Nos termos da Lei Orgânica do Tribunal de Contas do Estado ...
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Comentários à questão – Lei Orgânica do TCE/AL – Julgamento de contas: conceito de regularidade com ressalva
1. Interpretação do tema jurídico
A questão aborda a classificação do julgamento de contas feitas pelo Tribunal de Contas do Estado de Alagoas, prevendo situações em que há quitação ao responsável, mas também recomenda-se correção de irregularidades ou omissões. O tema é recorrente para o cargo de Auditor, exigindo conhecimento literal da Lei Orgânica do TCE/AL.
2. Fundamentação legal
Lei Orgânica do TCE/AL, Art. 71:
“O Tribunal de Contas, ao apreciar as contas de que trata o art. 70, emitirá parecer prévio conclusivo sobre a regularidade, regularidade com ressalva ou irregularidade das contas.”
3. Explicação do tema central
As contas públicas podem ser: regulares (sem erros), irregulares (graves ofensas à lei) ou regulares com ressalva (há pequenas falhas que podem ser corrigidas, mas não afetam a essência da administração dos recursos).
A jurisprudência do TCU (Acórdão 888/2020) e a doutrina (Marçal Justen Filho, Curso de Direito Administrativo) reforçam que ressalvas se aplicam a “impropriedades formais que não comprometem a regularidade das contas”.
4. Exemplo prático
Exemplo: Não apresentação de um relatório acessório ou erro formal em procedimento, mas sem prejuízo à aplicação total das receitas.
5. Alternativa correta
A) regulares com ressalva.
Quando o TCE/AL recomenda correção de falhas, mas concede quitação, está reconhecendo que a irregularidade é de menor gravidade — logo, contas regulares com ressalva.
6. Justificativa das alternativas incorretas
B) Fala em “devido processo”, mas não se aplica: se fosse irregular, não haveria quitação.
C) “Parcialmente regulares” não existe na classificação oficial.
D) “Irregulares com ressalva” não existe; ressalva é vinculada à regularidade.
E) Não são “regulares” puras, pois há ressalva.
Pegadinha: O enunciado pode confundir ao mencionar quitação e recomendação. Lembre: ressalva = falha formal sanável.
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Gabarito A:
Art. 15. Ao julgar as contas, o Tribunal decidirá se estas são regulares, regulares com ressalva, ou irregulares.
Art. 16. As contas serão julgadas:
I - regulares, quando expressarem, de forma clara e objetiva, a exatidão dos demonstrativos contábeis, a legalidade, a legitimidade e a economicidade dos atos de gestão do responsável;
II - regulares com ressalva, quando evidenciarem impropriedade ou qualquer outra falta de natureza formal de que não resulte dano ao Erário;
III - irregulares, quando comprovada qualquer das seguintes ocorrências:
LEI 8443/92:
Art. 10. A decisão em processo de tomada ou prestação de contas pode ser preliminar, definitiva ou terminativa.
§ 1° Preliminar é a decisão pela qual o Relator ou o Tribunal, antes de pronunciar-se quanto ao mérito das contas, resolve sobrestar o julgamento, ordenar a citação ou a audiência dos responsáveis ou, ainda, determinar outras diligências necessárias ao saneamento do processo.
§ 2° Definitiva é a decisão pela qual o Tribunal julga as contas regulares, regulares com ressalva, ou irregulares.
§ 3° Terminativa é a decisão pela qual o Tribunal ordena o trancamento das contas que forem consideradas iliquidáveis, nos termos dos arts. 20 e 21 desta Lei.
"CONTAS REGULARES COM RESSALVAS: Quando as contas evidenciarem improbidade ou qualquer outra falta de natureza formal de que não resulte dano ao Erário serão consideradas regulares com ressalvas.
O julgamento pela regularidade com ressalvas implica que o Tribunal dará quitação ao responsável e lhe determinará, ou a quem lhe haja sucedido, a adoção das improbidades ou faltas identificadas, de modo a previnir a ocorrência de outras semelhantes. O acórdão de julgamento deverá indicar, resumidamente, os motivos que ensejam a ressalva das contas.
Outra hipótese de julgamento pela regularidade com ressalva ocorrerá quando, ao examinar a resposta à citação, o Tribunal concluir pela boa-fé do responsável, bem como pela inexistência de outra irregularidade nas contas. Satisfeito tais requisitos e subsistindo o débito, o Tribunal proferirá, mediante acórdão deliberação de rejeição das alegações de defesa e dará ciência ao responsável para que, em novo e improrrogável prazo de quinze dias, recolha a importẽncia devida. Em tal situação, a liquidação tempestiva do débito atualizada monetariamente saneará o processo e o Tribunal julgará as contas regulares com ressalva e dará quitação ao responsável."
LUIZ HENRIQUE SOUZA
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