Em lombociatalgias por hérnia de disco, a dor irradiada seg...
Gabarito comentado
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Tema central: lombociatalgia por hérnia de disco com dor em trajeto radicular. Nesses casos, a maioria evolui com melhora espontânea em 6–12 semanas, desde que não haja sinais de compressão neurológica grave.
Gabarito (correta): B — Conduta inicial conservadora: AINEs/analgésicos, repouso relativo (manter atividades leves, evitar repouso absoluto), fisioterapia (educação postural, exercícios de McKenzie/estabilização lombar) e, quando necessário, bloqueios epidurais seletivos para alívio de dor radicular. Indicar cirurgia apenas se houver falha do tratamento conservador por 6–8 semanas com correlação clínico-radiológica ou red flags: déficit motor progressivo, síndrome da cauda equina (anestesia em sela, retenção urinária/incontinência), dor intratável ou compressão severa documentada.
Raciocínio clínico: a dor radicular decorre da compressão/quimio-irritação da raiz nervosa pelo disco herniado. A descompressão cirúrgica precoce pode acelerar a melhora em alguns casos, mas não é necessária na maioria, pois o processo inflamatório regride e parte das hérnias se reabsorve. Diretrizes (NASS, AANS/CNS, UpToDate, MS-Brasil) recomendam manejo conservador inicial na ausência de déficits graves.
Como interpretar na prova: se o enunciado fala em dor radicular típica e não menciona déficit neurológico grave, pense em tratamento conservador. Procure “red flags” para indicar cirurgia precoce.
Diagnóstico (resumo útil): exame com Straight Leg Raise positivo; déficit sensitivo/motor em dermátomos (L4: reflexo patelar; L5: dorsiflexão hálux; S1: reflexo aquileu/flexão plantar). Ressonância magnética é indicada se houver red flags ou falha terapêutica após 4–6 semanas e para planejamento cirúrgico.
Análise das incorretas:
A) Discectomia em todos os casos: inadequado. Cirurgia universal ignora a alta taxa de melhora espontânea e expõe a riscos desnecessários. Indicação cirúrgica é seletiva.
C) Imobilização rígida por 6 meses: contraindicado. Repouso prolongado piora dor e funcionalidade; diretrizes recomendam manter atividade e fisioterapia precoce.
D) Antibióticos/anticoagulantes: sem indicação em hérnia discal não complicada. Antibióticos seriam para infecção (ex.: abscesso epidural) e anticoagulação para TEV, situações não descritas.
Referências essenciais: UpToDate (Radicular low back pain, 2023–2024); Diretrizes NASS para hérnia lombar; AANS/CNS Guideline update on lumbar disc herniation; Ministério da Saúde – Diretrizes para Dor Lombar (Brasil).
Pegadinhas clássicas: “cirurgia para todos”, “repouso absoluto/órtese rígida” e “antibiótico/anticoagulante” em dor radicular não complicada. Evite-as lembrando: conservador primeiro, cirurgia se falhar ou houver déficit grave.
Conclusão: Sem sinais de alarme, a terapêutica inicial é conservadora com AINEs, repouso relativo, fisioterapia e, se necessário, bloqueios; cirurgia apenas na falha ou compressão severa.
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