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Q3512071 Medicina
Homem de 30 anos com histórico de libação alcoólica de longa data procura a emergência do hospital com quadro de icterícia e elevação de enzimas hepáticas, sendo a TGO maior que a TGP. Pelo critério de Maddrey, a pontuação do paciente é superior a 32.
A melhor opção terapêutica para a hepatite alcóolica grave nesse caso é:
Alternativas

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Tema central: Hepatite alcoólica grave. O enunciado sugere icterícia em etilista crônico com TGO (AST) > TGP (ALT) — padrão clássico — e Critério de Maddrey (DF) > 32, que define gravidade e alto risco de mortalidade em 28 dias.

Alternativa correta: D – Corticosteroides

Justificativa: Em hepatite alcoólica grave (DF>32), a terapia de escolha é prednisolona 40 mg/dia por 28 dias, se sem contraindicações (infecção ativa não controlada, hemorragia digestiva, insuficiência renal grave, pancreatite, sepse, hepatite viral ativa). Reavaliar resposta com score de Lille no 7º dia (≈>0,45 indica má resposta e suspensão do esteroide). Evidências: diretrizes AASLD e EASL, Harrison’s Principles of Internal Medicine e UpToDate. Em alguns cenários, pode-se considerar N-acetilcisteína como adjuvante ao esteroide para benefício em curto prazo.

Como interpretar o enunciado (estratégia de prova):

  • AST>ALT (geralmente <300–400 U/L) + icterícia em etilista crônico → forte suspeita de hepatite alcoólica.
  • DF de Maddrey>32 → indica esteroide como terapia de escolha.
  • Antes de esteroide, excluir infecção/hemorragia e otimizar nutrição (35–40 kcal/kg/dia, 1,2–1,5 g proteína/kg/dia).

Análise das alternativas incorretas:

A) Propiltiouracil: Estudo antigo e sem benefício consistente; risco de hepatotoxicidade. Não recomendado em diretrizes.

B) SAME (S-adenosilmetionina): Agente metilador/antioxidante com dados limitados e sem impacto comprovado em desfechos de hepatite alcoólica grave. Não é terapia de escolha.

C) Ácido obeticólico: Agonista FXR indicado para colangite biliar primária. Sem papel na hepatite alcoólica; pode até piorar icterícia pruriginosa.

E) Ácido ursodesoxicólico: Útil em doenças colestáticas (ex.: PBC), porém não reduz mortalidade na hepatite alcoólica; ensaios clínicos negativos.

Fisiopatologia (em síntese): álcool → estresse oxidativo, endotoxemia e resposta inflamatória com infiltrado neutrofílico e Mallory-Denk, resultando em icterícia e disfunção hepática aguda.

Conduta prática resumida: abstinência + suporte nutricional + tratar complicações; se DF>32 e sem contraindicações → prednisolona 40 mg/d por 28 dias; calcular Lille no D7 para decidir manutenção; considerar N-acetilcisteína adjuvante em casos selecionados.

Referências: AASLD Guidance on Alcohol-Associated Hepatitis; EASL Clinical Practice Guidelines (2018); Harrison’s; UpToDate.

Gabarito: D

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