Quanto a distúrbios pré-malignos e malignos do corpo uterino...

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Ano: 2009 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: MS
Q1205785 Medicina
Quanto a distúrbios pré-malignos e malignos do corpo uterino, julgue o próximo item.
A histerectomia radical, com ressecção do paramétrio e da parte superior da vagina e linfanectomia pélvica bilateral, aumenta a sobrevida de pacientes com doença em estágio clínico 1 (segundo a FIGO), em comparação com técnicas cirúrgicas conservadoras, como a histerectomia extrafascial e a salpingo-ooforectomia bilateral isolada.
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Tema central: Manejo cirúrgico do câncer de endométrio em estágio clínico I.

O câncer de endométrio é a principal neoplasia maligna do corpo uterino. Para estadiamento e conduta, utiliza-se a classificação da FIGO. O estágio I significa doença restrita ao útero. Este detalhe é fundamental para decidir o melhor tipo de cirurgia.

O tratamento-padrão, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), consiste em histerectomia extrafascial (simples) com salpingo-ooforectomia bilateral; pode-se associar linfadenectomia em casos selecionados. Histerectomia radical (remoção do paramétrio e da cúpula vaginal) é mais agressiva e reservada para outros cenários, como câncer de colo de útero, e não para câncer de endométrio em estágio inicial.

Justificativa da alternativa correta (E – Errado):

Está incorreto afirmar que a histerectomia radical aumenta a sobrevida em comparação a técnicas conservadoras para câncer de endométrio estádio I. Não há evidências que justifiquem este aumento, e tal abordagem pode aumentar a morbidade cirúrgica sem oferecer ganho em prognóstico.

Como destaca o INCA: “A cirurgia é o tratamento-padrão para o câncer de endométrio, consistindo em histerectomia (remoção do útero), geralmente acompanhada por retirada das trompas e dos ovários (salpingo-ooforectomia bilateral)”.

Além disso, trabalhos científicos e revisões em literatura confiável (por exemplo, UpToDate, Williams Ginecologia) confirmam que a histerectomia simples já é suficiente para tumores confinados ao endométrio. O excesso de radicalização pode trazer riscos desnecessários, como lesão ureteral, sangramento e prolongamento do tempo de internação.

Sobre interpretação da questão: Cuidado com afirmações absolutas e termos como “aumenta a sobrevida”. Ao encontrar esse tipo de colocação, pense no fundamento científico atual e nas recomendações das diretrizes. Questões de concurso costumam cobrar atualização e entendimento do raciocínio clínico.

Lembre-se: O tratamento do câncer de endométrio estágio I deve ser adequado ao risco e à extensão da doença, evitando intervenções desnecessárias que aumentem morbidade sem comprovado benefício em sobrevida.

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