Analise as afirmações sobre paralisia obstétrica:I. A lesão ...
Analise as afirmações sobre paralisia obstétrica:
I. A lesão do plexo braquial mais comum afeta raízes C5- C6, gerando dificuldade de abdução do ombro e flexão do cotovelo (paralisia de Erb-Duchenne).
II. O acometimento de C8-T1 relaciona-se a paralisia de Klumpke, com paralisia da mão intrínseca e sensação preservada no braço proximal.
III. Exercícios passivos e fisioterapia precoce podem prevenir contraturas, mas a cirurgia sempre é desnecessária.
IV. A ausência de recuperação motora inicial pode indicar microcirurgia do plexo para melhor prognóstico.
Estão CORRETAS as afirmativas:
Gabarito comentado
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Tema central: Paralisia obstétrica do plexo braquial (lesão nervosa perinatal que compromete raízes cervicais e altera função do ombro, cotovelo, punho e mão). O padrão clínico depende das raízes afetadas (C5–T1) e orienta prognóstico e tratamento.
Gabarito: B – I, II e IV corretas.
Por que a alternativa correta é a B?
I (C5–C6 – Erb-Duchenne) – Correta: Lesão alta (C5–C6) compromete abdução do ombro (deltoide/supra) e flexão do cotovelo (bíceps), gerando a clássica “waiter’s tip”: ombro em adução/rotação interna, cotovelo estendido e antebraço pronado. É o padrão mais comum. Referências: UpToDate; Campbell’s Operative Orthopaedics.
II (C8–T1 – Klumpke) – Correta: Lesão baixa prejudica músculos intrínsecos da mão → “mão em garra”, com sensibilidade proximal do braço preservada (C5–C6 íntegras). Pode haver síndrome de Horner se há avulsão de T1. Referências: UpToDate; AAOS.
IV (ausência de recuperação inicial → microcirurgia) – Correta: Falta de recuperação do bíceps até ~3 meses, ou sinais de lesão grave/avulsão, indicam exploração/microneurorrafia, enxertos ou transferências nervosas idealmente entre 3–6 meses para melhor prognóstico. Diretrizes: UpToDate; American Society for Surgery of the Hand; recomendações da SBOT.
Por que a III está incorreta?
III (cirurgia sempre desnecessária) – Incorreta: Fisioterapia precoce e exercícios passivos são essenciais para prevenir contraturas e manter amplitude, mas não excluem cirurgia. Cerca de 10–30% dos casos com lesões graves exigem reparos nervosos precoces e, tardiamente, transferências tendíneas/osteotomias para sequelas. Palavras absolutas como “sempre” são armadilhas frequentes em provas. Referências: UpToDate; revisões AAOS/SBOT.
Estratégia de prova:
- Associe raízes a funções: C5 abduz ombro; C6 flexiona cotovelo; C8–T1 intrínsecos da mão.
- Identifique termos absolutos (“sempre”, “nunca”) como potencial pegadinha.
- Marco de decisão cirúrgica: aus��ncia de função do bíceps aos 3 meses sugere microcirurgia entre 3–6 meses.
Diagnóstico e conduta (resumo prático):
Diagnóstico: clínico no RN/lactente (assimetria do reflexo de Moro, postura em “waiter’s tip” ou “mão em garra”); EMG/ENMG a partir de 3–4 semanas; RM do plexo em suspeita de avulsão; US diafragmática se C4 comprometida.
Tratamento: Fisioterapia precoce, posicionamento e órteses; cirurgia do plexo se falha de recuperação precoce; procedimentos secundários (transferências tendíneas/osteotomias) para sequelas residuais. Diretrizes: UpToDate 2024; Campbell’s; SBOT/AAP.
Análise das alternativas:
A (I e II) – Incompleta: falta a IV, que é verdadeira.
C (II e III) – Errada: III é falsa e I é verdadeira.
D (I, III e IV) – Errada: inclui a III, que é falsa.
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