(1º§) O termo “aventuras”, no plural, tal como
ele aparece no título deste artigo, evoca ao
mesmo tempo uma multiplicidade de episódios
ou realizações e seu caráter inesperado,
surpreendente. No que diz respeito à escrita, a
diversidade dos contextos de seu surgimento,
como a de suas manifestações, legitima
amplamente essa designação.
(2º§) Mas, além do número e da variedade dos
sistemas de escrita conhecidos até agora, e
tendo em vista o interesse fascinado das
sociedades ocidentais pelos espetaculares
avanços culturais que lhes são atribuídos
(transmissão de conhecimentos, aceleração do
progresso, dos conhecimentos, administração
de grupos humanos, gestão econômica, etc.), o
aparecimento da escrita, pela primeira vez no
mundo, na Mesopotâmia, no final do quarto
milênio a.C., foi e continua sendo percebido
como uma verdadeira revolução.
(3º§) O que não deixou de ser entendido como
um salto qualitativo da civilização, tanto mais
espetacular quanto imprevisível. Tal é a nossa
percepção ocidental, repetida e reforçada ao
longo dos séculos, desde a antiguidade grega,
mas que, contudo, não é universal. O Extremo
Oriente, por exemplo, tem uma concepção
completamente diferente de escrita.
(4º§) O exame cuidadoso dos fatos, assim como
a abundante literatura que eles suscitaram, nos
convidam a perguntar se a verdadeira aventura
da escrita não foi, de fato, a desventura que
constitui essa historiografia, agora milenar, que
a assumiu e que até o momento não cessou de
produzir uma sequência quase que ininterrupta
de estudos, análises, discursos ou narrativas,
mitos e histórias para descrever sua origem.
(5º§) Objetivo duplamente problemático: em si,
– retornaremos a este ponto –, e em sua
orientação em direção a um objeto que não
pode ser descoberto, mas sim a um
pressuposto que ela busca legitimar.
Pressuposição segundo a qual a escrita seria
essencialmente um produto derivado da língua.
(6º§) Após relembrar as linhas de força que
estruturam essa abundante literatura,
tentaremos empregar estratagemas que, apesar
de tudo, permitem uma saída dessa desventura.
Subterfúgios representados pelos trabalhos de
Leroi-Gourhan, Derrida e A. M. Christin, bem
como pelos recentes avanços da
neurofisiologia, sobretudo aqueles apresentados
por G. Rizzolatti. Mas, de início, é imperativo
que façamos uma nota sobre as definições mais
comuns de escrita e os muitos estudos
especializados nos quais elas se apoiam.
(7º§) Desventuras assume sentido polissêmico,
conotativo, com possibilidades de entender a
constituição de “desventuras” quando se
escreve algo desagradável e que, muitas vezes,
pode ser comprometedor. Mas, como todos
sabemos, o entendimento é contextual e
individual, logo, polissêmico.
(8º§) Nessa dimensão discursiva, pense na
importância do conteúdo ora em análise. Reflita
sobre as aventuras e as desventuras
proporcionadas pela ESCRITA.
(...)
(Aventuras e desventuras da escrita. A propósito da interpretação do nascimento da
escrita na Mesopotâmia | Cadernos do LEPAARQ (UFPEL)) – (Acesso em 10.11.2023) –
(Adaptado)
Marque o parágrafo que inicia com terno
conjuntivo com ideia adversativa.
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