédio ou a ociosidade como uma limpeza mental: uma forma de liberar nossa mente da congestão cognitiva acumulada com o passar do tempo. Por isso, a questão não é tanto que precisamos nos deixar entediar — mas, sim, que precisamos de tempo vazio, ou menos cheio de coisas.
        Dormir é uma das formas que o cérebro tem de fazer uma limpeza depois de um dia inteiro, mas ele continua trabalhando. E o tédio também é importante para sua saúde.
        Na Itália, as pessoas têm isso muito claro. A expressão il dolce far niente (“a doçura de não fazer nada”) faz parte da cultura do país, onde o descanso, o prazer de ficar sem fazer nada, é parte da vida.
        Não se trata de fazer uma siesta, mas sim de algo mais profundo. Trata-se de deixar de lado o ritmo do dia a dia e dedicar um momento à introspecção, o relaxamento e a consciência de viver no momento presente.
        Portanto, agora você sabe: é importante cultivar o tédio, esse prazer de não fazer nada, e saber apreciá-lo.

(Fonte: BBC — adaptado.)
A conjunção sublinhada na citação abaixo pode ser trocada, respeitando-se a lógica oracional e sentido original, com alterações gramaticais se necessárias, por:
Você nunca alcançará o sucesso verdadeiro, a menos que você goste do que está fazendo. (Dale Carnegie) 
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Sintaxe – Conjunções e relações lógico-semânticas

Esta questão avalia seu domínio sobre conjunções subordinativas condicionais. Elas estabelecem uma condição necessária para a ocorrência do fato principal. Compreender o valor semântico de cada conectivo é essencial para não cair em distrações comuns de prova, como confundir causa, condição e concessão.

No enunciado – “Você nunca alcançará o sucesso verdadeiro, a menos que você goste do que está fazendo.” – a locução a menos que introduz uma condição, ou seja, o sucesso só será possível se a pessoa gostar do que faz.

Alternativa correta:
D) Salvo se

Justificativa: Segundo a norma-padrão (Bechara; Cunha e Cintra), “a menos que” é uma locução subordinativa condicional, tal qual “salvo se”. Ambas expressam a exclusão de uma exceção à regra: o evento principal só ocorrerá com o atendimento dessa condição.

Ao substituir, a frase permanece intacta quanto à lógica e ao sentido: “Você nunca alcançará o sucesso verdadeiro, salvo se você gostar do que está fazendo.”

Análise das alternativas incorretas:

A) Apesar de que – É uma conjunção concessiva; indica contraste ou oposição e não condição. Exemplo: Apesar de que chovia, saímos. Não caberia no contexto, pois não há oposição ao fato principal, mas sim uma condição prévia.

B) Conquanto – Também concessiva, indicada para ressalvas ou contradições. Exemplo: Conquanto seja difícil, tentaremos. Novamente, não há concessão, mas sim uma exceção condicionante.

C) Uma vez que – Locução causal; introduz causa, motivo. Exemplo: Uma vez que terminou o trabalho, descansou. Não há relação de causa entre gostar do que faz e alcançar o sucesso, mas, sim, uma condição para isso acontecer.

Dica: Fique atento às sutilezas entre concessiva (oposição), causal (causa) e condicional (condição indispensável). Muitas questões de concurso exploram precisamente essas diferenças, conforme recomendam Bechara e Cunha & Cintra nas gramáticas de referência.

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