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Q3512061 Medicina
Homem de 25 anos é encaminhado para investigação de hepatopatia crônica devido ao achado de fígado de contorno irregular na ultrassonografia de abdômen. Endoscopia digestiva alta (EDA) identificou varizes esofágicas de grosso calibre com “red spots”, e o paciente foi submetido a ligadura elástica. Exame oftalmológico foi compatível com a presença de anéis de Kayser-Fleischer.
Com relação ao caso clínico, é correto afirmar que:
Alternativas

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Tema central: quadro típico de Doença de Wilson (degeneração hepatolenticular): adulto jovem com sinais de hepatopatia crônica/hipertensão portal e presença de anéis de Kayser-Fleischer, indicativos de depósito de cobre na membrana de Descemet da córnea.

Fisiopatologia resumida: mutação ATP7B (autossômica recessiva) → redução da excreção biliar de cobre e da incorporação de cobre à ceruloplasmina → acúmulo hepático e extrabepático (córnea, cérebro). Consequência: hepatite crônica/cirrose, manifestações neurológicas/psiquiátricas e sinais de hipertensão portal (varizes com “red spots”).

Alternativa correta – B: O cobre urinário está geralmente elevado. A coleta de 24h mostra tipicamente valores >100 μg/24h em não tratados; pode aumentar após teste com quelante (p.ex., D-penicilamina). Esse é um pilar diagnóstico, junto com ceruloplasmina baixa e/ou cobre hepático elevado (>250 μg/g peso seco).

Análise das incorretas:
A) Falso. A doença não é adquirida; é genética, autossômica recessiva (ATP7B).
C) Falso. A ceruloplasmina é geralmente baixa (<20 mg/dL). Pode estar normal ou elevada por ser proteína de fase aguda (gravidez, inflamação, uso de estrogênio), o que é uma pegadinha frequente em provas; ainda assim, “geralmente elevada” está incorreto.
D) Falso. O agente causal é cobre, não chumbo. Intoxicação por chumbo cursa com dor abdominal, neuropatia e pontilhado basofílico em hemácias, sem anéis de Kayser-Fleischer.
E) Falso. Sangrias são tratamento da hemocromatose. Na Doença de Wilson, o tratamento é com quelantes de cobre (D-penicilamina ou trientina) e/ou zinco (bloqueia absorção intestinal); transplante hepático em insuficiência fulminante/decompensação refratária.

Diagnóstico prático: suspeitar em jovens com hepatopatia/portal hipertensão e anéis de Kayser-Fleischer. Confirmar com: cobre urinário 24h elevado, ceruloplasmina baixa, cobre hepático elevado em biópsia ou testes genéticos. O escore de Leipzig integra esses achados.

Estratégias de prova:jovem + cirrose/varizes + anéis de K-F” → pense Wilson. Cuidado com a armadilha da ceruloplasmina “normal/alta” por fase aguda; valorize o cobre urinário. Lembrar que sangria = hemocromatose; anéis de K-F = cobre (não chumbo).

Referências essenciais: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate (Wilson disease: diagnosis and treatment); AASLD Practice Guidance e EASL Clinical Practice Guidelines sobre Doença de Wilson.

Gabarito: B

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