Mas enquanto o sonho de Darcy não se torna realidade, o deba...

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Q47523 Português
Trabalho infantil: prós e contras.

Darcy Ribeiro, um dos mais originais e polêmicos pensadores do Brasil, não admitiria a alternativa que está no título deste artigo. Para ele, trabalho não era opção para as crianças: só deveria haver a obrigatoriedade da escola, da boa escola, em período integral e com duas refeições diárias. Estava pensando em atender amplamente as necessidades dos meninos e meninas carentes - parcela significativa da infância brasileira. Mas enquanto o sonho de Darcy não se torna realidade, o debate continua.
A favor do trabalho infantil estão aqueles que, considerando a inviabilidade de qualquer outra solução imediata, preferem evitar o mal maior - o do abandono e da delinquência de nossas crianças -, contornando-o com a permissão oficial de integração do menor no mercado de trabalho. Regulamentados por lei o horário máximo e as condições mínimas de adequação ao universo da criança, as empresas seriam encorajadas a admitir, treinar e a ajudar a desenvolver os pequenos trabalhadores, facilitando-lhes, inclusive, o acesso a uma educação suplementar: cursos profissionalizantes, estágios, atualizações etc.
Contra o trabalho infantil alinham-se os que defendem tanto o encaminhamento obrigatório das crianças à escola como a interdição do aproveitamento delas em qualquer tipo detrabalho profissional, em qualquer caso. Ainda que a escola não venha a suprir a necessidade das refeições diárias completas, do uniforme doado e do banho tomado, ela representaria o compromisso mínimo da educação em meio período, do ambiente de socialização e da sempre oportuna merenda escolar. Caberiam aos pais, aos adultos, à sociedade em geral as providências para que se poupassem as crianças de qualquer outra atividade.
Ainda temos muito a caminhar: é olhar as ruas das grandes cidades para constatar que a realidade vem exibindo uma terceira - e a pior - via. A tragédia dos menores abandonados é de tal ordem que faz pensar na abrangência das propostas de Darcy Ribeiro, que são também, certamente, as mais justas. Rever, reexaminar, rediscutir suas propostas não é um retorno ao passado: é buscar atender as necessidades de um melhor futuro.

(Tarso de Cintra Meirelles, inédito)
Mas enquanto o sonho de Darcy não se torna realidade, o debate continua.

Os termos sublinhados exercem na frase acima a mesma função sintática do termo sublinhado em:
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a identidade de função sintática: em “Mas enquanto o sonho de Darcy não se torna realidade, o debate continua.”, os termos sublinhados são sujeitos dos verbos “se torna” e “continua”, pois são os termos com que os verbos concordam e sobre os quais se faz a declaração; por isso, a alternativa correta deve trazer termo sublinhado também em função de sujeito, o que ocorre em “A tragédia dos menores abandonados é de tal ordem (...)”.

Tema central: função sintática do sujeito
Análise das alternativas
A
Errada
Em “Ainda temos muito a caminhar.”, o termo sublinhado “muito” não é sujeito. Ele modifica a ideia verbal, com valor de intensidade/quantidade da ação, portanto exerce função adverbial, não nominal. A questão exige mesma função sintática dos termos do comando, e aqui não há sujeito sublinhado.
B
Errada
Em “Para ele, trabalho não era opção para as crianças.”, o termo sublinhado “Para ele” é expressão preposicionada com valor de referência ou ponto de vista. Não estabelece a relação sujeito-verbo. O sujeito da oração é “trabalho”, não o termo sublinhado.
C
Errada
Em “Caberiam aos pais as providências (...)”, o termo sublinhado “aos pais” funciona como complemento do verbo “caber”, e não como sujeito. A prova disso está na concordância: “Caberiam” está no plural porque concorda com “as providências”, que é o sujeito posposto da oração.
D
Errada
Em “Ainda que a escola não venha a suprir a necessidade (...)”, o termo sublinhado “a necessidade” completa o verbo transitivo direto “suprir”, funcionando como objeto direto. O sujeito da oração é “a escola”. Portanto, a função sintática não coincide com a dos termos sublinhados no comando.
E
Certa
Na alternativa E, o termo sublinhado “A tragédia” integra o sujeito da oração “A tragédia dos menores abandonados é de tal ordem (...)”. O verbo de ligação “é” faz a declaração a respeito desse sintagma nominal, cujo núcleo é “tragédia”. Isso reproduz exatamente a função exercida por “o sonho” e “o debate” no trecho do comando: sujeito simples.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre posição no período e função sintática: termos preposicionados ou colocados antes do sujeito verdadeiro, como “Para ele” e “aos pais”, podem parecer centrais na oração, mas não são sujeitos. O critério correto é verificar com que termo o verbo concorda e sobre qual termo recai a declaração.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o enunciado pedir “a mesma função sintática”, compare função, não sentido nem posição da expressão na frase.
  • Para reconhecer sujeito, localize o termo com que o verbo concorda e sobre o qual se faz a declaração.
  • Desconfie de termos preposicionados: em geral, eles não exercem função de sujeito.
  • Em ordem indireta, use a concordância verbal para não confundir complemento com sujeito posposto.

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Comentários

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Função sintática é o papel que os elementos de uma frase exercem no seu interior, levando em consideração as relações existentes entre eles. Por exemplo: os substantivos ora exercem a função de sujeito, de adjunto adnominal, de objeto direto, indireto, etc.; os adjetivos ora exercem a função de adjuntos adnominais, de predicativos; os pronomes podem também exercer várias funções, e assim ocorre com as outras classes gramaticais.

No caso em tela, estamos diante de dois sujeitos:  Mas enquanto o sonho de Darcy não se torna realidade, o debate continua. Portanto, a letra e) está correta: A tragédia dos menores abandonados é de tal ordem (...)

 

A função sintática  de "sonho" e "debate", citados no exemplo, é a de sujeito. "Tragédia" (ítem E) exerce idêntica função sintática.
Os dois termos sublinhados tem a função de sujeito...
 
Se alguém tiver ficado com dúvida na alternativa "c", uma forma de eliminá-la é verificando a regência do verbo "Caber":
 
"Quem cabe, cabe EM"
"O que cabe, cabe A/PARA"
 
Assim, podemos notar que o verbo caber é transitivo indireto e que "aos pais" é objeto indireto do verbo (e não sujeito!). Pois na ordem direta da frase temos:
 
"As providências caberiam aos pais" -> sujeito, objeto indireto;
Pequeno macete que aprendi aqui no site: sujeito não vem preposicionado.
Logo, descartam-se de cara as alternativas b) e c)
O SONHO de darcy esta exercendo a funcao de NUCLeo do sujeito.
QUal sera o sujeito?
O SONHO de Darcy
O sonho e o nucleo.

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