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Q3507319 Medicina
A transição epidemiológica no Brasil observada pelo viés da mortalidade demonstra que:  
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Tema central: Transição epidemiológica no Brasil observada pela mortalidade. Trata-se da mudança do perfil de causas de óbito ao longo do tempo, do predomínio de doenças infecciosas para doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), com influência de causas externas, em um processo não linear e heterogêneo no país.

Alternativa correta: A – O Brasil apresenta sobreposição de perfis: convivem doenças transmissíveis (ex.: tuberculose, dengue, infecções respiratórias em bolsões de vulnerabilidade), DCNT (cardiovasculares, neoplasias, diabetes) e causas externas (violências e acidentes). Esse padrão é descrito como “transição prolongada e polarizada” (Frenk et al.), mostrando coexistência de estágios da transição devido às desigualdades sociais e regionais. Evidências: DCNT respondem por cerca de 70% das mortes no Brasil (OMS/WHO NCD Profiles; Ministério da Saúde/DATASUS), mas agravos infecciosos e violências mantêm relevância.

Por que as outras estão incorretas?

B – Afirma um padrão clássico europeu (queda sustentada das infecciosas seguida só então pelo aumento das crônicas). No Brasil, houve sobreposição temporal de fases, com DCNT crescendo enquanto infecciosas persistiam em subgrupos. Portanto, não foi uma sequência limpa e progressiva como na Europa (Omran; Ministério da Saúde – Saúde Brasil).

C – Mistura incidência com um enunciado que pede mortalidade (pegadinha frequente). Além disso, embora causas externas tenham aumentado desde os anos 1980, o aspecto central da transição por mortalidade é o predomínio das DCNT, não das causas externas.

D – Diz que a mortalidade infantil está elevada e estável desde o início dos anos 2000. Falso. Houve queda acentuada e contínua nas últimas décadas por expansão da APS, vacinação, saneamento e atenção neonatal (MS/SINASC/SIM; UNICEF). Pequenas oscilações não alteram a tendência de longo prazo.

E – Afirma que doenças agudas transmissíveis são as principais causas de morte por “epidemias predominantes”. Em cenário histórico e estrutural, não: as DCNT lideram a mortalidade. Mesmo com eventos epidêmicos, o perfil de base do Brasil é dominado por crônicas (WHO, DATASUS).

Estratégia de prova: procure palavras-chave como sobreposição, padrão clássico, mortalidade infantil e incidência vs. mortalidade. Desconfie de enunciados que generalizam o Brasil ao “padrão europeu” ou que afirmam predomínio atual de infecciosas.

Referências úteis: Omran AR (Epidemiologic Transition); Frenk J et al. (transição prolongada/polarizada); Ministério da Saúde – Saúde Brasil, DATASUS/SIM; WHO NCD Country Profiles; UpToDate – Epidemiology of chronic disease.

Gabarito: A

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