OMS destaca necessidade urgente de transformar
saúde mental e atenção
A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nesta
sexta-feira (17) sua maior revisão mundial sobre saúde mental
desde a virada do século. O trabalho detalhado fornece um
plano para governos, acadêmicos, profissionais de saúde, sociedade civil e outros com a ambição de apoiar o mundo na transformação da saúde mental.
Em 2019, quase um bilhão de pessoas – incluindo 14% dos
adolescentes do mundo – viviam com um transtorno mental. O
suicídio foi responsável por mais de uma em cada 100 mortes e
58% dos suicídios ocorreram antes dos 50 anos de idade. Os
transtornos mentais são a principal causa de incapacidade, causando um em cada seis anos vividos com incapacidade. Pessoas
com condições graves de saúde mental morrem em média 10 a
20 anos mais cedo do que a população em geral, principalmente
devido a doenças físicas evitáveis. O abuso sexual infantil e o
abuso por intimidação são importantes causas da depressão.
Desigualdades sociais e econômicas, emergências de saúde pública, guerra e crise climática estão entre as ameaças estruturais
globais à saúde mental. A depressão e a ansiedade aumentaram
mais de 25% apenas no primeiro ano da pandemia.
Estigma, discriminação e violações de direitos humanos
contra pessoas com problemas de saúde mental são comuns em
comunidades e sistemas de atenção em todos os lugares; 20
países ainda criminalizam a tentativa de suicídio. Em todos
os países, são as pessoas mais pobres e desfavorecidas que
correm maior risco de problemas de saúde mental e que
também são as menos propensas a receber serviços adequados.
Mesmo antes da pandemia de covid-19, apenas uma pequena fração das pessoas necessitadas tinha acesso a cuidados
de saúde mental eficazes, acessíveis e de qualidade. Por exemplo,
71% das pessoas com psicose em todo o mundo não acessam
serviços de saúde mental. Enquanto 70% das pessoas com
psicose são tratadas em países de alta renda, apenas 12% das
pessoas com essa condição recebem cuidados de saúde mental
em países de baixa renda. Para a depressão, as lacunas na cobertura dos serviços são amplas em todos os países: mesmo em
países de alta renda, apenas um terço das pessoas com depressão
recebe cuidados formais de saúde mental e estima-se que o tratamento minimamente adequado para depressão varie de 23% em
países de baixa renda para 3% em países de baixa e média-baixa
renda.
Com base nas evidências mais recentes disponíveis, apresentando exemplos de boas práticas e expressando a experiência de vida das pessoas, o relatório da OMS destaca porque e
onde a mudança é mais necessária e como ela pode ser melhor
alcançada. Convida todas as partes interessadas a trabalharem
juntas para aprofundar o valor e o compromisso dado à saúde
mental, remodelar os ambientes que influenciam a saúde mental e fortalecer os sistemas que cuidam da saúde mental das
pessoas.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus,
disse: “Todos conhecemos alguém afetado por transtornos
mentais. A boa saúde mental se traduz em boa saúde física
e este novo relatório é um argumento convincente para a
mudança. Os vínculos indissolúveis entre saúde mental e
saúde pública, direitos humanos e desenvolvimento socioeconômico significam que a transformação de políticas e
práticas em saúde mental pode trazer benefícios reais e
substantivos para pessoas, comunidades e países em todos
os lugares. O investimento em saúde mental é um investimento em uma vida e um futuro melhor para todos”.
Todos os 194 Estados Membros da OMS assinaram o
Plano de Ação Integral de Saúde Mental 2013-2030, que os
compromete com metas globais para transformar a saúde
mental. Os progressos parciais alcançados na última década
provam que a mudança é possível. Mas a mudança não está
acontecendo rápido o suficiente e a história da saúde mental
continua sendo de necessidade e negligência, com dois em
cada três dólares do escasso gasto público em saúde mental
sendo destinados a hospitais psiquiátricos independentes –
mais que a serviços de saúde mental comunitários, onde as
pessoas recebem melhor atenção. Durante décadas, a saúde
mental tem sido uma das áreas mais negligenciadas da
saúde pública, recebendo uma ínfima parte da atenção e dos
recursos de que necessita e merece.
Dévora Kestel, diretora do Departamento de Saúde Mental
e Uso de Substâncias da OMS, pediu mudanças. “Todo país tem
ampla oportunidade de fazer progressos significativos em direção a uma melhor saúde mental para sua população. Seja formulando políticas e leis sobre saúde mental mais sólidas, ou introduzindo a saúde mental nos seguros médicos, fomentando e
fortalecendo os serviços comunitários de saúde mental ou integrando a saúde mental à atenção geral, à saúde, escolas e penitenciárias –o relatório inclui muitos exemplos que mostram que
mudanças estratégicas podem produzir uma melhora considerável.
As informações textuais acerca do assunto abordado são
introduzidas por meio da citação de dados divulgados pela
Organização Mundial de Saúde (OMS); tal recurso textual
tem como principal objetivo:
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