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Texto para as questões de 61 a 65
Um paciente de sessenta e cinco anos de idade, que há dez anos é ex-tabagista, relatou que fumou durante trinta anos, quarenta cigarros por dia. Este paciente veio ao consultório porque, havia três meses, apresentava rouquidão persistente. O paciente procurou um otorrinolarigologista, que realizou uma laringoscopia direta cujo resultado evidenciou uma lesão ulcerada acometendo o terço posterior da borda livre da corda vocal, sem invadir o processo vocal, e cordas móveis bilateral. A biópsia da lesão revelou carcinoma epidermoide de laringe. O paciente foi tratado adequadamente e não retornou para o seguimento clínico. Após cinco meses e meio, retornou ao médico devido à odinofagia, com linfonodo de 3,5 cm no nível II. O exame de laringoscopia direta evidenciou uma extensa lesão acometendo toda a glote, com fixação da prega vocal inicialmente acometida. Na biópsia, foi confirmado tumor.Considere que esse paciente tenha retornado um ano após o segundo tratamento, sem queixas. Assinale a opção que apresenta qual(is) o(s) exame(s) complementar(es) de rotina que deve(m) ser solicitado(s) para o seguimento desse paciente.
Gabarito comentado
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Tema central: O acompanhamento pós-tratamento do carcinoma epidermoide de laringe exige vigilância rigorosa. Pacientes como o do caso, com histórico de lesão extensa, devem ser avaliados para recidiva local, metástases regionais, lesões sincrônicas e afastamento de doença à distância, conforme orienta o INCA e sociedades científicas, como a American Head and Neck Society.
Justificativa da alternativa correta (C): A alternativa C está de acordo com as diretrizes para seguimento oncológico:
- Videonasofibroscopia (ou videonasocavoscopia): Visualização direta da laringe para detectar recidiva ou novas lesões. Essencial em todo seguimento.
- Endoscopia da faringe e do esôfago: História de neoplasia de trato aerodigestivo superior eleva risco de tumores sincrônicos; rastreio é indicado.
- Raio-X de tórax: Fundamental para pesquisar metástase pulmonar, complicação frequente.
- Tomografia computadorizada (TC) do pescoço com contraste: Avalia recidiva local e linfonodos cervicais, crucial para planejamento terapêutico.
Segundo o INCA: “Devem ser feitos exames endoscópicos, de imagem e laboratoriais sob demanda clínica e individualização do caso” (Versão Profissionais de Saúde). Assim, o conjunto de exames da alternativa C aborda todos os possíveis sítios de recorrência ou novas neoplasias.
Análise das alternativas incorretas:
- A) Apenas o exame clínico: Insuficiente; pode falhar na detecção precoce de recidiva ou metástase oculta.
- B) Raio-X de tórax: Avalia apenas pulmão, sem examinar território primário ou linfonodal.
- D) Raio-X de tórax + US pescoço: Ultrassonografia do pescoço tem limitação na avaliação de espaços profundos ou recidiva em região laringofaríngea.
- E) Laringoscopia direta: Importante, mas isoladamente não investiga metástases, nem lesões sincrônicas.
Estratégia para provas: Sempre busque a alternativa que contempla avaliação global do paciente pós-câncer de cabeça e pescoço, incluindo exames para recidiva local, metástase regional, afastamento de lesão sincrônica e doença à distância. Fique atento a alternativas que oferecem abordagem restrita ou incompleta.
Referências: Instituto Nacional de Câncer (INCA); UpToDate; Sabiston – Tratado de Cirurgia, 21ª ed.
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