Leia o texto a seguir. Tem-se dito que o desgaste de um esc...

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Q3911033 História
Leia o texto a seguir.

Tem-se dito que o desgaste de um escravo representa uma despesa que pesa sobre seu patrão, ao passo que o de um empregado livre pesaria sobre ele mesmo. Na realidade, porém, o desgaste deste último pesa tanto sobre o patrão quanto o do escravo. Os salários pagos a diaristas e empregados de todo tipo devem ser tais que lhes possibilitem continuar a procriar diaristas e empregados, conforme a demanda da sociedade — crescente, decrescente ou estacionária — exigir eventualmente. Mas embora o desgaste de um empregado livre também pese sobre seu patrão, geralmente custa-lhe muito menos do que o do escravo.
(SMITH, Adam. A riqueza das Nações. Volume I. São Paulo: Nova Cultural Ltda, 1996. p. 130.)

Considerado o pai do liberalismo, Adam Smith acreditava que a divisão do trabalho otimizaria a produção e consequentemente se obteria, a partir dela, maior lucro.
Com base no texto e nos conhecimentos sobre o liberalismo econômico e a escravatura no Brasil, no século XIX, assinale a alternativa correta.
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: A comparação decisiva do excerto é a de que o empregado livre, embora também gere custo ao patrão, geralmente custa menos do que o escravo.

Tema central: Liberalismo econômico e escravidão
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque contraria diretamente o excerto. Smith afirma que o empregado livre geralmente custa menos ao patrão do que o escravo, portanto não sustenta que o trabalho escravo seria mais lucrativo nem que o trabalhador livre seria menos vantajoso.
B
Certa
A alternativa B é a compatível com o texto-base e com o liberalismo econômico clássico cobrado na questão. O excerto de Smith contrasta o custo do trabalho livre com o do escravo e indica que o empregado livre geralmente custa menos ao patrão, o que afasta a superior vantagem econômica do trabalho escravo. Assim, a leitura coerente é a de um modelo centrado em trabalho assalariado e divisão do trabalho, em contraste com a escravidão.
C
Errada
Está errada por extrapolação indevida. O texto diz que os salários dos trabalhadores livres devem permitir sua reprodução conforme a demanda social, mas isso não autoriza concluir que Smith pensava da mesma forma em relação aos escravos.
D
Errada
Está errada porque atribui a David Ricardo uma posição incompatível com o liberalismo clássico e com o núcleo ricardiano usualmente cobrado. A alternativa fala em trabalhador com benefícios advindos do Estado e salário calculado para suprir necessidades e confortos desejados, formulação sem आधार na base apresentada.
E
Errada
Está errada porque faz uma generalização histórica excessiva ao afirmar, de modo linear, que a economia liberal defendida por Portugal no século XIX não acomodava a escravidão. O enunciado não sustenta essa formulação e o recorte histórico do espaço luso-brasileiro mostra a permanência da escravidão, o que torna a alternativa inadequada.
Pegadinha da questão
Confundir coexistência histórica entre liberalismo e escravidão com compatibilidade teórica plena, além de inverter o sentido do excerto de Smith sobre o custo do trabalho livre e do escravo.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o texto trouxer comparação explícita, use essa comparação como filtro principal para eliminar alternativas que invertam o sentido da passagem.
  • Diferencie compatibilidade teórica de coexistência histórica: o fato de dois fenômenos aparecerem juntos na prática não prova que sejam coerentes no plano conceitual.
  • Evite aceitar conclusões simétricas não escritas no texto: uma observação sobre trabalhadores livres não pode ser automaticamente estendida aos escravos.
  • Desconfie de alternativas que atribuem a autores clássicos posições doutrinárias específicas sem apoio no texto-base ou no núcleo conceitual cobrado.

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