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Q3512064 Medicina
Mulher de 35 anos se queixa de disfagia persistente para alimentos sólidos e frequentes impactações alimentares. Ela relata que evita consumir refeições sólidas, que tem alergia alimentar a frutos do mar e que melhora pouco com o uso inibidores de bomba de prótons (IBP). A endoscopia revela presença de anéis concêntricos no esôfago fixos, exsudato granular e sulcos verticais.
O diagnóstico mais provável é:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito comentado: D – Esofagite eosinofílica (EoE)

Tema central: Disfagia para sólidos e impactações alimentares em adulto jovem com histórico atópico e achados endoscópicos típicos (anéis concêntricos “traquealização”, exsudatos esbranquiçados e sulcos verticais) direcionam para EoE.

Por que a alternativa D é a correta:

- Quadro clínico clássico: disfagia para sólidos e impactação alimentar recorrente em paciente jovem com alergia alimentar/atopia. Melhora pobre com IBP reforça etiologia não puramente por refluxo.

- Endoscopia típica: anéis fixos (trachealization), exsudatos esbranquiçados (microabscessos eosinofílicos) e sulcos verticais. Esses elementos compõem o escore EREFS da EoE.

- Diagnóstico (segundo diretrizes ACG 2023/2024 e UpToDate): sintomas de disfunção esofágica + ≥15 eosinófilos/campo de grande aumento em biópsias do esôfago (amostrar terços distal e proximal) e exclusão de outras causas. IBP hoje é considerado terapia, não critério obrigatório de exclusão.

Como diferenciar das alternativas incorretas:

A) Divertículo de esôfago (Zenker): cursa com disfagia orofaríngea, regurgitação de alimento não digerido, halitose e aspiração. Endoscopia não mostra anéis/sulcos difusos; o achado típico é bolsa diverticular, usualmente acima do EES.

B) Câncer escamoso de esôfago: disfagia progressiva de sólidos para líquidos, perda ponderal, tabagismo/etilismo. Endoscopia revela lesão vegetante/ulcerada/estenótica, não anéis com exsudatos e sulcos.

C) Espasmo esofageano difuso: dor torácica e disfagia para sólidos e líquidos; manometria com contrações prematuras. Endoscopia costuma ser normal; no esofagograma, aspecto “saca-rolhas”. Ausentes anéis fixos e exsudatos.

E) Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE): pirose/regurgitação e resposta a IBP. Endoscopia com esofagite erosiva/hernia hiatal; não são típicos anéis fixos com exsudatos e sulcos. Embora possa haver sobreposição DRGE–EoE, o conjunto clínico-endoscópico aqui favorece EoE.

Exames e manejo (para consolidar o raciocínio): Confirmar com biópsias múltiplas (≥6). Tratamento de primeira linha: IBP, corticoide tópico deglutido (budesonida ou fluticasona) e/ou dietas de eliminação (p.ex., 1–6 alimentos). Dilatação para estenoses/anel fixo com dificuldade persistente. Referências: ACG Guideline 2023/2024; UpToDate; Harrison’s.

Dica de prova (pegadinhas): “Disfagia para sólidos + impactação” sugere obstrução mecânica. Em adultos jovens com atopia, pense EoE. “Piora para líquidos” ou dor torácica aponta mais para distúrbio motor. E anéis/sulcos/exsudatos são palavras-chave de EoE.

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