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Q3512066 Medicina
Paciente de 25 anos, do sexo masculino, apresenta vômitos repetidos após libação alcoólica. Procura a emergência com sangramento vermelho vivo em pequena quantidade. A endoscopia revela lacerações longitudinais no esôfago.
O diagnóstico mais provável é de:
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Tema central: Hemorragia digestiva alta (HDA) desencadeada por vômitos com achado endoscópico típico. A descrição de vômitos repetidos após libação alcoólica seguidos de lacerações longitudinais no esôfago aponta classicamente para a síndrome de Mallory–Weiss.

Alternativa correta: B – Síndrome de Mallory–Weiss.

Justificativa e raciocínio clínico: A síndrome de Mallory–Weiss é uma laceração mucosa, geralmente na junção gastroesofágica, causada por aumento súbito da pressão intragástrica devido a vômitos/arcadas vigorosas, frequentemente após álcool. O quadro típico é sangramento em pequena a moderada quantidade com EDA mostrando fendas lineares longitudinais. A maioria é autolimitada. Fontes: Harrison’s, UpToDate; diretrizes ESGE/ACG para HDA.

Diagnóstico e conduta essenciais:

- Diagnóstico: Endoscopia digestiva alta confirmando lacerações lineares na transição esôfago–estômago, podendo haver coágulo aderido ou sangramento em babação.

- Tratamento inicial: estabilização hemodinâmica, jejum curto, antieméticos e IBP EV. Se sangramento ativo/estigmas de alto risco: hemostasia endoscópica (clipes, injeção com adrenalina associada a método mecânico). Recorrência é rara e o prognóstico é bom. (ESGE/ACG HDA 2021–2022)

Estratégia de prova (pegadinhas): Diferenciar de varizes esofágicas (sangramento volumoso, hepatopatia) e de Boerhaave (ruptura transmural com dor torácica intensa e enfisema subcutâneo, não apenas hematêmese).

Análise das alternativas incorretas:

A - Varizes de esôfago: geralmente associadas a hipertensão portal/cirrose, cursam com hematêmese maciça. EDA mostra cordões varicosos azulados, não lacerações lineares. Conduta seria vasoconstritores (terlipressina/octreotídeo) e ligadura elástica — incompatível com o achado descrito.

C - Lesão de Dieulafoy: artéria submucosa calibrosa, mais comum na curvatura menor gástrica, EDA com ponto sangrante sem úlcera significativa. Não há relação necessária com vômitos nem lacerações longitudinais.

D - Lesão de Cameron: erosões/úlceras lineares na mucosa dentro de hérnia hiatal, tipicamente causam anemia ferropriva por sangramento crônico. Local e contexto não batem com lacerações esofágicas pós-arcadas.

E - Angiodisplasia: ectasias vasculares, sobretudo em cólon direito; quando em TGI alto, aspecto é de vasos ectásicos em “aranha”. Não se associam a vômitos prévios nem a fendas lineares esofágicas.

Referências úteis: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate (Upper GI bleeding; Mallory–Weiss tear); Diretrizes ESGE/ACG para manejo da HDA não varicosa.

Dica final: Em enunciados com “vômitos vigorosos + lacerações longitudinais na JGE + hematêmese pequena”, pense primeiro em Mallory–Weiss.

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