Acerca dos paralelismos entre osteomielite aguda e crônica,...
Acerca dos paralelismos entre osteomielite aguda e crônica, leia as afirmativas abaixo:
I. A osteomielite aguda costuma apresentar febre, dor localizada e evolução rápida, especialmente na infância.
II. A forma crônica envolve sequestros, fístulas e pouca resposta a antibióticos orais, indicando muitas vezes debridamento cirúrgico.
III. A transição de aguda para crônica inexiste, pois são entidades sem conexão temporal.
IV. Bacilos Gram-negativos são patógenos mais frequentes na população pediátrica.
Estão CORRETAS as afirmativas:
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Tema central: diferenças e paralelos entre osteomielite aguda e crônica. A aguda, típica em crianças, tem início rápido por via hematogênica; a crônica caracteriza-se por inflamação persistente, sequestros ósseos e fístulas, frequentemente exigindo cirurgia. Conhecer os agentes etiológicos e a evolução temporal é crucial.
Gabarito: Alternativa A (I e II)
I. Verdadeira. A osteomielite aguda costuma cursar com febre, dor localizada, limitação funcional e evolução rápida em pediatria. Exames: PCR e VSH elevadas; radiografia inicial pode ser normal; RM é o método mais sensível para diagnóstico precoce. Conduta: antibiótico empírico contra Staphylococcus aureus (oxacilina/cefazolina; clindamicina ou vancomicina em áreas com MRSA), com transição para via oral após resposta clínica, totalizando 3–6 semanas. Referências: PIDS/IDSA 2021 AHO; UpToDate.
II. Verdadeira. A osteomielite crônica apresenta sequestros (fragmentos de osso desvitalizado), involucro e fístulas. Pela formação de biofilme e osso necrótico, há baixa resposta a antibióticos orais isolados, sendo frequente a necessidade de debridamento cirúrgico + antibiótico prolongado guiado por cultura (4–6 semanas). Referências: IDSA; UpToDate; princípios de Waldvogel.
III. Falsa. Existe, sim, transição de aguda para crônica, especialmente quando há atraso no diagnóstico, foco isquêmico ou terapia inadequada. Usualmente considera-se evolução para crônica após inflamação persistente além de 4–6 semanas com alterações estruturais (sequestro/involucro).
IV. Falsa. Em pediatria, o patógeno mais comum é Staphylococcus aureus (MSSA/MRSA). Gram-negativos não são os mais frequentes; aparecem em contextos específicos (punção plantar através de tênis – Pseudomonas; neonatos – GBS, E. coli; doença falciforme – Salmonella). Diretrizes PIDS/IDSA e UpToDate confirmam a predominância de S. aureus.
Análise das alternativas: A contém as afirmações corretas (I e II). B erra por incluir III (falsa). C erra por incluir IV (falsa). D erra por incluir III (falsa).
Dicas de prova: “Não há transição entre aguda e crônica” é pegadinha. Em pediatria, pense primeiro em S. aureus. Lembre: RX inicial pode ser normal; prefira RM. Na crônica, a palavra-chave é sequestro → cirurgia + ATB.
Raciocínio aplicado: Diante de quadro febril agudo com dor óssea em criança, priorize AHO por S. aureus e trate precocemente para evitar cronificação. Se houver fístula persistente, osso exposto ou imagem com sequestro, programe debridamento e cultivos para terapia dirigida.
Referências rápidas: PIDS/IDSA 2021 – Acute Hematogenous Osteomyelitis in Children; IDSA – Osteomyelitis (crônica); UpToDate – Osteomyelitis in children; Rockwood & Wilkins’ Fractures in Children (cap. infecções ósseas).
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!
Clique para visualizar este gabarito
Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo