Sobre o tratamento do alcoolismo na Atenção Básica, assinale...
Gabarito comentado
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Tema central: manejo do uso de álcool na Atenção Básica, integrando triagem, avaliação clínica, intervenção breve, entrevista motivacional e encaminhamento quando necessário, além de considerar farmacoterapia em casos selecionados.
Alternativa correta: C – A Atenção Básica deve: 1) realizar avaliação clínica (gravidade do uso, comorbidades, risco de abstinência/complicações, suporte social); 2) ofertar aconselhamento breve e entrevista motivacional para reduzir consumo/estimular mudança; 3) encaminhar para atenção especializada (ex.: CAPS AD) quando houver dependência moderada a grave, comorbidades psiquiátricas graves, risco social ou necessidade de desintoxicação. Essa organização está alinhada às diretrizes do Ministério da Saúde (Linha de Cuidado em Álcool e outras Drogas), OMS (AUDIT e intervenções breves) e UpToDate/Harrison’s.
Análise das incorretas
A – A entrevista motivacional (EM) é especialmente indicada para ambivalência (quando o paciente está em dúvida sobre mudar). Se o paciente já tem decisão firme e imediata, a abordagem deve ser mais diretiva: planejamento de metas, prevenção de recaídas e seguimento. Dizer que a EM é “recomendada” também para quem já decidiu parar confunde fases de mudança (Modelo Transteórico). Referência: Miller & Rollnick; OMS.
B – O AUDIT não serve apenas para “identificar dependência em consumo diário e contínuo”. Ele estratifica risco: 0–7 baixo risco; 8–15 uso de risco; 16–19 uso nocivo; ≥20 provável dependência. Detecta também padrão episódico/binge, não somente uso diário. Referência: Manual AUDIT – OMS.
D – Benzodiazepínicos são indicados para síndrome de abstinência alcoólica de moderada a grave, em curto prazo, com monitorização (ex.: CIWA-Ar). Não são “primeira escolha para manejo prolongado” do alcoolismo na APS e não devem ser usados sem sinais de abstinência, pelo risco de sedação, quedas e dependência. Referências: UpToDate; Diretrizes MS.
E – Naltrexona não é “prescrição imediata em qualquer situação”. Em uso de risco, a primeira linha é intervenção breve. Em transtorno por uso de álcool moderado a grave, pode-se indicar naltrexona (ou acamprosato) após avaliação de contraindicações (hepatite aguda, insuficiência hepática, uso de opioides). Não há recomendação universal para “adultos jovens” em “qualquer situação”. Referências: UpToDate; Harrison’s; MS.
Estratégia de prova: desconfie de termos absolutos como “sempre”, “qualquer situação” ou “manejo prolongado” com benzodiazepínicos. Valorize alternativas que integrem triagem + intervenção breve + encaminhamento.
Referências-chave: OMS – AUDIT e intervenções breves; Ministério da Saúde – Linha de Cuidado para pessoas com uso de álcool e outras drogas; UpToDate e Harrison’s – manejo do transtorno por uso de álcool.
Gabarito: C.
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