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Q3293338 Medicina

A pioartrite pode comprometer articulações de carga em crianças e adultos. Nesse sentido, leia as afirmativas abaixo:

I. A punção articular para drenagem e antibioticoterapia específica previnem sequelas.

II. A articulação do quadril é especialmente susceptível, devendo-se cuidar rapidamente para evitar necrose femoral.

III. O ombro não sofre pioartrite, pois não sustenta peso.

IV. O retardo no diagnóstico pode gerar lesão permanente da cartilagem e instabilidade articular.


Estão CORRETAS as afirmativas: 

Alternativas

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Tema central: pioartrite (artrite séptica) em articulações de carga. Trata-se de emergência ortopédica: a infecção destrói rapidamente a cartilagem, podendo levar a instabilidade e sequelas permanentes se não tratada de imediato.

Gabarito: A — I, II e IV

I. Verdadeira. Punção/drenagem articular precoce associada à antibioticoterapia dirigida reduz carga bacteriana, pressão intra-articular e mediadores inflamatórios, prevenindo destruição cartilaginosa e sequelas. Evidência consolidada em UpToDate e diretrizes SANJO (EBJIS 2023).

II. Verdadeira. O quadril é especialmente vulnerável em crianças: a cápsula fechada aumenta a pressão e pode comprometer os vasos retinaculares, levando a necrose avascular da cabeça femoral se houver atraso na drenagem. Conduta: drenagem urgente (muitas vezes artrotomia/artroscopia) + antibiótico. (Campbell’s Operative Orthopaedics; UpToDate)

III. Falsa. O ombro pode, sim, ter pioartrite, embora não seja de carga. A disseminação hematogênica acomete qualquer articulação (ombro, joelho, quadril, tornozelo), especialmente em extremos de idade e imunossupressão. Logo, a justificativa “não sustenta peso” não protege o ombro. (Harrison’s; UpToDate)

IV. Verdadeira. O retardo diagnóstico permite ação de enzimas e toxinas bacterianas, resultando em lesão cartilaginosa irreversível, sinovite crônica e instabilidade. (SANJO 2023; SBOT)

Como interpretar a questão: Diante de monoartrite aguda com dor intensa, febre e incapacidade funcional (criança que não deambula, “pseudoparalisia” em lactentes), pense em pioartrite. No quadril pediátrico, use os critérios de Kocher (febre, não carregar peso, VHS elevado, leucocitose, CRP elevado) para estimar probabilidade.

Diagnóstico e exames: Artrocentese imediata é mandatória: análise do líquido sinovial (polimorfonucleares >50.000/mm³), Gram e culturas. Hemoculturas positivas em parte dos casos. USG detecta derrame em quadril; RM ajuda a avaliar osteomielite associada.

Tratamento (conduta de escolha): Drenagem urgente + antibioticoterapia empírica dirigida para Staphylococcus aureus (oxacilina/cefazolina; considerar clindamicina/vancomicina se MRSA). Em crianças pequenas, cobrir Kingella kingae e Gram-negativos (ceftriaxona/cefotaxima). Ajustar pelo Gram/cultura. Duração total típica: 3–4 semanas (IV inicial, depois VO conforme resposta). Não atrasar drenagem por imagem sofisticada.

Análise das alternativas: B (II e III): incorreta porque III é falsa. C (I e III): incorreta pelo mesmo motivo. D (I–IV): incorreta porque inclui III.

Referências: UpToDate (Septic arthritis in children and adults); SANJO 2023 (EBJIS); Campbell’s Operative Orthopaedics; Harrison’s Principles of Internal Medicine; SBOT – recomendações práticas.

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